Museu de Carros Batista Andrade reúne coleção de automóveis antigos deste trofense apaixonado pelas quatro rodas. Filhos continuam a cuidar do legado.

Os pequenos Volkswagen Carocha e o mítico Citroen 2 Cavalos partilham o espaço com verdadeiros ícones do mundo automóvel como um Pontiac Firebird ou um Lancia Lambda, quase considerado a joia da coleção.

Mas existem também alguns carros com história e histórias, como o que, dizem, foi utilizado por António Oliveira Salazar ou o que Miguel Batista ajudou a trazer para casa. Enquanto o pai conduzia, o filho empurrava o carro nas estradas mais inclinadas, pois o motor não aguentava. E foi assim… desde Vila do Conde.

Miguel e Pedro Batista são os conservadores destas verdadeiras joias juntamente com a irmã Camila, cuidam do legado deixado pelo pai, Batista Andrade, que inaugurou em 2003 o Museu, junto à Estrada Nacional 104, em Santiago de Bougado, que conta com 60 carros expostos.

O mais antigo é um Hanomag de 1916 e o mais valioso será um Lancia descapotável. Também o BMW Isetta, cuja porta de entrada é na frente, com o volante incorporado, está representado, assim como um Ford de 1928, “muito usado pela polícia nos Estados Unidos”, com o “banco da sogra” no sítio da mala. Outros exemplares dignos de referência incluem um Lancia Aprilia, cujas portas fecham para o mesmo lado e que dispensa a barra separadora habitual. As viaturas mais compridas tinham entre os bancos da frente e os de trás mais dois pequenos bancos, que poderiam estar fechados e eram conhecidos como sendo os “das crianças”.

“O museu era um sonho do nosso pai, que queria juntar todos os automóveis antigos. O espaço esteve aberto durante dois anos ao sábado e ao domingo, mas acabamos por fechar. Agora, abrimos para quem quiser visitar, continuando a ser de entrada gratuita”, explicaram os filhos.

Os irmãos gostariam de ter o espaço aberto, mas, financeiramente tal “não é possível nesta altura”. Ainda tentaram uma parceria com a autarquia, mas o problema acaba sempre por ser o mesmo: a falta de verbas. A família não quer fazer dos automóveis antigos um negócio e não colocam sequer a hipótese de “vender os carros”, embora considerem algumas “trocas”, se encontrarem alguns exemplares que gostassem de ver na coleção. O único lucro que têm com as relíquias de quatro rodas provém do aluguer que fazem para casamentos ou outras cerimónias.

Batista Andrade começou desde cedo a colecionar os automóveis que agora estão expostos. Quando o primeiro filho nasceu, Batista Andrade comprou um carro. “Costuma dizer-se que nessas alturas se planta uma árvore, ora o meu pai não tinha as árvores, por isso decidiu comprar um automóvel. Entretanto foram nascendo mais irmãos e tomou-lhe o gosto, não por fazer filhos, mas por ter mais carros”, brincou Pedro Batista.

Tudo no museu remete para o mundo automóvel, desde os candeeiros na parede – compostos por pneus e jantes de automóveis – , às taças alinhadas nas prateleiras relembrando provas e bólides de outros tempos, conduzidos também por Batista Andrade.

As paredes foram revestidas com madeira de travessas usadas nas linhas de caminho de ferro e tijolos brancos. O cenário completado por sofás e poltronas de tecido é “acolhedor” e convida à conversa. “O arquiteto do museu foi, de facto, o meu pai”, recorda Miguel Batista.

No museu vai encontrar mais que automóveis, motas, miniaturas, livros e fotos de muitas viaturas… vai encontrar outra paixão do fundador do espaço, esta movida pela fé. Dezenas de imagens de Jesus Cristo enchem a parede e compõem outra coleção de Batista Andrade,

A Trofa é uma terra com gosto pelos automóveis, sobretudo os antigos. O museu Batista Andrade viu também nascer o Clube Trofense de Automóveis Antigos e serviu até de sede nos primeiros meses da associação.

Para visitar o Museu Batista Andrade pode contactar a Câmara Municipal da Trofa, que depois encaminhará o pedido para os responsáveis do espaço. Se preferir pode ainda ligar para a empresa Pastofo, onde também lhe darão as informações necessárias.

Rita Maia

 

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