Dou comigo a ler no café uma entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Alvarelhos a um novo jornal da Trofa, distribuído graciosamente, inusitada graça, mas mais comum em ano de eleições autárquicas. E, de facto, há os meios de comunicação social que, sem serem completamente imparciais, são menos parciais, e há os outros, mostrando serem totalmente independentes, são tendenciosos até ao tutano.

Tenho muita consideração pela freguesia de Alvarelhos e pelos Alvarelhenses, repito. Alvarelhos é uma terra antiquíssima, com centenas de anos, que quando foi fundada, muitos dos países que compõem a Troika nem sequer existiam, senhora de uma prodigiosa narrativa por decifrar, mas também de uma história respeitável a defender, que exige homenagem, dignidade e admiração. Mas há uma coisa que o poder autárquico em Alvarelhos e o Presidente da Junta continuam por explicar: Que vantagens advêm para os Alvarelhenses a sua fusão com Guidões? Isso melhorará a qualidade de vida dos Alvarelhenses? Conseguirão os habitantes da «União de Freguesias» manter o indicador de desenvolvimento que tiveram até aqui? São interrogações que ficam e às quais a entrevista do Presidente da Junta de Alvarelhos não responde. Mas no que diz respeito à nova freguesia o Presidente da Junta faltou à verdade e mostrou um profundo desprezo pela vontade das pessoas, um sério desnorte quanto às regras e decisões democráticas dos órgãos representativos do Povo. Ao contrário do que afirma o Presidente da Junta de Alvarelhos o Povo de Guidões, e não apenas «algumas pessoas», assinou um abaixo-assinado com cerca de mil assinaturas que o Presidente da Junta de Alvarelhos poderá constatar junto dos grupos parlamentares do PSD da Assembleia Municipal da Trofa ou da Assembleia da República, para onde foi enviado. Cerca de meio milhar de pessoas de Guidões saiu às ruas na noite gélida de 9 de fevereiro de 2013 na «queima do entrudo chamado Relvas», em defesa da autonomia política e administrativa da sua terra, a Freguesia de Guidões. E fique a saber o Presidente da Junta de Alvarelhos que os representantes do PSD na Assembleia de Freguesia de Guidões votaram positivamente as moções contra a fusão e extinção da Freguesia de Guidões. E saiba ainda o Presidente da Junta de Alvarelhos que muitos dos que já foram simpatizantes e votantes do PSD têm a bandeirinha de Guidões na janela e um conhecido militante do PSD foi um dos obreiros principais e um grande ativista na «Comissão de luta contra a extinção da Freguesia de Guidões». Assim, um pouco mais de respeito pela vontade, pelo querer e pensar do Povo de Guidões, assentaria sempre bem melhor ao Presidente da Junta de Alvarelhos.

A outra inverdade prende-se com a tentativa de fazer crer que era possível as freguesias de Guidões, Alvarelhos e Muro ficarem como estão no quadro da proposta de lei do PSD e do CDS. Ora isso só não era possível atentos os seus pressupostos, como foi o próprio PSD na assembleia municipal que apresentou e votou favoravelmente uma proposta de fusão entre Guidões e Alvarelhos. Sem sofismas, os responsáveis pela extinção das freguesias são PSD e CDS, pela genial doutrina do ex-ministro Miguel Relvas. Felizmente ficaram pelo caminho os novos «jobs for the boys» das CIM ( comunidades intermunicipais ) graças ao Tribunal Constitucional. Mas já agora e só em jeito de desabafo. Muito estranhei o facto de, em tão extensa entrevista, não haver uma palavra sobre políticas de emprego, pois o desemprego já atinge, e muito, a população de Alvarelhos, graças à política do PSD e CDS; nem uma palavra sobre o Metro que deveria vir até à Trofa, servindo a população de Alvarelhos e não veio. Furtaram o comboio e não construíram o metro, numa política em que o PSD e CDS têm muita responsabilidade; Nem uma palavra sobre as potencialidades do Castro de Alvarelhos, como projeto científico, histórico e turístico. Muito estranho…mas é bem verdade que «quem não evita as faltas pequenas, pouco a pouco, cai nas grandes».