Para João Pedro Goulart, aos 44 anos da Associação Humanitária somam-se “mais anos de história”, comprovando com o ano de aquisição da primeira ambulância, há 49 anos. Em entrevista ao NT, o comandante do corpo de bombeiros falou no plural quando foi questionado como gostaria de ser recordado daqui a meio século e desvalorizou as vozes da discórdia, que vão soando, principalmente nas redes sociais, sobre a atividade operacional.

O Notícias da Trofa (NT): Mais uma comemoração da Associação Humanitároa, com muitas condicionantes provocadas pela pandemia de Covid-19, mas com boas notícias, como o novo edifício e duas viaturas.
João Pedro Goulart (JPG):
De facto, estas comemorações tiveram um cunho especial, motivado pelas questões da segurança relacionadas com a Covid-19, mas quanto ao aniversário, como eu dizia no meu discurso, 44 anos de existência, mas há muitos mais anos de história e eu recordei o ano de 1971, data de aquisição da primeira ambulância. A história começa a ser escrita em 1971, mas no pensamento dos fundadores, se calhar também algum tempo antes.

NT: E pegando nessa deixa, como gostaria de ser recordado daqui a 50 anos?
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Nós temos de recordar o papel dos bombeiros como o principal agente da Proteção Civil. Neste momento, vivemos a situação da pandemia de Covid-19, os bombeiros estão na linha da frente e acho que os bombeiros serão recordados como o principal agente da proteção civil.

NT: Em que medida é que as novas viaturas vão reforçar a atividade operacional?
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Estas viaturas vêm substituir outras que vão sendo abatidas, aliás, há cinco veículos no novo espaço museológico e uma delas esteve ao serviço até muito recentemente, que é a nossa Berliet Camiva, que participou em vários incêndios no verão deste ano. Vai, em breve, ser substituída por um novo veículo da mesma tipologia, um veículo urbano, conforme foi anunciado, com a comparticipação da Câmara Municipal.
Dos dois veículos agora inaugurados, a ambulância vem substituir aquela que existia, no âmbito do PEM (Posto de Emergência Médica), e o veículo florestal de combate a incêndios vem substituir o veículo acidentado.

NT: Com as duas novas viaturas que chegarão no próximo ano, em que medidas ficam colmatadas as necessidades da corporação?
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As necessidades são sempre muitas. Satisfazer as necessidades materiais deve ser o que menos custa. Nós continuamos empenhados em motivar os jovens a inscrever-se nesta atividade de voluntariado, passando a mensagem de que a sociedade precisa de uma forte e dinâmica Proteção Civil e, como tal, o seu principal objeto vai depender da incorporação da juventude, por isso o nosso objetivo e aposta vai continuar a ser a criação de novos cursos de instrução inicial para bombeiros.

NT: Relativamente ao que foi dito pelo presidente da direção da Associação Humanitária, que falou de “areias na engrenagem” da atividade da instituição, em que medida é que as vozes da discórdia afetam a atividade e o estado de espírito da corporação?
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Das vozes que se fazem ouvir, confesso que não ouço nenhuma. Quanto aos escritos das redes sociais, valem o que valem. Até na imprensa escrita, o que vem lá escrito se questiona, a começar pelos título, em que, há uns tempos, alguém dizia que um determinado jornal nacional publicava um determinado título na primeira página, que não condizia com o conteúdo da notícia, no interior. Se quisermos citar um presidente de um país estrangeiro, nós hoje vivemos num mundo de fake news, portanto, essa discórdia pode, de facto, não ser uma discórdia. Meras opiniões, que valem o que valem.

NT: Não afetam, então, o estado de espírito e a atividade da corporação?
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Não afetam e bem pelo contrário, pode ser que ajudem a criar algumas forças e a dinamizar a sincronização de todas as componentes do corpo de bombeiros. E por isso é que somos um corpo: às vezes um braço queixa-se, a mão queixa-se, o pé queixa-se, vamos coxeando, mas continuamos todos em frente, num sentido único.