A Escola Básica de Cidai foi um dos estabelecimentos de ensino encerrados pelo Ministério da Educação. Alunos serão deslocados para Bairros e Lagoa.

A notícia foi recebida com um misto de surpresa e estupefação. A Escola Básica de Cidai foi uma das 297 escolas encerradas pelo Ministério da Educação e que já não abrem portas em setembro. Esta medida vem no seguimento do encerramento de estabelecimentos com menos de 21 alunos, e sem inscrições suficientes para abrir uma turma de primeiro ano, realidade que se verificava em Cidai.

Em declarações ao NT, Joana Lima, presidente da Câmara Municipal da Trofa assegurou que “o executivo recebeu a notícia através dos meios de comunicação social”, lamentando o facto de a autarquia “não ter sido notificada oficialmente desse encerramento. A autarca acatou esta decisão “com tristeza” por “se tratar de um estabelecimento de ensino que tem uma história de trabalho de qualidade feito em prol a comunidade e dos seus alunos”.

As crianças que estavam inscritas na EB1 de Cidai serão distribuídas para as escolas da Lagoa e de Bairros. “Desde que tomou conhecimento do encerramento da EB 1 de Cidai, o pelouro da Educação diligenciou junto do Agrupamento de Escolas da Trofa no sentido de garantir uma solução satisfatória e equilibrada para os alunos”, referiu Joana Lima, que assegurou ainda que o processo “terá sido realizado de acordo com a vontade dos encarregados de educação”.

 

Presidente da Junta descontente com encerramento

Quem não escondia o descontentamento por ver as portas do estabelecimento fecharem era António Azevedo, presidente da Junta de Freguesia de Santiago de Bougado. Em declarações ao NT, o autarca lamentou o facto de o representante do Conselho Municipal da Educação, o presidente da Junta de Freguesia de S. Mamede do Coronado, “não ter informado nem formal nem informalmente” sobre o encerramento da escola. “No anterior mandato, eu fazia parte do Conselho Municipal da Educação e informava os outros presidentes de Junta do que se passava. Infelizmente, também a Câmara Municipal não dialogou com a Junta”, frisou.

O autarca salientou ainda que “o ano passado” travou “uma luta tremenda na Câmara Municipal, porque achava que a escola não devia fechar”. “Os alunos de Cidai não vão para condições melhores. Vão é prejudicar as fracas condições que existem nos outros estabelecimentos. A Escola de Bairros tem, aproximadamente, 150 alunos e a da Lagoa não tem sequer espaço de logradouro para brincar”, asseverou.

O presidente da Junta foi mais longe nas críticas: “Se começarmos a retirar os equipamentos essenciais desses lugares, estamos a destruir esse lugar porque as pessoas começam a construir cada vez menos e procuram outros locais. E se é interesse deste município levar estas crianças de Santiago de Bougado para outras freguesias, para que nesta freguesia não seja construída uma Escola Básica Integrada como estava na Carta Educativa, estamos mal”.

Contactado, José Ferreira garantiu que “desconhecia” sobre a decisão do Governo.

 

Autarquia garante que “condições estão reunidas”

A autarquia refuta as acusações do presidente da Junta de Freguesia, sustentando que, primeiro, “a decisão de encerrar escolas não partiu da Câmara Municipal da Trofa, mas do Governo, em especial do Ministério da Educação, pelo que, é de todo impróprio tentar assacar responsabilidades à Câmara Municipal por este encerramento”. Depois, sustenta a mesma fonte, “deve ficar bem claro que a Câmara também nunca recebeu qualquer comunicação oficial do Ministério a este propósito e que a única informação recebida foi através dos meios de comunicação social, aliás como a generalidade das pessoas”.

Relativamente às condições que os alunos terão nas escolas para onde serão deslocados, o executivo camarário acredita que as mesmas “estão reunidas para que os alunos realizem aprendizagens de qualidade pois as escolas estão bem equipadas, possuem equipas pedagógicas com dimensão e competências adequadas ao desenvolvimento de um ensino de qualidade”.

“O número de alunos existentes nessas escolas é suficientemente numeroso para propiciar um adequado processo de socialização. E depois a Câmara propicia um conjunto de condições importantes para o desenvolvimento integral das crianças desde as Atividades de Enriquecimento Curricular ao serviço de refeições, em colaboração com as Associações de Pais. Saliente-se que, apesar de não ser uma obrigação legal da Câmara Municipal, esta garantirá o transporte às crianças agora deslocadas a partir de Cidai”.

A Câmara Municipal não deixou de salientar que, no reverso da moeda, “existem regras legislativas que devem ser cumpridas por todos” e que “a autarquia está empenhada no arranque do próximo ano letivo, que tudo leva a crer que venha a decorrer com normalidade para a generalidade dos alunos do concelho da Trofa”.

Quanto ao futuro do edifício, que até agora acolheu os alunos daquele lugar e cuja proprietária é a Câmara Municipal, “será utilizado para servir os trofenses em geral, os bougadenses e os habitantes de Cidai”.

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