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Ano 2008

…e chegará o dia das surpresas.

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Nos últimos dias e semanas vamos sendo assolados por notícias de capital relevância, quase sempre transmitidas de forma facciosa, intencionalmente escamoteando a verdade dos factos. Não fossem os grandes meios de comunicação o que são, meros instrumentos de classe da luta de classes no século XXI, por muito que Sócrates desminta. Mas a Sócrates ainda lhe falta muito, ou tudo, para chegar aos pés do outro, do verdadeiro Sócrates, o velhinho, o filósofo condenado a beber cicuta e que assim morreu em 399 antes de Cristo. Daqui a pouco, talvez meio século, ou até muito menos, Sócrates será apenas este.

 Jornais, rádios e televisões (sobretudo estas) deram-nos nota do estado de completa guerra civil na Bolívia e venderam a ideia da revolta do povo contra o presidente Morales e contra a política que vem sendo seguida. Ora, isto é mistificar a verdade, é ludibriar conscientemente. De facto algo de muito grave se passa na Bolívia. Algo que não é novo e também já se passou no Chile há 35 anos atrás. Nessa altura R. Nixon informou o director da CIA, Richard Helms, que um governo de Allende não era aceitável para os EUA e instruiu a secreta para que tivesse um papel directo na organização de um golpe militar no Chile. Entre 1969 e 1973, agindo como autênticos mafiosos, aplicaram mais de 7 milhões de dólares nas forças reaccionárias e na desestabilização económica e política do Chile. Compraram mercenários para produzirem acções de sabotagem, manifestações e intimidações, pagaram greves como as que foram realizadas pelos comerciantes e camionistas. E ainda acrescentaram milhões de dólares para empresas privadas, sindicatos fantoches e para a imprensa de direita. Tudo o que deve ser feito na gestão e concretização de um golpe de estado com o objectivo de terminar com um governo e uma politica democrática a favor do povo. Porquê? É fácil. O governo de Unidade Popular que unia comunistas, socialistas e outros democratas saído das eleições de Setembro de 1970, fez o seguinte. Pela primeira vez um governo conta com operários a ministros; cria-se segurança social e assistência médica no campo e nos bairros pobres urbanos; leite gratuito para todas as crianças até aos 15 anos e para as mulheres grávidas; publicação de livros a preços populares; férias para os trabalhadores; nacionalização de 90% do sector bancário; o aço, o ferro, o salitre e o cobre passam a propriedade social, onde 70 grandes empresas são expropriadas e passam a ser geridas sob o controlo operário; a reforma agrária abrange 2,4 milhões de hectares de terra. As consequências destas medidas resultaram em aumento da produção industrial em 11%, crescimento do PIB em 7%, queda do desemprego de 8,3% para 4,8%, o aumento de 20 vezes de casas construídas, o crescimento de 66% dos salários reais e o facto de cerca de 60% do rendimento nacional ser detido pelos assalariados. Obviamente que os grandes interesses multinacionais e o governo dos EUA não poderiam tolerar esta situação. E então não conseguindo destruir o governo pela via democrática, derrubaram-no pela sabotagem, pela guerrilha económica, pela propaganda e por fim…pela força… pelo homicídio, pela perseguição.

            Na Bolívia está-se a passar a mesma coisa. Depois de Morales ter ganho as eleições com 53% dos votos, as seitas do mal não descansaram enquanto não se realizasse um referendo para correr com o presidente. Saindo-lhes o tiro pela culatra, com a vitória de Morales do referendo revogatório realizado em Agosto último com 67% dos votos, logo iniciaram as provocações, as desestabilizações e os separatismos, sob a orientação da CIA, da oligarquia boliviana e de Goldberg, o embaixador dos EUA, especialista nestas matérias. Porquê? Por causa da nacionalização dos hidrocarbonetos. Antes o povo ficava com 18% das receitas e 82% era levado para as grandes empresas. Agora é ao contrário, 82% para o povo e o remanescente para as empresas. O investimento em programas sociais dos recursos desta renda nacionalizada representou uma revolução social no país. No horizonte está ainda o projecto da reforma agrária e o referendo para aprovação da nova constituição, consolidando as mudanças em curso. São estas coisas que doem ao imperialismo e aos grandes interesses bolivianos. Daí a urgência golpista e a ferocidade das classes dominantes para salvar a concentração e apropriação capitalistas. Mas a América latina agiganta-se passo a passo, dia após dia. A solidariedade não faltou. Nicarágua, Dominica, Venezuela, Cuba, Brasil, Chile, Paraguai, Equador, Peru, Uruguai, Honduras e Argentina soltaram o grito anti-imperialista, de afirmação de soberania e do projecto progressista de libertação.

