A situação actual em que o país está mergulhado, não augura nada de promissor para a nossa juventude, que se vê confrontada com uma crise, talvez a maior de sempre, em diversas áreas da educação ao emprego, que empurrou os nossos jovens, para um protesto sem precedentes. É já no próximo dia 12 de Março, que a “Geração à rasca”, vai protestar em diversas cidades espalhadas por todo o país.

A situação de profunda incerteza, com que a juventude do nosso país se vê confrontada há tempo demais para ficar “queda e muda”, fez surgir de forma espontânea, nas redes sociais e mais concretamente no Facebook, um movimento de reflexão e de alerta sobre a deterioração das condições de trabalho e da educação em Portugal. Os jovens sentiram que era o momento de protestar e de bradar bem alto a sua insatisfação.

Esse protesto, que a organização diz ser apartidário, laico e pacífico, tem tido uma adesão de milhares de pessoas que já confirmaram a sua participação. Os organizadores advogam a ideia de que este acto cívico pretende reforçar a democracia participativa no país, que é mais que uma necessidade; é uma exigência da cidadania. A cidadania é isto mesmo: direitos e deveres. Os jovens têm o direito, e também o dever de protestarem perante a actual situação a que o país chegou.

Para “desencadear a mudança”, a organização, que reafirma a total independência do protesto face a qualquer estrutura ou movimento de cariz partidário, político ou ideológico, apela aos participantes da concentração do dia 12 de Março que levem uma folha A4 com o motivo da sua presença e uma solução, para depois ser entregue na Assembleia da República. A iniciativa foi inicialmente marcada para a Praça da Batalha, no Porto, e a Avenida da Liberdade, em Lisboa, mas a organização já alastrou este protesto a outras zonas do país.

O carácter inédito deste protesto, para além de ser: apartidário, aberto a todos os partidos e a quem não tem preferência partidária; laico, aberto a todas as religiões e a quem não tem religião; e pacífico, possui o facto inovador de não protestar pela demissão de nenhum político ou governo, querendo até reforçar a democracia participativa e nunca o contrário!

É na educação e no emprego que se centra este protesto. A realidade do desemprego na juventude é muito elevada. Como afirma a organização: “A este número podemos juntar os milhares em situação de precariedade: “quinhentoseuristas” e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, estagiários, bolseiros e trabalhadores-estudantes. É muito “negro” o amanhã de quem tem a responsabilidade de ser o futuro deste país.

É bom apontar como exemplo de responsabilidade destes jovens, que no final do seu manifesto dizem textualmente: “Não negligenciamos os problemas estruturais, domésticos e internacionais, que afectam a vida de muita gente na procura e obtenção de emprego. Queremos alertar para a urgência de repensar estratégias nacionais e não nos resignamos com os argumentos de inevitabilidade desta situação. É com sentido de responsabilidade que afirmamos que, sendo nós a geração mais qualificada de sempre, queremos ser parte da solução”. Que bom que é quererem ser parte da solução e não parte do problema.

E não é esta geração a culpada do estado a que o país chegou mas sim a que deixou hipotecar o futuro dos seus filhos. Os jovens têm um “presente envenenado” e um “futuro hipotecado”. E jovens somos todos, só que uns são jovens há mais tempo. Espera-se, e deseja-se um não aproveitamento oportunístico por parte dos partidos políticos deste protesto genuíno e apartidário.

José Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

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