A discussão em torno do Euro tem crescido de dia para dia.

A viabilidade, sustentação, o seu valor face ao Dólar, a agências de rating e o seu impacto sobre as economias da Zona Euro, etc.,

Tudo é discutido, todos têm a sua opinião e muitas são contraditórias. Como afirmou Churchill, se estiverem dois economistas numa sala, o mais certo é ouvir duas opiniões diferentes.

No meio desta discussão, o que me preocupa é a situação da Grécia e o impacto que poderá ter na nossa economia.

Por um lado, a Grécia pode ser um permanente aviso àqueles que, reiteradamente, anunciam que a solução dos nossos problemas é renegociar a dívida, os prazos de pagamento ou, até, não pagar – Geralmente a oposição. Esses, também se esquecem que quem empresta dinheiro em situação de desespero fica com mais poder para exigir. A mesma Grécia pode ser uma alerta para quem governa e implementa as medidas negociadas com a Troika. Ou seja, os políticos que dirigem este país, sejam poder ou oposição, devem ter em conta que o pior que nos pode acontecer é a instabilidade política e social.

Por outro lado, a Grécia é uma bomba que pode explodir nas nossas mãos. Isto é, se a Grécia não conseguir aguentar com a adversidade que graça o país, não terá alternativa a sair do Euro. Por consequência, quer queiramos ou não, Portugal poderá sofrer com a especulação e ser o pais que se segue.

Exagerado? Não, não afirmo que isso vai acontecer, mas existe uma pequena probabilidade que a especulação dos mercados pode potenciar.

Por isso, é preciso transmitir estabilidade e confiança a quem nos emprestou o dinheiro. É necessário demonstrar que, se a Grécia sair do Euro, Portugal tem capacidade para dar a volta e não faz sentido sair do euro. Isso seria o pior que nos poderia acontecer. Imaginem os preços a dobrar, a não poderem levantar o dinheiro que têm nos bancos, a dívida à banca a duplicar e o valor da habitação a desvalorizar, etc. Seria pior que a austeridade que estamos a viver, não?

Sabem, o Euro aguenta sem a Grécia e Portugal, que são pequenas economias e têm pouco peso, mas estes dois países entram em colapso sem o Euro.

Tiago Vasconcelos

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