            O gigante capitalista vai caindo. Este modelo capitalista ruiu. O capitalismo é fonte de mais e maiores assimetrias sociais, nascente de miséria, de fome e não fez a humanidade feliz. E mesmo assim, repleto de ganância e egoísmo, cai redondo. Bush viu-se obrigado a "nacionalizar" a "AIG". Bush agora quer comprar por 700 mil milhões de dólares, cerca de 480 mil milhões de euros, as dívidas das grandes entidades financeiras, para as salvar da falência. Pretende utilizar os recursos públicos para cobrir as escandalosas perdas financeiras a que a especulação desenfreada conduziu o sistema. Quer salvar um sistema putrefacto e torpe com o dinheiro público dos contribuintes. Em palavras directas, quer retirar ainda mais aos pobres para dar aos ricos. Onde está então o famoso e tão propalado mercado que comanda a economia? É a derrocada completa e o desastre capitalista.

            Mas a sul temos a América Latina que se engrandece, que conquista. Que encurta o terreno entre ricos e pobres e assim, como refere o poeta, «… quando nos julgarem bem seguros/cercados de bastões e fortalezas/hão-de ruir em estrondo os altos muros/e chegará o dia das surpresas.»

                                                Atanagildo Lobo       

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Ano 2008

Cinco mulheres atropeladas, duas em estado grave

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 Dois feridos graves e três ligeiros é o balanço de um acidente de viação, esta segunda-feira, junto à empresa Ricon, em Ribeirão. O condutor do veículo terá ligado ao sogro a pedir auxílio, abandonando depois o local do sinistro, visivelmente transtornado. As mulheres já não correm risco de vida.

 José Marcelino nem queria acreditar no que viu quando regressou de uma tarde de pescaria. “Quando me aproximei do meu carro, que tinha ficado estacionado no sentido Ribeirão/EN14, vi que estava virado em sentido contrário e só quando cheguei perto da viatura me apercebi do que tinha acontecido. Tinha o carro com a parte lateral esquerda completamente desfeita”, adiantou ao NT, José Marcelino ainda mal refeito do susto.

O proprietário do Opel Vectra ainda estava incrédulo com os contornos deste acidente. “Ouvi sirenes enquanto estava a pescar mas como tinha o meu carro bem estacionado nunca pensei que a minha viatura estivesse envolvida”, adiantou.

O palco do acidente foi a Avenida da Indústria, perto da empresa têxtil Ricon, envolvendo três viaturas ligeiras e, segundo o NT conseguiu apurar, resultou de “uma colisão lateral entre dois ligeiros seguida de despiste e atropelamento de cinco peões”, adiantou fonte da Brigada de Trânsito de Braga, que esteve no local.

Alegadamente, as duas viaturas seguiam no mesmo sentido: “Uma das viaturas ia estacionar e a outra tocou-lhe, despistou-se e atropelou as pessoas que iam na berma, batendo ainda numa terceira viatura que estava estacionada. De acordo com a Brigada, trata-se de uma zona sem passeio, mas os peões “circulavam do lado correcto da estrada, com o trânsito de frente”. Os veículos seguiam no sentido poente-nascente, em direcção à EN14.

O acidente terá acontecido às 12.50 horas quando as vítimas, com idades entre os 30 e os 45 anos, regressavam ao trabalho após a hora de almoço. Segundo o NT conseguiu apurar, duas das mulheres são residentes na Trofa e as outras três serão de Ribeirão.

As vítimas foram transportadas para o Hospital S. Marcos em Braga e para o Centro Hospitalar do Médio Ave, unidade de Famalicão.

