Através de um despacho, assinado no dia 6 de maio, Nuno Crato, ministro da Educação, informou que “14 escolas” iriam ver as obras retomadas, sendo uma delas a Secundária da Trofa. Contudo, o diretor do Agrupamento de Escolas da Trofa ainda não foi informado “oficialmente”.

“A informação que temos da Parque Escolar é que as obras vão iniciar com o termino do ano letivo e vão decorrer durante um ano”. Foi desta forma que Sérgio Humberto, presidente da Câmara Municipal da Trofa, relatou o reinício da empreitada de requalificação da Escola Secundária da Trofa, depois de ter sido questionado por Joaquim Azevedo, no período de intervenção do público da última reunião de Câmara, sobre quando seria restabelecido os dois sentidos na Rua Heliodoro Salgado, situada nas traseiras do estabelecimento de ensino.

O autarca denotou que “não estava em mente fazer esse tipo de alterações”, uma vez que “a intervenção vai ser nos dois polos”, ou seja, tanto nas traseiras como na frente da escola. Além disso, Sérgio Humberto contou que é sua pretensão envolver a empresa “na requalificação da frente da escola, que não estava projetada pela Parque Escolar”.

O edil avançou que sabe que a direção do Agrupamento de Escolas da Trofa fez “anteriormente contactos para alugar instalações desportivas” e que “anda a negociar com o Aquaplace e o Centro Recreativo de Bougado (CRB)”.

Contactado, Paulino Macedo, diretor do Agrupamento de Escolas da Trofa, declarou que “a única informação” que tem é a que foi avançada pela comunicação social, confirmando que “não” tinha ainda recebido qualquer ofício oficial do reinício das obras. “A informação mais oficial é a que saiu no Jornal Notícias através do senhor Ministro, do que aquela que eu tinha há dois meses que perspetivava o reinício das obras, através de telefonema”, adiantou. (?)

Contudo, a confirmar-se esta informação, o diretor salientou que é “bastante mais satisfatória”, uma vez que “há uma perspetiva de que o trabalho que está a fazer (?) terá como resultado o reinício das obras”. “Mas, oficialmente, ainda nenhuma instituição nos disse quando, como e em que condições é que vamos reiniciar as obras”, relembrou.

Em conversa com a empresa responsável pela obra, esta declarou a Paulino Macedo que “ainda não sabia quando iria recomeçar” as obras, mas que “estava em condições para as retomar”. O diretor antevê que o próximo ano letivo seja de “alguma confusão”, mas que depois a Escola passará a ter “melhores condições”. “Vai, de alguma forma, colmatar algumas deficiências que nós, neste momento, temos em utilização diária das instalações. Os taipais provocam constrangimentos, a diferença de salas de contentores, velhas e menos apropriadas provocam constrangimentos”, enumerou.

O diretor do Agrupamento confirmou ainda os contactos para a utilização de instalações desportivas, mas na “perspetiva de começar e sem ser vinculativa ou definitiva”, procurando “as soluções para as aulas de educação física”, caso se confirmasse o reinício das obras. “Fizemos um inventário das possibilidades e das várias instituições possíveis e, hipoteticamente, utilizáveis no próximo ano letivo colocamos o Aquaplace e o CRB, mas há outras instituições que fazem parte e que ainda não abordamos, como por exemplo a EB 2/3 Professor Napoleão Sousa Marques”, avançou, referindo que “o inventário foi pedido pela Parque Escolar”.

PS Trofa lamenta estratégias eleitorais

Em comunicado enviado aos órgãos de comunicação social, o presidente da Comissão Política Concelhia do PS Trofa, Marco Ferreira, declarou que esta decisão “confirma que o único mérito deste Governo é emendar, ou pelo menos tentar, os seus próprios erros”, relembrando que “foi este Governo que, em 2011, suspendeu as obras de requalificação da Escola Secundária da Trofa, vincando uma posição ideológica de desvalorização da escola pública e prejudicando uma geração de jovens trofenses que se viu forçada a realizar todo o percurso no ensino secundário em contentores”. “A decisão agora anunciada pelo ministro Nuno Crato não poderá de forma alguma compensar os danos e as perdas causadas a estes alunos e, consequentemente, ao concelho da Trofa. Foi com o Partido Socialista no Governo de Portugal e na Câmara Municipal da Trofa que se deu início à requalificação da Escola Secundária da Trofa, numa clara política de valorização da educação e desenvolvimento local”, acrescentou.

Marco Ferreira evidenciou que “desde que o atual Governo decidiu suspender as obras de requalificação, o PS da Trofa alertou para os perigos de tal decisão, lutando ininterruptamente pelo recomeço das mesmas em várias iniciativas de cariz local, regional e nacional, através dos seus autarcas e deputados, trazendo esta questão para o debate público e criando um embaraço para o Governo”. “O PS da Trofa lamenta que os interesses do país estejam à mercê de estratégias eleitorais que nada dignificam a democracia e que esta decisão do Governo tenha chegado tão tarde após o erro inicial”, concluiu.