A dimensão da estrutura urbana é estudada por vários autores ao longo dos tempos e faz a ligação entre qualidade da vida urbana e custos / benefícios da dimensão urbana.

 Já Platão defendia que uma boa cidade deveria ter a população de 5 040 cidadãos, e Aristóteles referia que "dez pessoas não constituem uma cidade, que com cem mil pessoas já deixa de ser cidade".

A partir dos anos 60 acreditou-se que em oposição às metrópoles a dimensão das cidades médias seria a ideal, e o número de habitantes estaria entre os 50 e 500 mil habitantes.

Contudo a dimensão das cidades é condicionada por inúmeros factores, entre os quais: efeitos sobre as relações sociais, produtividade económica, possibilidade de controlo politico e social, qualidade do ambiente e problemas de poluição, tempos de deslocação entre muitos outros.

Um dos factores mais relevantes para a definição de uma dimensão para a cidade é a existência de congestionamentos de tráfego, que aumentam à medida que aumenta a dimensão da cidade.

Na perspectiva económica, surgem argumentos que indicam que nas cidades de maior dimensão, os rendimentos e a produtividade são maiores, mas contudo esta ideia é também contestada.

O que não gera grande contestação é a ideia que muitos defendem de que os problemas ambientais, nomeadamente a poluição se torna insustentável nas grandes cidades.

Em relação às questões sociais, encontramos prós e contras: as cidades de maiores dimensões acabam definitivamente com as relações de vizinhança, o cidadão torna-se cada vez mais sozinho e "desconhecido", mas em contrapartida tem uma maior quantidade e diversidade de produtos, serviços, uma imensidão de ofertas e de oportunidades de escolha.

O que de facto mais consenso parece recolher é que não se consegue definir uma dimensão ideal para as cidades, mas acredita-se que a as denominadas cidades medias serão as mais vantajosas para os seus cidadãos e para todos os actores intervenientes na definição de politicas urbanas e na sua organização.

De uma forma geral uma cidade é uma área urbanizada, com historia, com determinado número de habitantes e determinada densidade populacional e numa vertente mais técnica é uma entidade politico – administrativa organizada.

Em Portugal as primeiras cidades correspondiam apenas às sedes de dioceses mas com o decorrer do tempo outras vilas foram promovidas a cidades, de acordo com critérios estratégicos, demográficos e económicos.

Até 1974 existiam em Portugal 43 cidades, contudo após o 25 de Abril, e a entrada de nova legislação em vigor e o número de cidades passa para 150.

O estatuto de cidade está contemplado na lei, salvaguardando "importantes razões de natureza histórica, cultural e arquitectónica", apenas são consideradas cidades os aglomerados que obedeçam aos seguintes requisitos, como o número mínimo de eleitores e a existência de vários serviços públicos, na área da saúde, educação e terciário.

A dimensão das cidades é sem duvida uma questão muito interessante que tem cada vez maior pertinência dado o facto de quase metade da população mundial estar concentrada nas áreas urbanas.

O enorme desafio para a prática de planeamento consiste em perceber todos os problemas que podem surgir e tentar definir politicas de ordenamento que cidadãos.

A sua dimensão condicionará sem duvida a politica a adoptar pois é necessário ter uma visão mais ampla e integrada da cidade para planear sobre ela.

O segredo estará em tentar encontrar um equilíbrio para a dimensão da cidade de modo a potencializar recursos e tirar o máximo partido deles, em benefício da vida urbana e dos seus habitantes.

 

Teresa Fernandes