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Edição 410

Duas raposas apanhadas na batida

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Duas raposas apanhadas, muitas em fuga. Este foi o resultado da batida promovida pelo Clube de Caçadores da Trofa, na manhã de domingo, na freguesia de Covelas. A chuva foi um obstáculo difícil de ultrapassar aos cerca de 60 caçadores que participaram na iniciativa. “Se não tivesse chovido penso que tínhamos conseguido o objetivo”, afirmou o presidente da coletividade, José Silva.

Segundo o responsável da associação, as famílias de Covelas “estão solidárias” com as batidas às raposas, já que estes animais “têm sido abundantes na zona” e “têm provocado vários prejuízos” nos galinheiros. “É necessário fazer uma correção no número de animais desta espécie”, sublinhou José Silva.

Mesmo com a chuva, o presidente do Clube de Caçadores da Trofa fez num balanço positivo da atividade, que juntou vários sócios para um convívio salutar. 

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Espetáculo musical para angariar verbas

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O Grupo de Jovens Paroquial da Trofa está a promover o espetáculo musical “Rei Leão”, levado à cena pela ACRESCI, no dia 23 de fevereiro. Verbas angariadas revertem a favor da peregrinação dos jovens ao Vaticano, Roma.

 Simba, filho do Rei Leão Mufasa e da rainha Sarabi, é um pequeno leãozinho que, depois de receber a bênção pelo sábio babuíno Rafiki, cai numa armadilha do seu tio Scar, que apenas se quer livrar do sobrinho para assumir o trono. Com a morte do seu pai, Simba é acusado injustamente e acaba por exilar-se das Terras do Reino, encontrando abrigo junto de outros dois excluídos da sociedade: o javali Pumba e o suricata Timon, que lhe ensinam a filosofia do “Hakuna Matata”, ou seja, viver sem preocupações. Alguns anos depois, Simba é descoberto por Nala, sua amiga de infância, vendo-se obrigado a tomar uma decisão: ou assume as suas responsabilidades como rei ou continua a viver o seu estilo de vida despreocupado.

O espetáculo musical “Rei Leão”, um dos maiores sucessos da Disney, vai estar em cena, pelas 21.30 horas do dia 23 de fevereiro, no salão polivalente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Trofa, onde vai ser apresentado pela ACRESCI – Associação Cultural Recreativa e Social de Cidai.

Esta peça está a ser organizada pelo Grupo de Jovens Paroquial da Trofa, com o objetivo de “angariar fundos” para a peregrinação a Roma, mais concretamente ao Vaticano. O custo do bilhete é de cinco euros e, entre outros locais, pode ser adquirido no Cartório Paroquial e na ACRESCI.

As expectativas de Nuno Duque, responsável pelo Grupo de Jovens Paroquial da Trofa, é “encher o salão polivalente”, que tem uma capacidade que “ronda as 500 pessoas”.

Como este é o Ano da Fé, o Grupo de Jovens achou que deveria “peregrinar a um lugar de fé”. E, sendo Roma um “lugar de fé por excelência”, avançou-se com a ideia. Para “apoiar” esta ideia, o Grupo de Jovens tem organizado várias atividades, como a “venda de doces” e a “recolha do cartão”. Também já está a ser pensada “uma encenação do Sermão de Santo António aos peixes, do padre António Vieira, e uma peregrinação a Santiago de Compostela”.

Para Nuno Duque, esta é também uma forma de “manter o dinamismo” nos jovens, para que mais tarde, também eles possam “dar alguma coisa deles à comunidade”. “Uma das falhas que a nossa paróquia tinha era a nível de grupo de jovens que era inexistente. Há três anos começamos com o projeto, depois do Crisma, onde pegamos nestes jovens, para que não desaparecessem dos movimentos da comunidade paroquial”, afirmou, salientando que os jovens são “uma mais-valia para a paróquia”.

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Com os cerca de “cem jovens” que todos os anos terminam o Crisma, os responsáveis pelo Grupo de Jovens continuam “uma caminhada de integração na comunidade”, onde são “muito importantes”, pois esta “precisa mesmo deles para continuar uma comunidade viva”. Durante estes três anos de existência, têm sido feitas atividades e “aprofundamento de fé”, que Nuno Duque considerou que estão a ser “bem-sucedidos”, tendo neste momento “dois grupos de jovens já muito sólido”.

Um dos projetos desenvolvidos é o SOS Sós, onde, mensalmente, os jovens fazem acompanhamento de pessoas idosas que vivam sozinhas. Até agora, o projeto “SOS Sós” tem tido um feedback “positivo” e os jovens têm mostrado “interesse” nesta atividade.

Quanto à peregrinação a Roma, que será “mais centrada no Vaticano”, o responsável denotou que servirá para os jovens “conhecerem a realidade e virem de lá de alguma forma tocados”. “Os jovens funcionam mais ou menos por impulsos. Nós vamos tocando e eles vão dando respostas, interiorizando e sentindo cada vez mais”, concluiu.

 

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Guidões queima “Relvas” e diz não à agregação ( C/Video)

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Mesmo com a promulgação da Lei da reforma administrativa, o povo de Guidões não desiste da luta pela não agregação da freguesia. No sábado à noite, condenou o entrudo chamado Relvas à fogueira.

