“Empresa familiar deve ser gerida com estritos critérios profissionais”

O Núcleo da Trofa do CENFIM realizou na tarde de sexta-feira, 11 de outubro, um seminário dedicado à temática “Empresas Familiares: um paraíso muito sensível”.

“As empresas familiares são cada vez mais um pilar de sustentação da economia e assumem uma importância preponderante na interação do tecido social com o tecido económico”. Esta foi uma das razões que levaram o Núcleo da Trofa do CENFIM – Centro de Formação Profissional da Indústria Metalúrgica e Metalomecânica a realizar um seminário dedicado à temática “Empresas Familiares: um paraíso muito sensível”.

No seminário, que decorreu no auditório do Núcleo da Trofa, o orador António Nogueira da Costa deu a conhecer as “particularidades” de uma empresa familiar, os “pontos fracos” e a importância de preparar a sucessão. As debilidades de uma empresa familiar estão relacionadas com a “informalidade” com que são tomadas as decisões e compromissos, “emotividade nas decisões” e na gestão de conflitos.

Nos dias de hoje, são muitos os provérbios ligados às empresas familiares, um deles está relacionado com a longevidade da empresa: “A primeira geração cria, a segunda herda e a terceira destrói”. Uma ideia corroborada pelo orador, que mostrou dados que revelam que “somente 20 por cento das empresas familiares conseguem manter-se na mesma família por mais de 60 anos”.

Outro dos problemas de uma empresa familiar é o facto de não ser preparada a geração seguinte para a sucessão, o testemunho não ser passado ou a sucessão não seja preparada.

Nas suas conclusões, António Nogueira da Costa referiu que a “empresa familiar é, antes de tudo, uma entidade que concorre num mercado e deve ser gerida com estritos critérios profissionais”. Por isso, “a família, enquanto proprietária da empresa, tem a última palavra sobre as decisões que possam afetar o futuro da companhia”, sendo “imprescindível a profissionalização da família enquanto acionista no que se refere à sua relação com o negócio”. “Unir os destinos profissionais e pessoais dos familiares ao destino da empresa torna necessária uma reflexão prévia sobre que medida esta decisão afetará as diferentes partes implicadas: a empresa, a família e a pessoa. Planificar a sucessão, ou simplesmente a incorporação de um membro da família na empresa, terá consequências cruzadas sobre estes três agentes”, foram outras das conclusões apontadas.

No final, António Ferreira Luís, diretor do Núcleo da Trofa do CENFIM, afirmou que é “uma preocupação manter regularmente contacto com os clientes e acionistas, que são os empresários”, trazendo-os a “discutir assuntos que podem ter a ver com o negócio, a sustentabilidade do negócio e com a preocupação do futuro”.

Relativamente ao tema abordado, para o diretor, “independentemente da dimensão, os problemas são muito parecidos como foi dito e é preciso preveni-los, sistematizar, organizar e disciplinar o processo sucessório para que ele decorra com a naturalidade e normalidade que for possível e desejável no sentido de preservar o bem maior que é o bem-estar da família e a preservação do negócio”.