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O Centro de Saúde da Trofa abre diariamente às 8 horas, mas, mais de uma hora antes, já há quem esteja à porta, na esperança de conseguir uma das poucas vagas disponíveis para ser consultado por um médico. Depois da espera, ao frio, mal a porta do centro de saúde abre, as vagas ficam logo preenchidas. Os utentes estão descontentes com esta situação e reclamam.
O NT contactou Ana Tato, diretora executiva do Agrupamento de Centros de Saúde (ACeS) Santo Tirso/Trofa, que confirmou que “neste momento, acima de tudo, tem falta de médicos e de condições”, enumerando que o Centro de Saúde da Trofa “tem falta de dois médicos e de dois administrativos”. “Estou já em processo de negociação com a ARS (Associação Regional de Saúde) Norte e estou convencida que dentro de um mês as coisas já vão ficar mais serenas. Acontece que o número de vagas é muito pequeno e como há pessoas sem médico de família cria um desiquilíbrio de maior procura para a mesma oferta”, afirmou, garantindo que já conversou com “o coordenador” no sentido de o Centro de Saúde “ser alvo de uma organização que permita dar maior nível de resposta, apesar da ausência de dois médicos”.
Esta é uma realidade de “há cinco meses”. Ana Tato recorda que o piso menos um do centro de saúde da Trofa foi alvo de “obras” para “alocar mais médicos”, que “vieram de outras unidades para reforçar a equipa de Isabel Varino e de Ana Sofia”. “O atestado” de um colega “por doença prolongada e a saída de outra colega fez com que um serviço que estava minimamente organizado” sofresse alteração. “Até temos mais médicos só que com o adoecer de uma colega e com a reforma da outra, passamos de seis médicos para quatro e isto criou esta lacuna. Esperámos que, em abril, com o novo concurso, possa haver algum médico para o Centro da Trofa”, mencionou.
Apesar da falta de médicos, a diretora executiva denotou que a ACeS “não tem a possibilidade de contratar mais nenhum médico”, podendo, “desde janeiro, fazer o pedido das 40 horas semanais para os médicos que têm 35”. “Ao fim de 120 dias os colegas passam ao regime de 40 horas e já fazem listas de utentes de 1900 utentes e isto vai diminuir o número de utentes sem médico”, explanou.
Além disso, o ACeS aguarda que seja publicada no Diário da República uma lei anunciada pelo “senhor ministro”, que prevê a “possibilidade de contratar médicos, que já estão na reforma, com horário de 20 horas semanais”. “Tenho um colega interessado a ingressar na Trofa nessas condições. O senhor ministro já o disse há cerca de 15 dias, só que a lei ainda não saiu. Eu gostaria muito de fazer o contrato com o nosso colega para termos mais médicos na Trofa”, assegura.

Novo Centro de Saúde pronto dentro de “dois anos”
Para Ana Tato, o novo centro de saúde, que está previsto que seja construído em Santiago de Bougado vai combater os problemas que têm existido no atual edifício. “As instalações não têm, neste momento, as condições mínimas nem para quem trabalha nem para os utentes. Em termos de números, temos os enfermeiros necessários, agora o que não temos é um local condigno para organizar o trabalho. Quando a unidade de saúde familiar e esta unidade, já com os outros restantes elementos profissionais, passarem para o edifício novo cria-se logo à partida uma estrutura física e organizacional que é mais propícia a dar confiança aos nossos utentes de ter o seu médico e as suas consultas programadas e isso vai melhorar bastante”, garantiu.
A diretora executiva da ACeS contou que “não há uma data prevista” para o novo centro de saúde e que são necessários “seis meses” para o concurso internacional”. Ana Tato relembrou que a autorização para a construção da nova extensão foi dada “pelo secretário de Estado, em novembro”. “Ao fim desses seis meses será conhecida a empresa que irá construir e depois teremos um ano e meio se tudo correr bem. Como o orçamento já está pensado e autorizado, se Deus quiser, vai correr tudo muito bem e por isso espero que no prazo de dois anos tenhamos o edifício pronto”, concluiu.
Contactada, a ARS Norte não emitiu qualquer esclarecimento até à hora de fecho de edição.