Existe no nosso país, e alastra-se com mais veemência a nível local, uma grave crise de confiança no sistema político, na política, nos políticos e nos organismos e instituições políticas.

     É cada vez maior, a necessidade de uma aproximação dos eleitos aos eleitores, mas para isso é preciso que haja melhores condições de visibilidade e transparência de todos os actos públicos, principalmente daqueles que têm como missão gerir um partido político.

     Poderá, a democracia não ser uma sistema perfeito, e não o é, mas é importante e decisivo que a confiança na democracia aumente, porque a alternativa à democracia é a ditadura que bem se conhece e não se quer voltar a  ela, mas para isso é preciso conquistar todos os cidadãos para a democracia, a começar sobretudo nos mais jovens. A responsabilidade cívica de impor dignidade na política, é de todos os cidadãos que se interessam pelo destino do país, mesmo daqueles que estão retirados da política ou não têm filiação partidária. Ninguém deve ficar indiferente!

     Num estado de direito democrático, deve existir uma separação entre o que é público e o que é privado, entre a lógica do interesse público e a lógica dos interesses particulares. Esta separação está em risco, não só a nível nacional, mas principalmente a nível local em que a promiscuidade é assustadora.

     Quantas pessoas se conhecem que saíram de um partido só porque este não lhe "deu" aquilo que ele esperava e foi para outro partido à espera de receber mais benesses particulares? Os casos são mais que muitos e bem conhecidos.

     É preciso, e urgente, restaurar a confiança dos cidadãos na política e nas instituições. A maioria dos cidadãos reforçou a descrença na política, nos partidos políticos e nas instituições, bem como o seu crescente desapego em relação à participação democrática, em geral, e eleitoral, em particular em muito devido ao quilate de dirigentes que os partidos políticos têm à sua frente. É vergonhoso que existam partidos políticos que são dirigidos por pessoas "vendidas" ao poder e como tal não possam exercer a nobre missão de fazerem oposição.

     As funções de um dirigente de um partido político que esteja na oposição, principalmente a nível local, são mesmo a de fazer uma oposição firme e eficaz ao poder instalado. Mas como o poderá fazer se tem interesses particulares em que espera vir a ser beneficiado? Este tipo de dirigente é um abalo às instituições, pois o seu papel, simultaneamente de dirigente político da oposição e de grande proprietário que espera vir a ser altamente beneficiado por uma qualquer alteração à lei vigente, é o que menos se espera de um sistema político que se quer transparente.

     A dignidade na política, neste caso concreto, faz muito mais sentido e é mais exigível! Os eleitores que votam neste partido, nem sonham o quanto estão a ser ludibriados pois afinal quem manda no seu partido, não é mais, nem menos, do que aquele que no dia-a-dia combatem. Um partido é que manda no outro e não os seus militantes, ou eleitores! Um partido que está no poder é que diz ao outro partido, que deveria ser oposição, o que deve dizer e fazer! E o mais grave, o que não deve dizer, ou fazer!?! Isto é a adulteração da democracia. Isto é uma vergonha! Haja decoro!

     O acto de fazer política, deve ser pautado por uma elevação cívica, por uma forte dedicação à causa pública! A política não é, nem deve ser, um meio de enriquecimento, nem de favorecimento pessoal!

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                 José Maria Moreira da Silva

           moreira.da.silva@sapo.pt