Ano 2007
Dignidade na Politica: Precisa-se!
Existe no nosso país, e alastra-se com mais veemência a nível local, uma grave crise de confiança no sistema político, na política, nos políticos e nos organismos e instituições políticas.
É cada vez maior, a necessidade de uma aproximação dos eleitos aos eleitores, mas para isso é preciso que haja melhores condições de visibilidade e transparência de todos os actos públicos, principalmente daqueles que têm como missão gerir um partido político.
Poderá, a democracia não ser uma sistema perfeito, e não o é, mas é importante e decisivo que a confiança na democracia aumente, porque a alternativa à democracia é a ditadura que bem se conhece e não se quer voltar a 
Num estado de direito democrático, deve existir uma separação entre o que é público e o que é privado, entre a lógica do interesse público e a lógica dos interesses particulares. Esta separação está em risco, não só a nível nacional, mas principalmente a nível local em que a promiscuidade é assustadora.
Quantas pessoas se conhecem que saíram de um partido só porque este não lhe "deu" aquilo que ele esperava e foi para outro partido à espera de receber mais benesses particulares? Os casos são mais que muitos e bem conhecidos.
É preciso, e urgente, restaurar a confiança dos cidadãos na política e nas instituições. A maioria dos cidadãos reforçou a descrença na política, nos partidos políticos e nas instituições, bem como o seu crescente desapego em relação à participação democrática, em geral, e eleitoral, em particular em muito devido ao quilate de dirigentes que os partidos políticos têm à sua frente. É vergonhoso que existam partidos políticos que são dirigidos por pessoas "vendidas" ao poder e como tal não possam exercer a nobre missão de fazerem oposição.
As funções de um dirigente de um partido político que esteja na oposição, principalmente a nível local, são mesmo a de fazer uma oposição firme e eficaz ao poder instalado. Mas como o poderá fazer se tem interesses particulares em que espera vir a ser beneficiado? Este tipo de dirigente é um abalo às instituições, pois o seu papel, simultaneamente de dirigente político da oposição e de grande proprietário que espera vir a ser altamente beneficiado por uma qualquer alteração à lei vigente, é o que menos se espera de um sistema político que se quer transparente.
A dignidade na política, neste caso concreto, faz muito mais sentido e é mais exigível! Os eleitores que votam neste partido, nem sonham o quanto estão a ser ludibriados pois afinal quem manda no seu partido, não é mais, nem menos, do que aquele que no dia-a-dia combatem. Um partido é que manda no outro e não os seus militantes, ou eleitores! Um partido que está no poder é que diz ao outro partido, que deveria ser oposição, o que deve dizer e fazer! E o mais grave, o que não deve dizer, ou fazer!?! Isto é a adulteração da democracia. Isto é uma vergonha! Haja decoro!
O acto de fazer política, deve ser pautado por uma elevação cívica, por uma forte dedicação à causa pública! A política não é, nem deve ser, um meio de enriquecimento, nem de favorecimento pessoal!
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José Maria Moreira da Silva
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