A Trofa continua hoje a trajar azul e vermelho, as cores do clube que domingo subiu à Liga de futebol e encheu de orgulho a bairrista cidade, uma década após a batalha ganha para se tornar concelho.

       O centro da cidade é o exemplo mais elucidativo do cenário, com grandes cartazes e tarjas a vestirem varandas e montras de estabelecimentos comerciais, que assim homenageiam os seus heróis.

    "A Luta e a União vão fazer do Trofense um…" é a rima incompleta, mas óbvia de um dos cartazes que se destacam no central Largo Senhora das Dores, partilhando protagonismo com outro de idêntico tamanho com a gigante fotografia do grupo de trabalho no relvado e a dedicatória "A Junta de Freguesia de São Martinho de Bougado felicita e apoia o Trofense".

    Nas ruas, ainda é possível ver algum "lixo" azul e vermelho, resquícios da festa de domingo que perdurou pela noite, no mesmo cenário onde há 15 anos os trofenses protestavam pela "injustiça" que acabaria por levá-los, na secretaria, a baixar à terceira divisão.

    "Estamos todos em festa, mas é importante que não esqueçamos que a Trofa não é só futebol. Para continuarmos a crescer, precisamos de melhores vias de comunicação: não temos via circular, as nossas estradas estão muito degradadas e também precisamos da prometida linha de metro", reclama Mário Carneiro.

    O administrativo farmacêutico de 59 anos reconhece "mérito à organização" do Trofense – "o clube e os seus responsáveis mereceram o êxito" – e manifesta o desejo de que a agremiaçao "continue fiel aos seus princípios de bom pagador, evitando a vergonha de ter salários em atraso".

    José Carneiro assume discurso idêntico: "Agora temos outra visibilidade e responsabilidades. Espero que o projecto tenha pernas para andar, mas sem dar um passo maior do que as pernas e salários em atraso. Antes ter a imagem de clube modesto e sério, do que passar pela vergonha de sermos vistos como vigaristas".

    O jardineiro de 29 anos defende ainda que deveria ser edificado um estádio novo, "numa área verde afastada da super movimentada estrada nacional 14, inserido num amplo projecto desportivo".

    "É uma vergonha ver atletas de fundo e meio fundo a correr na nacional 14. Somos também o berço da equipa campeã nacional de voleibol feminino. Juntem sinergias, requalifiquem as margens do Rio Ave e construam um projecto modelo para o país", concluiu.

    Alexandrina Costa reconhece que "nunca na vida" pensou ver o Trofense na Liga, destacando a "seriedade e espírito lutador e bairrista" das pessoas do concelho como o segredo do êxito do Trofense.

    A comerciante de 62 anos diz que "toda a família" está a pensar inscrever-se como sócia do clube, que espera traga "projecção mediática e muita gente para projectar o comércio e economia da cidade".