A mulher de 34 anos de idade, residente na cidade da Trofa, está estável e internada em Braga e segundo um familiar contactado pelo NT, “sofreu fracturas nas duas pernas, num braço e na bacia, apresentando ainda costelas partidas com perfuração dos pulmões, mas não corre riscos de vida”, adiantou. A vítima esteve consciente e contou aos familiares como tudo aconteceu: “Estava a chover, o veículo seguia em direcção à EN 14, estava a ultrapassar um outro que se encontrava parado, acabando por embater no veículo, abalroando ainda uma segunda viatura, e acabou por colher as cinco funcionárias da Ricon”.

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Outra das vítimas, que se encontra internada no Hospital de S. Marcos, apresenta lesões na coluna.

O condutor do veículo, que ficou “transtornado com o acidente”, abandonou o local “com medo que lhe batessem”, segundo confirmou a esposa, garantindo que ele ia entregar-se às autoridades.

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Ano 2008

Campeonato nacional é objectivo a alcançar

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Juniores do Trofense lideram campeonato

 Todas as equipas dos diferentes escalões do Clube Desportivo Trofense aceitaram o desafio de atingir os nacionais e os resultados começam a aparecer. Actualmente todas ocupam os primeiros três lugares do campeonato, e em posição privilegiada surgem os juniores, que lideram a 1ª divisão distrital.

 O frio que se sente no Complexo de Paradela nesta altura do ano não é obstáculo para os jovens que integram os escalões do Clube Desportivo Trofense. O sonho de um dia chegar ao patamar mais alto do futebol faz com que os poucos graus centígrados sejam esquecidos e a bola torna-se no único acessório de valor para os pequenos craques em altura de treinos e jogos.

Com a nova direcção liderada por Rui Silva, o departamento de futebol do Trofense modificou estratégias e delineou novas metas, numa clara aposta na formação para conferir ao clube expressividade na captação de jovens talentos. Todas as equipas dos diferentes escalões aceitaram o desafio de atingir os nacionais e os resultados começam a aparecer. Actualmente todas ocupam os primeiros três lugares do campeonato, e em posição privilegiada surgem os juniores, que lideram a 1ª divisão distrital, com quatro pontos de avanço sobre o segundo classificado, Paços de Ferreira. Todos alimentam o sonho de qualquer jovem no seu lugar: serem chamados para integrar o plantel sénior da equipa.

Jorge Gonçalves é o treinador da equipa há três anos. Já tinha integrado o departamento de formação noutra altura e depois de um período em que experimentou outros clubes decidiu “aceitar o convite do coordenador Jorge Maia” para abraçar um projecto de quatro anos, que está “a correr conforme o planeado”, afirmou em entrevista exclusiva ao NT/TrofaTv.

Os dois primeiros anos serviram para “criar condições para tornar a equipa competitiva”, no sentido de atingir a subida aos nacionais. “Esse é o patamar onde os jogadores poderão evoluir melhor”, referiu.

O projecto não abrangeu apenas o escalão júnior e os resultados de um trabalho “árduo” começam a notar-se: “Neste momento, nas camadas jovens, os juniores estão em primeiro lugar, os juvenis estão em terceiro lugar a um ponto do segundo, os iniciados estão em segundo lugar e os infantis ocupam o terceiro lugar”.

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Actualmente a ocupar, confortavelmente a liderança, os jogadores desfrutam do sucesso “confiantes no seu valor”. No entanto, há necessidade de “equilibrar as mentalidades para que eles não se deslumbrem”, adiantou Jorge Gonçalves que reforçou o facto dos feitos de hoje “serem fruto de um trabalho de três anos”.

O técnico considera que os resultados positivos são fruto da sintonia entre o departamento de formação e a direcção do clube e sabe que Tulipa, treinador da equipa sénior, está atento ao trabalho desenvolvido pelos juniores. “Existe uma grande comunicação entre o departamento e a equipa técnica profissional. Sei que (Tulipa) já veio ver um ou dois jogos da equipa e alguns juniores têm ido treinar com os seniores com alguma regularidade. Integraram, aliás, o jogo da Liga Intercalar e fizeram uma boa figura, com um excelente desempenho”, acrescentou.

O treinador acredita nas capacidades dos jovens para poderem fazer parte do plantel sénior, mas não esquece que “existem muitos outros factores, como estar no sítio certo no momento certo, a posição do jogador ou se o treinador estiver mais necessitado e também há o aspecto da coragem para o fazer”.

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