Já escrevi sobre este importante assunto.

Foi hoje conhecida a taxa de desemprego em Portugal e os números não são tranquilizadores.

   Na verdade, uma taxa de desemprego de 8,5% não é agradável e perspectivam-se tempos difíceis para aqueles que perderam os seus empregos e agora não vislumbram oportunidades de conseguirem novas colocações.

É também mau para o governo porque os partidos da oposição não deixarão fugir a oportunidade de criticar o governo numa área tão sensível.

Ao contrário do que possa parecer, o governo não tem sido tão mal sucedido nos programas de criação de emprego. Só que a criação de emprego pode não absorver toda a mão-de-obra que as indústrias em crise vão lançando para o desemprego.

O que é que provoca, nesta fase, o aumento de desemprego?

Sem pretender ser especialista no assunto, porque não sou, entendo que as indústrias que vão lançando trabalhadores para o desemprego, são aquelas que, sendo tradicionais, utilizam mão-de-obra intensiva, baseada em salários baixos, mas muito mais altos que nos países africanos, asiáticos ou até sul-americanos, e não têm capacidade económica para grandes investimentos em equipamentos que lhes permitam um aumento substancial da produtividade.

Acontece ainda que, algumas dessas empresas, têm uma situação económica difícil, apesar de terem encomendas, e os juros das dívidas, incluindo a Fazenda Pública e a Segurança Social, funcionam como um permanente travão à sua recuperação económica. Essas empresas necessitam duma retoma acelerada e, infelizmente, não é isso que se prevê.

O que se prevê é uma retoma lente e sustentada, baseada, sobretudo em novas indústrias que produzem muito com poucos funcionários. Isto significará que o aumento da competitividade da nossa economia será mais rápido que a criação de emprego.

O crescimento das novas empresas, e das empresas dos ramos mais tradicionais que sobrevivem, não significará um aumento do emprego na mesma proporção e no mesmo ritmo.

Poderá acontecer que, algumas empresas, para sobreviverem, lancem mais pessoas para o desemprego porque não aguentarão os custos mensais de tantos funcionários, ou não conseguirão competir com os preços baixos dos países de mão-de-obra barata.

Este é o nosso drama: para sermos competitivos, teremos mais desemprego no curto prazo. E esse desemprego só tenderá a ser absorvido pelo mercado de trabalho com a continuação do crescimento económico.

As novas empresas empregam poucas pessoas e será necessário que se criem muitas empresas para que a mão-de-obra disponível encontre colocação.

Por outro lado, acontece que a mão-de-obra que está disponível é especializada em sectores em crise e, por isso, o mercado não a absorve, ao mesmo tempo que falta a mão-de-obra para os sectores da economia que está mais florescente.

Esse desfasamento é próprio de economias em ajustamento, como é o caso da economia portuguesa.

A economia portuguesa precisa de fazer esse ajustamento entre a oferta e a procura de emprego para que diminuam os dramas de muitas famílias.

A verdade é que a solução só virá a prazo. Até lá, parece não restar alternativa a que o governo implemente políticas sociais que tenham em consideração o real estado da nossa economia e os dramas que se vive na sociedade portuguesa, sobretudo no norte e, em particular, no distrito do Porto.

Uma grande preocupação social e um grande esforço de ajustamento e na formação é o que Portugal necessita nesta fase difícil.

Até que o mercado de trabalho esteja equilibrado.

 

 

Afonso Paixão