Foram muitos os portugueses, mais de 300.000, que saíram à rua para protestar. Eram jovens e menos jovens; homens e mulheres; desempregados, pensionistas e reformados; empregados e empregadores; republicanos e monárquicos; ambientalistas, nacionalistas, conservadores, liberais, socialistas, comunistas, extremistas e anarquistas; amas, amigos dos animais e artistas de diversas áreas, desde o teatro à canção e até da política. Com esses largos milhares de manifestantes estiveram provavelmente muitos mais que tiveram de ficar, por diversos motivos, na sua “Farmville”. Mas com certeza, solidários.

Embora tão diversificados, os manifestantes tinham um objectivo comum: protestar contra as políticas implementadas ao longo dos tempos, que fizeram com que os jovens tenham um “presente envenenado” e um “futuro hipotecado”.

Foram manifestações localizadas em diversas cidades do país, cheias de cor e de som, ordeiras e pacíficas, onde os partidos políticos, que aderiram à causa, integraram o protesto com alguma parcimónia e discrição.

Sensatez, sobriedade e humildade foi o que faltou àquela “coisa viscosa e pirosa” denominada “Homens da Luta” que se colocaram em cima dum veículo e ao longo de todo o percurso fizerem publicidade ao seu “produto”. Foi um oportunismo deplorável. Principalmente quando os três elementos, que deram a cara pela “Geração à rasca”, estavam no final do dia a ler o seu ”Manifesto”, no Rossio em Lisboa, lá estava “Jel” a pouco mais de 50 metros a vociferar ao megafone, ao mesmo tempo e por cima do discurso dos outros, e a retirar o “palco” a quem o merecia. Deveriam ter integrado a manifestação com discrição. Não o fizeram e com isso só demonstraram a sua “sede” de protagonismo. O seu “palco” não deveria ter sido aquele. Enganaram-se e ludibriaram a organização.

O dia 12 de Março de 2011, também vai ficar marcado na história política do nosso país pela forma como foi convocada a manifestação, através do Facebook, pela “frescura” e pela irreverência na forma do protesto. E tão solidária. Foi uma autêntica “pedrada no charco” a exigir a mudança que o país precisa.

 

Agora, espera-se e deseja-se que todos tenham tirado as suas ilações, a começar pela classe política, que ao longo dos tempos tem implementado políticas “pívias”, que têm criado desemprego ou quando cria postos de trabalho são efémeros, com “prazos iogurte”.

Mas, será que os políticos, que pensam que ascenderam a um estádio que os desiguala do resto dos mortais, aprenderam alguma coisa com a manifestação da “Geração à rasca”? Ou vai ficar tudo igual? Se os políticos não forem capazes de perceber que têm de ser diferentes para melhor, para este país ter futuro, não poderão continuar a ser poder. Não o merecem!

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

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