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Ediçáo 728

Despesismo imoral em tempos de pandemia

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Vivemos – é pelo menos esse o meu entendimento – o momento mais delicado e desafiante da história da humanidade, desde o final da 2ª Guerra Mundial. Estamos a braços com uma pandemia galopante, que ceifa diariamente milhares de vidas, que colocou os hospitais de todo o mundo em estado de sítio e que está já a ter um violentíssimo impacto na economia global, com múltiplas ondas de choque que não poupam nem pouparão ninguém, em particular os mais desfavorecidos.

O que aí vem será dramático e empurrará milhões para a pobreza, abrindo caminho ao tumulto social e estendendo ainda mais a passadeira vermelha para o desfile da demagogia neofascista, que se diz defensora do povo, apesar de, no caso Chega, propor o desmantelamento do SNS e da Escola Pública, bem como a redução de impostos para as classes mais altas, em detrimento das mais desfavorecidas, que veriam a sua factura fiscal aumentar, caso o partido de André Ventura fosse poder. É isso que está plasmado no programa apresentado pelo partido às Legislativas do ano passado.

Se o cenário pandémico e pós-pandémico não fosse, por si só, uma enorme ameaça à sobrevivência dos sectores mais carenciados da população portuguesa, colocá-las à mercê da agenda da nova extrema-direita é a receita para o desastre e para a instabilidade social. E poucas coisas empurram tanto as massas para soluções populistas e potencialmente autoritárias como o despesismo injustificado, uma das práticas que alimenta a narrativa de um regime corrupto, feito de partidos e pessoas corruptas, que instrumentalizam a coisa pública em benefício próprio, algo que, infelizmente, em particular no caso do PS e do PSD, não está assim tão longe da realidade.

Vem isto a propósito de um dos mais recentes ajustes directos levados a cabo pelo executivo Sérgio Humberto, que decidiu adquirir 7 smartphones iPhone 11 de 256GB. E não, não é o valor que mais choca. É falta de sensibilidade social de decisores políticos que, durante uma crise sanitária, social e económica, com milhares de pessoas a passar dificuldades, algumas delas aqui, no concelho da Trofa, decidem comprar telemóveis topo de gama com o dinheiro dos impostos daqueles que os pagam nas suas taxas máximas, por decisão deste executivo, que rejeitou o alívio fiscal proposto pelos socialistas trofenses, prática que se verificou, por exemplo, no concelho vizinho de Famalicão, governado pelos mesmos partidos que governam a Trofa.

Tal situação, por si só, é reveladora de uma enorme falta de ética e de respeito pela gestão da coisa pública, pelos elevadíssimos impostos cobrados a todos os trofenses, e, claro, pelos próprios trofenses, que financiam esta vaidade injustificada, logo à partida porque autarca algum precisa de gastar um balúrdio num telefone de luxo para cumprir as suas funções, mais ainda quando a entidade financiadora é um concelho bastante endividado.

Contudo, a situação torna-se particularmente imoral e revoltante durante a era covid, quando inúmeros munícipes de Sérgio Humberto, que com os seus impostos lhe pagaram a conta dos gadgets topo de gama, não sabem como pagar a conta da luz e da água no próximo mês, porque ficaram sem emprego, viram o seu negócio fechar ou perderam abruptamente a sua fonte de rendimento, tendo agora que fazer apertadas contas à vida para chegar ao fim do próximo mês.

Foi este o contexto que Sérgio Humberto escolheu para apetrechar a elite política trofense de smartphones de luxo. Telemóveis cujo valor seria suficiente para pagar três ou quatro anos de contas da água a muitos trofenses que se encontram agora em situação aflitiva. E o pior é que já nada disto surpreende.

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Ediçáo 728

Je suis Anjinho

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Bem cedo, antes das oito da manhã, saio de casa. Destino? O costumeiro de segunda a sexta, o local de trabalho. Antes disso alguns procedimentos e reacções habituais sucedem-se, começando pelo tocar do despertador, de seguida odeio-o durante breves segundos, mas sem nunca me passar pela cabeça “desfazê-lo” pelo facto de não me agradar, levanto-me e tomo o pequeno almoço. Até aqui, tudo dentro da legalidade, até ao momento em que saio de casa… continuo com o velho hábito conservador de trancar a porta e manter a minha casa protegida!

Como ando “desalinhado” da corrente imposta do “Tens Mais de Dezoito Anos Mas Tens Que Continuar a Acreditar no Pai Natal”, estou identificado pela PPC (Polícia do Politicamente Correcto), como prevaricador e tenho um agente à porta de casa a vigiar-me, como se deviam vigiar terroristas, a obrigar-me a cumprir a lei…ou seja, deixar a porta aberta, com consequências severas, mas só para mim, cidadão comum!

