A inauguração das iluminações, esta quarta-feira, marcou o início das festividade s em honra de S. Roque, na freguesia de Alvarelhos, na Trofa. Mas é sobretudo no sábado, 30 de Agosto, com a actuação de vários grupos de dança e musicais da freguesia e domingo,dia da procissão, que a Comissão de festas, encabeçada pelo pároco José Ramos, espera uma maior afluência de visitantes.

Começaram esta semana as festas em honra de S. Roque em Alvarelhos. As luzes já acenderam e os romeiros com devoção ao Santo começam a chegar à freguesia trofense.

Mas é sobretudo no sábado, 30 de Agosto e domingo, 31, que há uma maior afluência às festividades. “No sábado à noite com a noitada, onde há uma grande afluência de pessoas e depois no domingo ao longo de todo o dia, mas sobretudo na hora da procissão onde se junta muita gente”, explicou José Ramos, pároco da freguesia e membro da Comissão de festas.

Este ano a Comissão de festas optou por convidar grupos da freguesia para animar a romaria, em especial na noite de sábado: como o grupo de Hip Hop Alvadance, o Grupo Coral Juvenil de Alvarelhos, o Grupo Coral Nossa Senhora da Assunção de Alvarelhos e o Grupo Musical Colheita Nova.

Segundo o pároco “esses grupos aqui da freguesia proporcionarão uma óptima noite de espectáculo inesquecível. Muitas vezes vamos buscar grupos sonantes e gastamos muito dinheiro e no fim ficamos frustrados com o espectáculo”, afirmou recordando “que há uns anos atrás fez-se a festa e trouxeram os D’arrasar que fizeram um espectáculo de uma hora e meia e ainda por cima cantaram em playback, que é o mais grave e levaram 1200 contos, e pouca gente tinha a assistir”.

Este ano a Comissão deparou-se com duas dificuldades na organização da festa, essencialmente de ordem económica: “Em Alvarelhos a primeira dificuldade foi a crise, mas depois tivemos outra, não por haver muitas festas, é porque este ano tivemos os cortejos para as obras da igreja, o povo deu bastante dinheiro, rendeu-nos 80 mil euros. A igreja estava num péssimo estado, o telhado estava a desabar, o povo deu nos cortejos bastante dinheiro e por isso é natural que as pessoas tenham dado menos dinheiro para as festas de S. Roque”, explicou José Ramos.

O dia litúrgico em que se festeja o S. Roque é dia 16 de Agosto, contudo as festas começaram esta quarta-feira, com a inauguração das iluminações e só terminam dia 1 de Setembro, ao final do dia, com uma salva de morteiros.

“As festas virão dos primórdios porque havendo capela logo a seguir faz-se a festividade, mas a devoção mantém-se até aos nossos dias”, acrescentou o padre Ramos. Por isso, são esperadas centenas de pessoas “que vêm habitualmente e são muitas. Segundo a memória paroquial, já em 1758 acorria o povo para a festividade de S. Roque”.

Esta é a única festividade em honra de S. Roque no concelho da Trofa e visto que o Santo é patrono das pestes, o pároco conta que “há uma longa tradição de o povo se virar para S. Roque sobretudo em épocas de calamidade e de peste. Aliás a capelinha deve ter nascido como um voto que o povo de Alvarelhos fez ao santo”.

De acordo com os inscritos deixados pelos devotos mais antigos, Ramos acredita que a capela onde se encontra a imagem de S. Roque seja quinhentista. “O cruzeiro tem uma inscrição que diz: Mandou fazer padre Melo em época de peste – por isso sabe-se que o cruzeiro foi mandado fazer quando havia peste, mas a capela é anterior ao cruzeiro”, documentou, argumentando ainda “a capelinha é quinhentista, é anterior a 1601, porque na padieira da porta para a sacristia tem a inscrição: Esta porta mandou fazer alguém, sendo mordomo em 1603 – então se em 1603 há já uma mordomia, uma comissão organizada, então a capela tem de ser anterior, logo tem de ser quinhentista”.

S. Roque, era filho de uma família rica, tendo estudado medicina, por isso dedicava-se a cuidar das pessoas com peste, acabando mais tarde por contrair a doença. “Nessa altura bateu à porta de um senhor rico a pedir ajuda, a que ele respondeu que não, e reza a história que havia um cão da casa desse senhor rico que levava um pão da mesa do dono e dava ao santo, todos os dias”, conta o pároco. Graças ao cão Roque não terá morrido, contudo depois de se ter curado foi preso por ser considerado um espião, acabando por morrer abandonado.