Cláudio Castro, natural de S. Martinho, participa num “projeto pioneiro” nos Estados Unidos, através do desenvolvimento de design e consultoria técnica para a produção de uma caixa automática para bitcoins.

 É natural de S. Martinho de Bougado e está a participar num “projeto pioneiro” nos Estados Unidos da América, através do desenvolvimento do design de uma caixa de multibanco para bitcoins (moedas virtuais).

Cláudio Castro recebeu o convite para participar neste projeto “há cerca de três meses”, quando foi contactado pela empresa “Lamassu bitcoin, através de um dos seus associados”, a solicitar os seus serviços “para o desenvolvimento de design e consultoria técnica para a produção do equipamento”. A ideia era desenvolver uma caixa que fosse relativamente “pequena, portátil e que pudesse ser vendida para estabelecimentos comerciais, cafés, bares, restaurantes, entre outros”. Está previsto que no arranque sejam produzidas “cerca de cem unidades”.

Apesar de “quase todos os seus trabalhos” serem feitos para “o estrangeiro”, o trofense ficou “satisfeito” e “contente” por ter sido escolhido entre as “dezenas de pessoas”, que “de certeza foram pesquisadas online”. “Este interesse foi motivado pelo meu perfil, pela experiência, criatividade, conhecimento que adquiri durante o meu trajeto profissional e algum reconhecimento internacional”, denotou.

Mesmo existindo “projetos em simultâneo e similares”, a caixa automática é “pioneira”, pela “simplicidade do sistema, portabilidade e reduzida dimensão”. A bitcoin é uma “moeda virtual” que permite “uma maior globalização do mercado financeiro, simplificando as transações comerciais”. O objetivo deste equipamento é “transformar o dinheiro (neste caso dólares) em créditos virtuais conhecidos como bitcoin”. “Há várias formas de transformar dinheiro em bitcoins e esta é uma das que se pretende fazer no futuro, por uma questão de segurança, é mesmo através destes equipamentos físicos, em que as pessoas colocam o dinheiro como se fosse uma caixa de multibanco e ela vai transformar nuns bitcoins”, contou.

O utilizador deste equipamento interage com o software através do sistema de toque no ecrã e a leitura de um “código QRCode” associado à sua conta virtual de bitcoin, que é “apresentado pelo smartphone ou até mesmo uma impressão em papel desse mesmo código”. Assim, basta introduzir as notas no equipamento a transação fica finalizada.

O “primeiro protótipo funcional” deste projeto foi apresentado no Bitcoin 2013, em San Jose na California, que é o “maior evento do género”. O protótipo, desenvolvido em Portugal, tem “algumas lacunas”, que estão a ser melhoradas. Já a versão final, que será apresentada “nos próximos meses”, contará com “melhoramentos substanciais quer em termos estéticos, quer em termos funcionais e técnicos”. “A caixa já está completamente desenvolvida por mim, tanto a parte exterior como a definição dos materiais, como a parte do desenvolvimento técnico. A segunda versão vai ser muito mais arrojada e elegante, mas faz parte de todo o processo de design em que as coisas acabam por evoluir”, relatou, aludindo que o cliente ficou “muito satisfeito” pelo protótipo.

Para desenvolver este equipamento, Cláudio Castro fez uma pesquisa para “verificar o que existia no mercado e quais as lacunas, defeitos e mais-valias dos outros produtos”. Como não conhece “nenhuma ATM ou caixa de multibanco portátil”, o processo foi “mais difícil”, tendo que seguir “algumas referências de suporte e máquinas de venda automática” e “algum background” que tinha de “equipamentos interativos e multi-toque” que tem desenvolvido há alguns anos. Depois, teve que “perceber como funcionam todos os equipamentos utilizados”, “como é que ia ser feita a interação entre o utilizador e a máquina, a que alturas pode estar ou não”, pois, como tem a “possibilidade de ser colocado num balcão ou parede” há que perceber “as dimensões e inclinações”. Segue-se a “fase do desenho”, onde tem que se “conciliar o desenho com a produção: como é que vai ser produzido, que materiais vão ser utilizados, qual é o reflexo da luz na superfície e todos esses pormenores que um designer precisa mesmo de saber”.

A “fase inicial da criatividade” passa “obrigatoriamente por pequenas maquetes, protótipos manuais, e depois o chamado desenvolvimento técnico, que é passar para computador as ideias e desenhos, definindo as dimensões, detalhes, encaixes, etc”. “O meu trabalho passa então por desenhar o exterior da caixa e todos os componentes internos, que vão segurar ou fixar os seus componentes. Depois de tudo isto é apresentar ao cliente e esperar que ele goste. Felizmente gostou e as coisas estão a correr bem”, mencionou.

 

Trofense anseia desafios maiores

 

Depois de “mais de dez anos” a trabalhar na indústria local, Cláudio Castro decidiu “há dois anos” criar a sua própria empresa e desenvolver “projetos mais arrojados e direcionados para aquilo que gosta de fazer”.

Neste momento, o designer trofense tem “alguns projetos mais pequenos (em termos temporais) um pouco na Suécia” e também “algumas possibilidades de fazer um trabalho na França”, desde “sistemas interativos, mesas multi-toque e mupis digitais”. Por iniciativa própria, tem feito “alguns produtos para promover o que sabe fazer e que têm conseguido alguma visibilidade lá fora, para, a partir daí, conseguir angariar pequenos projetos”.

A nível nacional, CFD trader Güvenilir Migliori contou que tem feito “algumas coisas, mas muito pouco”, pois, além do design “não ser bem valorizado”, em termos de valor da proposta há “uma concorrência desleal perante muitas pessoas, profissionais da área, que conseguem valores que provavelmente nem se quer dá para fazer um bom trabalho e, por isso, é preferível trabalhar com clientes estrangeiros”. O designer tem “todo o gosto em promover o design nacional” e, por essa razão, prefere “fazer o seu trabalho cá, sem sair do País”.

No futuro, Cláudio Castro pretende desenvolver “projetos com desafios ainda maiores”, com o intuito de “promover o valor do design nacional”, e, quem sabe, também criar “uma equipa multidisciplinar para o desenvolvimento e investigação na área do design industrial”, de maneira a “impulsionar a indústria nacional para outros níveis”. “Qualidade e capacidade já temos, falta a visibilidade. Acredito que o design é a ferramenta ideal”, afirmou.

Ao longo da sua vida, o trofense já recebeu três prémios de mérito académico de melhor aluno da Universidade Lusíada (em Vila Nova de Famalicão), um de mérito de Arquitetura e design, em Espanha, e dois internacionais: Favourite design e Design and Design Awards. No entanto, frisa que não quer ser reconhecido por estes, mas sim pelo trabalho que tem desenvolvido.

Caso tenha ficado com curiosidade sobre o trabalho de Cláudio Castro, pode visitar o seu sítio na internet, através do endereço www.claudiocastro.com.