O flagelo das drogas é um problema à escala planetária, atinge todas as camadas sociais e envolve tanto dinheiro, que chega a ser dominante na economia de muitos países. Ninguém está livre de, em qualquer momento, este flagelo lhe entrar abruptamente em casa, sem bater à porta, trazendo a infelicidade à família, a inimizade dos amigos, a desconfiança dos vizinhos, uma «guerra surda» contra a sociedade, transformando a vida das pessoas num calvário. Infelizmente é isto que se passa em muitos lares!
Diga-se em abono da verdade, que a história das drogas é uma história inserida dentro da história da humanidade, mas também em abono da verdade deve-se dizer que nunca, como hoje, o uso das drogas atingiu um estado tal de flagelo social, como aquele que se verifica na nossa sociedade. Esta questão é muito complexa, mexe com muitos interesses e é preciso que se tenha em mente a transdisciplinaridade que envolve esta matéria.
É verdade que a temática do consumo de drogas é muito complexa e tem originado muitas discussões entre os «abolicionistas» e os «proibicionistas», mas a realidade é que as drogas deixam marcas e destroem pessoas e famílias. Esta é uma verdade insofismável, mas deve-se discutir o assunto de mente aberta e não se ficar na cegueira ideológica sobre as drogas, sejam leves ou duras. Existe uma certeza inabalável, que assola e tem feito sofrer silenciosamente muito boa gente, que é a dureza das drogas leves que se tornam pesadas.
A entrada neste submundo, surge através da curiosidade ou do desespero, mas também na ignorância e na influência, que causam danos bem pesadas, no bolso das pessoas e nos corações despedaçados. Uma informação bem recente dos serviços nacionais de saúde, que estão envolvidos na «desintoxicação» dos usuais neste tipo de substâncias, alertou para o aumento do número de portugueses que se inscreveram, e que se querem ver livres das ditas drogas leves. São cada vez mais!
Afinal, contrariando as afirmações dos «abolicionistas», as drogas leves também se tornam bem pesadas, para quem pensar encontrar, por esta via, uma solução, para modificar a realidade da sua vida, que por vezes está sem luz e tão triste, mas a transforma num flagelo bem mais negro e dependente. Ou não será assim? Que respondam os muitos inscritos nos centros de desintoxicação, espalhados pelo país e que desejam abandonar aquilo que lhes parecia ser um sonho bom e se transformou num pesadelo, para si e para a sua família mais chegada!
A solução ideal do problema da droga seria um combate à escala mundial, pois nenhum país sozinho conseguirá combater este flagelo, mas enquanto isto não acontecer, não deve ser oportunisticamente aproveitado para campanhas eleitorais, muito menos fazer parte de um programa eleitoral de um qualquer partido político, mas sim deixar que os técnicos das diferentes áreas envolvidas apresentem propostas de solução para este grave problema. A solução parte de equipas técnicas multidisciplinares, e não dos políticos. Depois sim, os políticos que legislem, sem serem pressionados pelo timing das eleições, mas pelas propostas apresentadas!
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