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Edição 438

Entrevista a Miguel Alexandre, candidato da CDU à União de Freguesias de Bougado

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“Cabe à Junta ter um papel protetor e de incentivo às famílias fragilizadas”

Caso seja eleito, Miguel Alexandre garante que o salário como presidente da União de Freguesias de Bougado será disponibilizado para “emergências social”. O candidato da CDU também defende construção de capela mortuária em Santiago.

 

O Notícias da Trofa (NT): O que o leva a candidatar-se à União de Freguesias de Bougado?

Miguel Alexandre (MA): O principal motivo que me levou a aceitar a minha candidatura foi o de sentir que poderia contribuir para uma elevação da qualidade de vida das agora agregadas freguesias dos Bougados, pois toda a minha vida estive ao lado dos mais desfavorecidos e dos mais fracos, e sinto que poderei acrescentar uma visão nova sobre os problemas atuais da freguesia, dando oportunidade a que a voz do povo seja ouvida. Desde sempre pugnei pela justiça e igualdade, princípios que irei manter na Junta de Freguesia.

 

NT: Quais sãos os projetos que vai apresentar para o mandato?

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MA: A valorização e proteção dos espaços públicos, a criação de gabinetes e valências de apoio aos mais desfavorecidos, como a criação de Centro de Dia, nos espaços desativados dos edifícios das juntas, manter um gabinete de apoio aos cidadãos no atual edifício da Junta de Santiago, para evitar deslocações dos bougadenses sempre que necessitem de algum serviço da Junta, a construção de uma capela mortuária junto à igreja de Santiago de Bougado, requalificação das ruas e caminhos com todas as condições de segurança, e sem barreiras arquitetónicas para os cidadãos de mobilidade reduzida, apoio efetivo e equitativo às associações desportivas, culturais e de solidariedade social, reivindicar espaços desportivos condignos para toda a população. Isto são algumas das propostas que temos para o executivo da junta.

 

NT: Qual o projeto/área prioritário(a) caso seja eleito?

MA: Neste momento de grave ataque às condições de vida de toda a população, por parte deste governo PSD e CDS/PP, claro que a área social terá um destaque no programa desta candidatura, pois as famílias e os trabalhadores sofrem pesadas perdas de rendimento que põem em causa a sua própria sobrevivência. Numa altura destas, as populações encontram-se mais fragilizadas e será aqui que caberá à Junta ter um papel protetor e de incentivo, mas sem ser o papel da “caridadezinha”, que outras candidaturas apregoam. Para isso disponibilizarei o salário do presidente para emergências sociais, procurando, sempre em conjunto com as estruturas existentes, melhorar a resposta a situações de carência. Como sempre dissemos só temos uma cara e uma voz. Não atacamos em Lisboa e defendemos na Trofa.

 

NT: Considera importante que a Câmara e a Junta de Freguesia sejam governadas pelo mesmo partido político? Porquê?

MA: Ao defender a importância de uma situação destas estaríamos implicitamente a defender o compadrio e o nepotismo, coisa que infelizmente grassa no Poder Local.

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Uma Junta íntegra sempre terá a mesma postura, seja quem for que governe a Câmara, pelo que não podemos considerar importante que seja o mesmo partido a governar a Câmara e a Junta.

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Atores locais elogiam Projeto Educativo Municipal e deixam contributos

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A visão dos atores locais sobre o Projeto Educativo Municipal (PEM) da Trofa foi o último painel das terceiras jornadas do PEM, que teve lugar no dia 5 de setembro.

Depois de vários especialistas nacionais na área educativa intervirem durante a tarde, dando o seu contributo para a construção deste documento, à noite foi a vez de individualidades ligadas ao concelho pronunciarem-se, sugerindo ações conciliadoras com o mundo do trabalho, instituições e cidadania ativa.

