O Encontro Lusófono da Trofa começou com o lançamento do livro do conto vencedor da edição de 2011 do Concurso Literário, “Índio Bolha”. Autarquia garante que “não vai sacrificar” iniciativas culturais, apesar dos constrangimentos financeiros.

Foi com tribos e animais que o concelho deu as boas-vindas ao Encontro Lusófono. As personagens do livro “Índio Bolha”, da autoria da brasileira Ivone Teixeira, ganharam vida com a encenação dos Meninos Cantores do Município da Trofa. Foi desta forma que a autarquia apadrinhou o lançamento do conto vencedor da edição de 2011 do Concurso Literário.

Este foi o mote para a abertura do Encontro Lusófono, uma das apostas do município trofense, que contou com a presença de várias pessoas que se quiseram associar à exaltação da literatura infantojuvenil e de outras expressões culturais.

Associada à iniciativa, está também a Feira do Livro, onde podem ser encontrados vários exemplares para crianças, assim como bestsellers e outros livros temáticos. Para a autarquia, durante esta semana, o país cultural tem os olhos postos na Trofa, que se transforma “na capital da lusofonia”. Para José Magalhães Moreira, vice-presidente da autarquia trofense, o concelho “pode e deve afirmar-se a nível nacional como interlocutor válido em múltiplos campos do saber e da criação artística”. É que, para além de ser a terra natal de vários vultos da cultura, como o republicano Heliodoro Salgado, o professor universitário António Cruz e o escultor Alberto Carneiro, a Trofa “dispõe da vontade, da perseverança e do empenho necessário para continuar a realizar o sonho de trazer um bocadinho do mundo para a Casa da Cultura”, sustentou.

“Estamos certos de que esta promoção do Encontro Lusófono e da Feira do Livro dará um contributo decisivo para a identificação das nossas capacidades como povo e para uma estratégia de promoção da imagem da Trofa dos nossos dias”, acrescentou o vice-presidente do município. Por isso, apesar dos constrangimentos financeiros, a Câmara Municipal garantiu que não vai sacrificar as iniciativas culturais, como esta semana da lusofonia, por ser considerada “um fórum insubstituível de debates de ideias” e por “dinamizar uma casa de cultura, verdadeiramente aberta e plural”.

Neste sentido, também o Concurso Literário da Trofa vai continuar a ser um dos baluartes culturais do concelho. Sem esquecer de homenagear a escritora Matilde Rosa Araújo, que dá o nome ao Concurso Literário, o vereador da cultura, Assis Serra Neves deu o mote para o que será o Encontro Lusófono de 2012 “com a participação de escritores, contadores de histórias, ilustradores, exposições, concertos, formações, oficinas e peças de teatro”.

Durante a semana, os alunos vão encontrar-se com escritores como Ana Luísa Amaral, Anabela Mimoso, Daniel Marques Ferreira, Manuela Costa Ribeiro, Maria João Lobo de Carvalho, Regina Gouveia, Sónia Borges, Vanda Furtado Marques e Sérgio Godinho. Esta iniciativa conta com a colaboração dos agrupamentos de escolas e, segundo o autarca,  “são mais de 1500 os alunos e professores inscritos nas iniciativas”, assumindo-se como “testemunhos do entusiasmo com que é encarado este evento”.

Na noite de inauguração, foram ainda apresentadas exposições na Casa da Cultura, como as caricaturas de Cássio Loredano, “Das Letras”, e as ilustrações de Cristina Vilarinho no livro “Índio Bolha”. Mas a sala que encheu foi a que recebeu a exposição “Pensar global, agir local”, da autoria dos alunos de Artes, da Escola Secundária da Trofa. Na mostra podem ver-se diferentes abordagens dos jovens à realidade do concelho, a história da Trofa, a questão do metro ou os buracos nas ruas e estradas. A autarquia aproveitou ainda a primeira noite do Encontro Lusófono para premiar os melhores leitores da Casa da Cultura em 2011.

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