Ao longo de oito semanas, os enfermeiros Paulo Martins e Cláudia Silva percorreram as paróquias do concelho, onde promoveram rastreios gratuitos para a hipertensão.

“Considero positivo tendo em conta adesão do concelho. Foi uma boa participação de toda a população”. Foi desta forma que Paulo Martins começou por fazer um balanço do rastreio gratuito para a hipertensão, que promoveu pelas oito paróquias do concelho, com o apoio da também enfermeira Cláudia Silva, bem como de todas as paróquias e entidades que colaboraram.

No arranque da iniciativa, Paulo Martins declarou que pretendia “alertar” a comunidade para “os cuidados a ter com a alimentação” e para a “prevenção da hipertensão arterial”, que é um dos fatores de risco para a ocorrência do Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou enfarte agudo do miocárdio.

Quem visitou o consultório “itinerante” pôde medir a sua pressão arterial e escutar alguns conselhos para a prevenção da hipertensão arterial. Paulo Martins denotou que o feedback das pessoas foi “bastante positivo”, tendo conseguido perceber que “estas por vezes necessitam de cuidados de enfermagem e não sabem a quem recorrer”. Além disso, os participantes demonstraram que gostariam que houvesse “outro tipo de rastreio, como à diabetes e colesterol”.

Paulo Martins explicou que existem “dois tipos de avaliação da tensão arterial: a sistólica e a diastólica”. A pressão arterial sistólica é denominada de máxima e, normalmente o valor pode variar entre os 120 a 140 mmHg. Já a pressão arterial diastólica é conhecida como a mínima, em que o valor, normalmente, deve andar entre os 60.5 e 80 mmHg.

“Fugindo muito para cima ou muito para baixo começam a tornar-se preocupantes, mas é mais fácil corrigirmos umas tensões baixas do que umas altas, que são muito mais difíceis de corrigir, porque tem todas aquelas complexidades das placas de ateroma, que são as placas da gordura que se começam a alojar nas paredes e o fluxo sanguíneo fica mais pequeno, podendo ocorrer um AVC”, adiantou.

Nos conselhos que dá aos utentes, o enfermeiro “tenta não ser muito radical”, mas há “uma determinada população onde é necessário sê-lo”, aconselhando-os “a não pôr sal na comida”. Além disso, aconselha que “controlem um bocadinho o seu peso, comendo mais à base de verduras, reduzindo aos hidratos de carbono, bebendo bastante água e cumprindo cinco a seis refeições diárias, de quatro em quatro horas”. Como o sal é “prejudicial à saúde”, Paulo aconselha as pessoas a “substituí-lo por outras especiarias”, como por exemplo os orégãos. Além disso, “se tem dificuldade em fazer exercício físico, deve pelo menos fazer umas caminhadas à noite”. “Se morar num apartamento em vez de usar o elevador, dê uso às escadas, em vez de se deslocar sempre de carro, ande mais a pé. São pequenos exercícios que desafio as pessoas a fazerem todos os dias durante três meses, pois vão ver que no final vão-se sentir muito melhor”, referiu.

Com a aproximação do verão, Paulo referiu que “as pessoas querem emagrecer e para isso deixam de comer certas coisas” e “fazem dietas rígidas”. O enfermeiro aconselha a fazer “uma dieta saudável, mas com graduação”, para que “o organismo se adapte aos novos hábitos alimentares”. “Se vamos cortar radicalmente, o organismo nunca se vai adaptar ao radicalismo e passado algum tempo vai pedir e é aí que se vai engordar a valer”, concluiu.