A Europa está cada vez mais envelhecida, e com isso os sistemas de saúde, o mercado de trabalho e o nível de vida após a reforma, terão que ser questionados desde já. Em 2060, a população europeia em idade ativa irá diminuir, enquanto a população idosa continuará a aumentar a um ritmo de dois milhões por ano. Nesse ano, não tão longínquo para a juventude atual, poderá existir um idoso para cada duas pessoas em idade ativa. Os jovens de hoje serão os idosos no ano 2060.

Os dados do Gabinete de Estatísticas da União Europeia (Eurostat), indica que a idade média na União Europeia (UE) é de 39,8 anos, mas nos próximos 50 anos, os cidadãos da UE terão, em média, 47,2 anos. Atualmente as pessoas com idade igual ou superior a 65 anos são 16% da população europeia, mas em 2060 representarão quase 30% da população da União Europeia.

Esta mudança em termos demográficos é consequência inevitável dos avanços em termos de descobertas científicas importantes, que se refletiram na descida da taxa de mortalidade e no aumento da esperança média de vida. Esta realidade exige um novo paradigma do envelhecimento com as pessoas a sentir o envelhecimento ativo como uma necessidade, já!

Envelhecimento ativo significa envelhecer com boa saúde, ser membro ativo da sociedade, com maior sentido de realização profissional, maior independência na vida quotidiana e maior participação enquanto cidadãos. Neste ano de 2012, consagrado ao «Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações», há um grande desafio para as sociedades: tirar o máximo partido do enorme potencial que existe nas pessoas. Para isso, é preciso tomar consciência, que independentemente da idade, as pessoas podem continuar a ser membros ativos da sociedade.

A União Europeia, no âmbito do «Ano Europeu» irá promover o envelhecimento ativo em três domínios:

 

  • Emprego: aprendizagem ao longo da vida e aquisição de novas competências; condições de trabalho saudáveis; estratégias de gestão da idade nas empresas; serviços de emprego para candidatos mais velhos; não discriminação com base na idade; sistemas fiscais e de segurança social favoráveis ao emprego; transferência de experiência.

  • Participação na sociedade: segurança dos rendimentos dos idosos; apoio à participação social e ao voluntariado; apoio aos cuidadores; conciliação entre trabalho e assistência; solidariedade e diálogo; redução do fosso digital.

  • Promoção de uma vida independente: promoção da saúde e cuidados de saúde preventivos; adaptação das habitações; transportes acessíveis e económicos; ambientes, bens e serviços adequados aos idosos; maximização da autonomia nos cuidados a longo prazo; adaptações tecnológicas de incentivo a uma vida independente.

 

Para se enfrentar o futuro com um sorriso de esperança, é preciso que as pessoas saibam preservar a saúde por mais tempo e que a sociedade seja empreendedora, criando mais oportunidades no mundo laboral, para que os trabalhadores mais velhos continuem a ser membros ativos da sociedade. É preciso que se viva uma sociedade inclusiva, com um ambiente acolhedor e onde envelhecer não seja um «fardo», não seja sinónimo de dependência. Isto é possível, desde que o envelhecimento ativo seja uma realidade para todos os cidadãos.

José Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

www.moreiradasilva.pt