Dar sangue é um gesto simples, mas tem uma importância colossal: pode salvar vidas. Na Trofa, uma associação luta há mais de 25 anos para que os hospitais portugueses não vejam as reservas esgotadas.

“Se a mim me sobra e se não me faz falta, tenho de o dar para ajudar outras pessoas que precisam”. Este era o sentimento de Maria Moreira quando doava sangue em mais uma colheita promovida pelo Lions Clube da Trofa, em Alvarelhos, a 20 de novembro de 2010. Sentir-se útil no mundo é apenas um dos dividendos que retira de um gesto “tão simples e que não custa nada”.

A opinião de Maria é, certamente, consonante com as dos muitos outros dadores de sangue que o Lions Clube da Trofa conquistou ao longo de mais de um quarto de século a trabalhar, voluntariamente, para “salvar vidas”.

Setembro marca o início do ano lionístico e para o dia 10 está já marcada a primeira colheita, no salão polivalente dos Bombeiros Voluntários da Trofa, entre as 9 e as 12.30 horas. As dádivas recolhidas vão reverter a favor dos doentes do Hospital de S. João, no Porto.

José Carneiro é o diretor do pelouro do sangue da associação e, apesar de a idade já não constar nos requisitos de admissão para a doação de sangue, os sentimentos de “dever cívico” e de ajudar a salvar vidas fazem com que abrace esta missão com toda a garra.

E face às necessidades cada vez maiores dos hospitais, o trabalho desenvolvido pelo Lions Clube da Trofa é um exemplo a seguir. “Atuamos no sentido de ajudar a minimizar a falta de sangue nos hospitais. Para ter uma ideia, em média, uma unidade de saúde precisa de mais de 1100 sacos de 400 mililitros de sangue por dia. Quanto mais avançada está a medicina, mais necessário é o sangue para as intervenções cirúrgicas que ocorrem”, explicou José Carneiro.

Não só a prosperidade exige mais, como também “a duração limitada” deste tecido conjuntivo líquido aumenta a necessidade dos hospitais. Perante este cenário, é imperativo a colaboração de todos. Os homens “podem participar nas dádivas quatro vezes por ano, as mulheres três”. Todo o cidadão saudável, com mais de 18 anos e menos de 65, com mais de 50 quilogramas, pode dar sangue. No concelho da Trofa, anualmente, “aparecem dadores novos, não obstante a ter havido uma pequena quebra”, frisou. Para inverter a tendência, o Lions Clube da Trofa tem encetado “todos os esforços” para conseguir “a melhor divulgação possível”. Além da comunicação social, os intervenientes das paróquias também assumem um papel importante neste setor: “Temos padres que não aderem muito, mas há paróquias em que substituem uma homilia por uma revelação de colheita de sangue”.

Medula óssea: um dador para o Mundo

Mais do que participar nas colheitas, também é importante que um dador se inscreva num dos três centros de histocompatibilidade do País (há do Norte, do Centro e do Sul). A média per capita de um dador compatível é de cem mil para um, pelo que “é muito difícil encontrar um dador para uma criança ou adulto que precisa de sangue”. Para suprir essa dificuldade, é premente que haja “dadores em todo o Mundo”. Como aconteceu com uma mulher de Santiago de Bougado que encontrou um dador compatível no Iraque, em 2002. “A senhora viajou da Trofa para Lisboa para receber a medula, mas veio sem ela e acabou por falecer. A medula chegou atrasada 15 dias, pois foi na altura em que os Estados Unidos declararam guerra conta o Iraque”, contou José Carneiro.

“Cada novo dador que apareça justifica-se”, pois “pode salvar uma vida” e ainda traz dividendos: “Fica a saber o seu tipo de sangue e pode detetar, precocemente, uma doença”.

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