Desde o início do mês de Novembro os Bombeiros Voluntários da Trofa já foram chamados a intervir numa dezena de incêndios. Só esta terça-feira foram detectados quatro fogos, dois dos quais ocorreram no lugar do Seixinho, em S. Romão do Coronado, às 18h30 e 23h30. Já na manhã de quarta-feira os soldados da paz foram novamente chamados para combater as chamas no mesmo local.

   Foram ainda solicitados para cinco acidentes com transporte, 78 serviços pré-hospitalares, 81, serviços, duas actividades e um conflito legal.

Mais 579 doentes foram transportados nesta semana, que também mobilizou 359 efectivos do corpo de bombeiros.

Mudanças climáticas "ateiam" fogos

A Autoridade Nacional de Protecção Civil, ANPC, divulgou no dia 5 de Novembro, dados preocupantes sobre a ocorrência de incêndios rurais. Os números aumentaram relativamente ao ano passado, consequência das mudanças climáticas.

Nos primeiros quatro dias do mês de Novembro, a ANPC, registou em todo o Continente 1123 incêndios e fogachos, tendo o recorde ocorrido no domingo, dia em que foram contabilizadas 302 ocorrências.

No ano passado, no mesmo mês, segundo os dados fornecidos pela Direcção-Geral de Recursos Florestais à Agência Lusa, ocorreram apenas três incêndios florestais e 65 fogachos, que destruíram, no total, um hectare de floresta e cinco de mato.

No dia 5, foram registados dois fogos de maiores proporções, um no Parque Nacional da Peneda-Gerês, que continuava por circunscrever, 20 horas depois de ter começado. Foi combatido por cerca de 48 bombeiros, ajudados por mais 12 bombeiros e um helicóptero. Este incêndio consumiu parte da área florestal do concelho de Terras de Bouro, no distrito de Braga. Também por apagar estava um outro incêndio, que começou por volta das 13 horas, no concelho de Arcos de Valdevez, para onde foram mobilizados 14 bombeiros e três viaturas.

Contactados pela Lusa, os responsáveis pela APNC, consideraram precoces as conclusões relativas ao elevado aumento das "ignições" e acrescentaram que na sua maioria, os fogos têm início em zonas de pastorícia do Norte do país, onde se utilizam as queimadas de pasto para renovar as pastagens para os anos seguintes.

As condições atmosféricas, são apontadas como principal causa destes números elevados. O tempo demasiado seco e quente para esta época do ano, leva a que um fogo fácil de controlar nas condições habituais de chuva e temperaturas baixas, "escape" ao controlo dos pastores e agricultores que o acendem.

Uma fonte da autoridade acrescentou "não vai chover antes de dia 13 e o Instituto de Meteorologia prevê um Inverno seco".

A investigar as causas dos incêndios, a Polícia Judiciária, não vê situação para alarme, visto que estes incêndios parecem não ser de origem criminosa, mas sim "uma consequência da utilização tradicional do fogo com condições atmosféricas anormalmente adversas", explicou à Lusa o inspector da PJ, Pedro do Carmo, que dirige a Directoria de Coimbra, que coordena a investigação de incêndios florestais.