Ao final da tarde, regresso a casa. Estaciono, saio do carro e o agente da PPC olha-me como se olha para um malandro. Para não deixar dúvidas, levanto o braço onde tenho um saco com algumas compras e, a medo, digo-lhe, “Paguei tudo!”. A única coisa boa de sair de casa e deixar a porta aberta é que quando chego não tenho trabalho a abri-la…nem os outros.

Entro e pouso as compras na cozinha. Vou para a sala e encontro um grupo, homem, mulher e crianças, todos morenos e feições bem diferentes das minhas. Mas o “à vontade” do grupo era tão grande, numa casa que não era a deles, que pensei que era a família do meu primo José Alberto, que ficam todos muito morenos no Verão. Perspicaz como sempre sou, para tirar dúvidas, disse – Ó José Alberto, tira os pés de cima do sofá!
Perante a falta de resposta, noutro golpe de perspicácia, pensei, “Este não é o meu primo. E aquela mulher e as meninas, com lenço na cabeça, não são a mulher e as filhas!”

Nos tempos em que trancava a porta de casa, só lá entrava quem eu convidava, tendo eu o dever de ser hospitaleiro e o convidado tinha que respeitar três regras básicas – não alterar a decoração da casa, não parti-la e respeitar quem lá vive…de resto, toda a diversidade era bem-vinda.

Ainda com alguns resquícios desses tempos, em que o meu sobrinho dentro de minha casa tirava o chapéu, pedi à senhora e ás meninas que tirassem o lenço. Gritaram coisas que não percebia e o homem atirou-me um bibelot, muito bonito, que tinha comprado no dia anterior, que só não me acertou na cabeça, graças à minha boa esquiva.

Saí de casa e contei o sucedido ao agente da PPC, que me respondeu – Claro, você insultou-o! Merecia era levar com uma pedra no meio da testa. A sua sorte é que são boa gente!

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Regressei para dentro e com o passar do tempo sentia-me cada vez mais um estranho em minha casa. Os meus amigos deixaram de aparecer, primeiro aqueles que gostavam de falar livremente e com o tempo, todos os outros, não aguentando a aplicação da sharia (em minha casa) impondo comportamentos medievais e o tratamento subalterno dado às mulheres da família lá instalada. Queimaram os meus livros, partiram a televisão e o meu rádio, coisas do diabo! Agora, em casa, passo o tempo a observá-los…é a vida!

A mulher deu novamente à luz…um rapaz, a alegria suprema do pai, já que as filhas eram peças acessórias usadas apenas para o servir! O agente da PPC, apressou-se a dizer que como a criança nasceu em minha casa, a minha casa ia passar a ser dela também.

  • Vai ser educada por mim, segundo os Direitos Humanos Universais? – pergunto, para me certificar que a criança iria ter uma educação que validasse o sentimento de pertença ao sítio onde nasceu.
  • Nem pensar, é árabe e muçulmano e vai ser educado de forma intolerante, como se vivesse na “casa” dos pais dele! – responde o agente.
    Desgastado, vou para a varanda ver quem passa e avisto um amigo de infância, o Alan, que saúdo, com uma abordagem jovem:
  • Olá Alain, tudo baril?
    Antes de ouvir a resposta do meu amigo, sou puxado para dentro da sala pela família invasora, que me grita em uníssimo:
  • TU DISSESTE QUE ALÁ É UM BARRIL??!!!

Sem direito a defesa, fui condenado a mil chicotadas, aplicadas em suaves doses de cinquenta por semana…porque é tudo boa gente!
Je suis Anjinho…!

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Ediçáo 728

Memórias e Histórias da Trofa: Os trofenses na Associação Comercial e Industrial de Santo Tirso

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O impacto do desenvolvimento económico da Trofa é uma marca com várias décadas e até pelo menos um século, não ignorando que anteriormente o tecido económico era sustentado pelo setor agrícola.

Um concelho progressivo que ia dando cartas no panorama nacional que ia beneficiando da sua indústria e também das inúmeras oficinas dispersas pelo seu território.

O desenvolvimento económico não se centrava somente na sede de concelho em Santo Tirso e nesse propósito para tentar agregar os membros que a distância geográfica procurava afastar, fez nascer a Associação Comercial e Industrial de Santo Tirso que tinha como fundador Augusto da Costa Gonçalves.

Esta crónica só pode ser lida integralmente na edição impressa do jornal ou através da edição disponível para assinaturas online. Mais informações AQUI

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Edição de 09 de fevereiro de 2023

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