José Manuel Fernandes, em representação do Grupo Frezite, elogiou o conteúdo do PEM, anotando “as simetrias” existentes no concelho no que toca às taxas de analfabetismo, concretamente nas freguesias de Covelas e Guidões. Números que o empresário considera serem “uma base de trabalho importantíssima”.

Outro dos “contributos” de José Manuel Fernandes cingiu-se na relação entre a escola e as empresas, sugerindo que as novas metodologias de ensino devem preparar os jovens para que sejam capazes de “pensar, planear, decidir e executar” e ter “autorresponsabilidade”.

“Cada vez mais, temos que ter condições de receber jovens que se sintam sincronizados com as empresas. Houve uma evolução muito grande, no tratamento de base de dados, com informação automática e na qual a primeira reação é do cérebro. As metodologias absorvidas nas empresas devem estar no sistema de ensino”, defendeu.

Também Duarte Araújo, em representação da Federação das Associações Pais da Trofa, considerou o PEM “uma ferramenta fundamental” para o sucesso escolar, valorizando a participação dos encarregados de educação na sua construção. As associações de pais, sublinhou, “tentam estar inseridas no ambiente escolar” e dispõem-se a “aumentar as parcerias” com os vários atores educativos.

Para Paulino Macedo, diretor do Agrupamento de Escolas da Trofa, o PEM tem que responder às perguntas “O que somos? O Que temos? O que queremos ser?”. Uma das lacunas que, segundo Paulino Macedo, é necessário colmatar é cultivar a autoavaliação dos estabelecimentos, assim como “ajudar a fazer uma boa orientação vocacional aos alunos”.

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No campo da interação, frisou, a palavra “ouvir” está “gasta” e “deve ser substituída” pela palavra “escutar”. No entanto, as escolas, que tentam inverter a fama de sistema fechado, enfrenta algumas dificuldades: “A comunidade não entra nem nos escuta. Se na cantina um prato de sopa aparece com um cabelo, toda a Trofa sabe, mas se fizermos uma grande atividade ninguém a conhece. Às vezes parece que temos vergonha de mostrar aquilo que fazemos de bom”, sustentou.

O diretor mostrou-se preocupado com a diminuição de cerca de 200 alunos matriculados – o que fez com que o Agrupamento perdesse o estatuto de maior do país -, crendo que estes números refletem “as dificuldades económicas que as famílias atravessam”.

Já Renato Carneiro, diretor do Agrupamento de Escolas do Coronado e Covelas, salientou que o PEM “é um documento devidamente estruturado, com diagnósticos, soluções, aponta caminhos e permite desenvolver ações tendo em conta as necessidades dos alunos”. Com este projeto, continuou, “evita-se duplicar projetos para o mesmo público”.

 

No campo da cidadania ativa, Luís Elias, em representação das associações do concelho, denotou a conclusão do estudo de que não existe “um vínculo identitário” das pessoas com o município. “Ao não existir esse vínculo, as pessoas não se identificam com o concelho e não se integram facilmente nas associações”, referiu. Luís Elias considera que a entrega de subsídios às associações devia obedecer a “critérios rigorosos” e que “devia haver um programa” municipal com “metas traçadas” para “estimular, motivar e ligar as coletividades às escolas, com o patrocínio da Câmara Municipal”.

Já Gilda Torrão, em representação das IPSS (Instituições Particulares de Segurança Social), evocou a importância da “atitude” no trabalho de parceria entre os vários agentes educativos. “Quantas vezes as redes estabelecidas não são verdadeiras parcerias”, evidenciou.

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Grupo de Jovens C’a Fé fizeram viagem espiritual a Taizé

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 No dia 14 de agosto, o Grupo de Jovens C’a Fé, da Paróquia de S. Martinho de Bougado, partiu numa grande viagem espiritual rumo a Taizé, uma pequena aldeia de Borgonha, em França.

