Há nove anos atrás as gentes da Trofa rejubilavam de alegria pela conquista do tão ambicionado concelho da Trofa.

   Os Trofenses, à muito aspiravam por poder conduzir os seus próprios destinos e criar um projecto de desenvolvimento para as oito freguesias, que se sentiam até então muitas vezes esquecidas.

Acreditava-se de facto, que a criação do Concelho da Trofa traria um novo rumo, uma nova esperança, um futuro promissor e que se recuperaria os atrasos de desenvolvimento que se registavam.

O trabalho, empenho, dedicação e paixão por esta causa moveu influências e toda a população.

A Comissão Promotora encabeçou este projecto de vida de muitos e viu o seu trabalho reconhecido no dia 19 de Novembro de 1998, o dia em que se conquistou a independência do concelho de Santo Tirso.

Os mais sonhadores acreditavam que a partir desse dia tudo seria diferente e os mais sépticos preferiam esperar para ver.

Esperavam-se tempos de trabalho árduo, mas a tão esperada independência em tudo ajudaria, sobretudo porque havia uma nova esperança para a condução dos nossos destinos.

No fundo o tempo era de acreditar em dias melhores.

Os dias foram passando, os anos foram passando, as expectativas vão-se desvanecendo e a esperança num concelho promissor e desenvolvido esbateu-se!

O projecto de desenvolvimento do nosso concelho não existe ou no mínimo está sem norte e não será pela ausência do Plano Director Municipal (P.D.M.)?

E o que foi feito do Plano Estratégico da Trofa (P.E.T.) elaborado em 2000 ?

Como é possível que um concelho com 9 anos que tanto ambicionou conduzir os seus próprios destinos ainda se oriente por um P.D.M. criado por Santo Tirso, e não tenha já elaborado e aplicado o seu próprio plano de desenvolvimento e com uma visão de futuro orientadora?

É no mínimo caricato!

Importa salientar que estes dois documentos são fundamentais para estruturar uma politica de desenvolvimento assente na realidade do concelho e definir meios e estratégias para atingir os fins propostos.

O P.D.M. é um instrumento de ordenamento do território de cariz estratégico e de elaboração obrigatória. Este Plano regulamenta e vincula a administração pública e particulares às opções de estrutura espacial do território e assenta principalmente na definição dos usos do solo, das infra estruturas, dos equipamentos, em suma do que se pretende para o território.

O P.E.T., é um documento necessário para a definição de uma politica de ordenamento e desenvolvimento. A partir de uma análise profunda da situação do concelho, a percepção das suas oportunidades, ameaças, pontos fortes e pontos fracos define-se os objectivos e linhas de acção.

 

Para que estes dois instrumentos sejam utilizados em prol do desenvolvimento é necessário a criação de um pacto entre administração, actores, cidadãos e parceiros diversos para concretizar a tal visão através de uma estratégia e de um conjunto de projectos para um determinado território.

A definição de uma estratégia concertada e participada, a definição de uma visão de futuro que desenvolva o território, o torne atractivo para pessoas e actividades é o que a Trofa necessita e para isso torna-se necessário e crucial as pessoas sentirem que fazem parte integrante do processo, que são chamadas a participar, a opinar e a construir um futuro que será melhor para todos.

É urgente colocar o P.D.M. a discussão publica, aproveitar documentos e estudos já realizados, saber ouvir e sobretudo abrir o jogo e deixar os Trofenses finalmente construir a Trofa porque tanto lutaram e que apesar de tudo acreditam que valeu a pena.

 

Teresa Fernandes