 Numa noite fria, quis o destino que o entrudo tivesse um julgamento ardente, em Guidões. A sentença daquele a que chamaram Relvas, proferida em verso, não podia ter sido mais severa: “O Relvas é o velho,/ o Entrudo sem serventia./ Queremos gente nova e boa/ de outra estirpe e valentia./ O Relvas quis matar a freguesia/ porque é mau, o malandrão,/ mas bateu nesta muralha de guidoenses que resistirão./ Face a este grande malefício/ Prender apenas não bastará./ Assim irá para a fogueira,/ Onde lentamente arderá”.

O povo não perdoou o réu por todos os malefícios cometidos como a reforma administrativa e por isso o desfecho desejado foi manifestado em plenos pulmões, inspirado em Almada Negreiros: “Morra o Relvas, morra. Pim”.

O acusado bem tentou convencer o tribunal do povo, também em verso: “Já tenho licenciatura/ Agora sou um doutor/ Tenho montes de cultura, já sou ministro/ E o um homem de grande valor./ Da RTP me quero abarbatar/ As freguesias pretendo afanar/ Da TAP desejo abotoar/ A água quero gamar/ Aos portugueses aldrabar/ Para deles todos me alapardar/ Embora digam que não/ Sou inocente, pois então/ À fogueira não devo ir parar”.

Mas os argumentos não convenceram e a fogueira foi mesmo o destino do entrudo chamado Relvas. Tradição interrompida por largos anos, a queima do galheiro foi recuperada em Guidões e sustentada pela luta do povo contra a extinção da freguesia.

De uma forma “simbólica”, o entrudo ganhou como nome o apelido do ministro Miguel Relvas, autor da “brilhante ideia da reforma administrativa”, explicou Atanagildo Lobo, membro da Comissão de Luta contra a extinção da freguesia de Guidões. Ao entrudo o povo quis queimar “para ver se lhe tirava todas características malévolas que ele tem e a ver se de alguma forma expurgar todo o mal que ele tem feito”. “O Relvas também simboliza o poder deste Governo que tem feito tão mal não só às freguesias como a todo o povo português. É o responsável pela situação que estamos a viver e pelo agravamento cada vez mais substancial das condições de vida dos mais carenciados”, frisou.

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Como se de uma verdadeira festa se tratasse, na qual não faltaram as farturas e a queimada galega, a queima do galheiro foi um pretexto para mostrar que nem a promulgação da lei da reforma administrativa, na qual consta a agregação de Guidões a Alvarelhos, calará o povo. Atanagildo Lobo afirma que “até ao lavar dos cestos é vindima”, por isso “embora a sua excelência o senhor presidente da República a tenha promulgado, falta a concretização da lei na prática, ou seja, implantá-la”. “Esta queima do entrudo vem no sentido de continuar a alertar à consciência dos guidoenses que ainda não está tudo perdido. Ainda acreditamos que este Governo possa cair, que o Relvas se possa demitir, que alguém se possa enganar, que quando vierem cá não arranjem ninguém para conseguir pôr a lei a funcionar, pois pode haver resistências por parte do poder autárquico, que tem a sua legitimidade no povo e no voto popular”, acrescentou.

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Junta de Freguesia e ex-deputado apoiam população

Quem também acha que a luta não é em vão é Agostinho Lopes, guidoense e ex-deputado comunista na Assembleia da República. O histórico do PCP relembrou a revolução liberal e a reforma administrativa de Mouzinho da Silveira, que “extinguiu vários concelhos por todo o país e passados 250 anos, bastou a liberdade do 25 de Abril para que esses concelhos tornassem a aparecer, como o caso de Vizela”. “Não tenho qualquer dúvida que esta é uma tentativa de mudança política que podem aprovar o que quiserem que a vontade do povo vai ser mais forte e vai acabar por vencer”, sublinhou.

A Junta de Freguesia de Guidões, representada por Manuel Araújo, “vice” de Bernardino Maia – que não esteve presente por estar a recuperar de uma cirurgia – também está do lado do estado de espírito da população. “Os cenários que nos apresentaram são desoladores, contra a nossa vontade, contra os nossos antepassados. Alguém que, por seu livre apetite, esquece toda a ternura que as pessoas têm pelo seu território, merece a revolta daqueles que perdem a sua estrutura. Não merecem aquilo que temos para dar quando precisarem de nós. Deixamos uma palavra de apoio a todos os guidoenses, para que nunca se esquecerem da sua terra e para dizerem aos mais novos que Guidões tem uma história digna de ser contada”, referiu.

 

Comissão de Luta não vai parar de reivindicar

A queima do galheiro não significa o fim da luta dos guidoenses. Atanagildo Lobo afirma que “esta não foi uma iniciativa saudosista do passado, mas aproveitando as tradições para projetar a luta no futuro”. “Mesmo na eventualidade de conseguirem impor esta chamada União de Freguesias, continuaremos a lutar para voltar atrás. Assim como se consegue a agregação, também se consegue a desagregação”, sublinhou.

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A iniciativa que atraiu centenas de pessoas contou com a interpretação do hino da freguesia, composto entre 1956 e 1957, por Augusto Lobo e Aníbal Pinto. Os antepassados guidoenses também não foram esquecidos numa homenagem simbólica. E para fazer a luta chegar mais longe, foi lançado um balão que iluminou o céu de Guidões.

Para dar eco à manifestação, a Comissão de Luta distribuiu bandeiras com o brasão de Guidões e muitas delas estão agora nas janelas e varandas das casas um pouco por toda a freguesia.

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