Iniciamos esta viagem sem qualquer tipo de expectativa em concreto, pensávamos apenas que seria um recinto fechado, muito pequeno, cheio de pó e com poucas condições. Quando lá chegamos, a primeira coisa que nos passou pela cabeça foi “de onde é que esta gente saiu?”, 3000 pessoas é um número bastante grande, mas na nossa cabeça, parecia um número relativamente pequeno. Para além disso, tudo nos chamou a atenção e quanto mais andávamos, mais nos surpreendíamos, pela positiva.

Em Taizé, a oração é composta principalmente por cânticos, que chegam a ser frases muito curtas, fáceis de repetir e de entrar no ouvido. E é através do cântico que uma pessoa consegue conectar-se, e de certa forma, falar ao Senhor. Se entrarmos no compasso, sentimo-nos embalados num ambiente muito especial porque é marcante sermos um dos três milhares de jovens que cantam com Fé! São emoções únicas e só por quem lá passa entende.

O momento de maior entrega a Deus foi na sexta-feira à noite, durante a oração e a adoração à cruz. Não conseguimos explicar aquilo que sentimos e aquilo que vivemos! Naquele momento não era preciso falar, Ele entendia tudo o que lhe queríamos dizer. Entregando nos seus braços, confiando e sentindo o seu amor, tivemos uma das experiências mais marcantes da ínfima vivência vocacional. Com a testa colada à cruz (literalmente colada) sentimos a Sua proteção, amor e sobretudo compreensão. Ali, mais que nunca, tivemos a certeza que apesar dos obstáculos que se colocam na nossa vida e muitas vezes nos fazem questionar um emaranhar de ideias, Ele estará sempre a nosso lado. Foi neste dia que percebemos a magia deste lugar algures em França, a que todos se referem com um brilho no olhar. Foi inesquecível.

Taizé é uma comunidade cheia de vida, de partilha. A cada momento, a cada oração, a cada tocar dos sinos, sentimos a vida desta comunidade sobretudo quando esquecendo as diferenças culturais, os diferentes idiomas seguimos o som dos sinos e nos entregamos ao verdadeiro Deus, aquele que nos ama acima de tudo, com cada defeito demonstrado ou muitas vezes submerso nas intermináveis vivências quotidianas. Tudo nesta comunidade é tão intenso, tão memorável, tão inexplicável e inesquecível. Todos nós sentimos essa vida quando numa igreja com aquelas dimensões se enche, e em silêncio (um silêncio total) crianças, jovens e adultos se juntam para adorar e contemplar o nosso Deus.

É impossível descrever o que lá vivemos durante quatro dias. Esta comunidade transforma-se, semana a semana, num lugar diferente. São inúmeras as pessoas que chegam pela primeira vez sem perceber muito bem o que as leva lá, sem saber os segredos que esta comunidade guarda. Por outro lado, são tantas as pessoas que voltam porque sentem falta da paz que esta comunidade transmite. Taizé é assim, uma comunidade surpreendente, cheia de vida, de partilha…que é impossível deixar alguém indiferente.

Vir a Taizé foi, sem dúvida, o melhor que nos podia ter acontecido neste momento! A ideia era partir à descoberta de uma nova realidade, um pouco diferente do que estamos habituados embora tendo sempre como base aquilo que unia todos os povos que lá se encontravam: Deus!

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Sabem uma coisa? Vamos ter saudades de tudo em Taizé…desde a comida (sim da comida!) à dureza do nosso colchão, passando pelo som dos sinos, dos cânticos, das conversas com todos aqueles que fomos conhecendo. E porquê? Porque tudo isso é vida em Taizé.

Balanços são mais que positivos. Não poderia ter corrido melhor a nossa experiência em Taizé, e que venham mais oportunidades de viver-vos intensamente a fé enquanto grupo de jovens.

“Taizé, uma comunidade, uma aldeia, uma vida… Mais que uma comunidade ou aldeia, Taizé, é um local de partilha e de interseções de vidas, de experiências espirituais vividas momento a momento de uma forma tão intensa, tão pessoal.”

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