Xavier Dias nasceu em Paradela, mas deixou a Trofa ainda jovem para cumprir o sonho como missionário.

“São já 22 anos de vida sacerdotal e missionária, pouco menos de metade da minha vida. Olhando-os sinto-me feliz e realizado. Considero importantes não as coisas materiais que fiz, mas sim as pessoas que ajudei e que me ajudaram a concretizar a minha entrega a Deus, muitas aqui em Moçambique e muitas mais na Trofa. O sentimento que há em mim é o de gratidão e de felicidade”. 

Este é o excerto da entrevista que o jornal O Notícias da Trofa fez a Xavier Dias que melhor caracteriza o sentimento deste padre que cedo saiu de Paradela para ser missionário por terras africanas. Serafim Xavier da Costa Dias nasceu a 7 de junho de 1962, em Paradela, S. Martinho de Bougado, e na juventude acumulou algumas tarefas na paróquia como na catequese, na Conferência S. Vicente Paulo e no grupo coral. “O contacto com a palavra de Deus” e o “trabalho com os mais necessitados”, como relatou, “despertaram o desejo” de enveredar pelo sacerdócio, mas na vertente de issionário e o contacto com os Missionários Combonianos de Famalicão foi  “decisivo” na opção deste trofense quando tinha 18 anos.

Depois de completar o curso de Filosofia, em Coimbra, Xavier Dias rumou para Santarém onde fez o noviciado, introdução e admissão temporária no instituto dos Missionários Combonianos, entre 1982 e 1984. Findo esse período, extravasou fronteiras e terminou o curso de Teologia na Universidade de Innsbruck, na Áustria, durante quatro anos. Xavier Dias cumpriu as etapas e foi admitido no instituto através da profissão perpétua e foi ordenado diácono, em novembro de 1988. Começa aí a primeira experiência como missionário, em Moçambique.

Ordenação em Moçambique

A 17 de junho de 1990 foi ordenado sacerdote na paróquia de Namapa, a norte da província de Nampula, mas não contou com a presença da família. “Nesse tempo, Moçambique estava em guerra e era muito perigoso viajar das cidades para as localidades. Devido a essa insegurança, a minha mãe e outros familiares e amigos não puderam estar presentes na minha ordenação. Senti a sua falta, mas as pessoas de Namapa procuraram ocupar os seus lugares e fizeramno muito bem”, recordou. 

Quase dois meses depois, Xavier Dias teve um dos dias “mais felizes” da sua vida ao celebrar a primeira missa na paróquia de S. Martinho de Bougado, na Igreja Nova. “Um missionário só parte quando tem a certeza de que os seus o deixam partir. Mais ainda, quando o enviam em seu nome a levar a Boa Nova de Jesus. Por isso é que quando vou de férias e estou com os meus familiares e amigos, sinto esse apoio e carinho. Quando estou fora, esse apoio e carinho é muito maior”, contou.

Os três primeiros anos de missionário “foram fantásticos”, mas nem sempre foram pacíficos para Xavier Dias, que teve que se confrontar com um cenário de guerra civil e correr perigo de vida para “levar um doente ao hospital ou visitar as capelas do interior”. 

Leia a reportagem completa na edição desta semana d’ O Notícias da Trofa, disponível num  quiosque perto de si ou por PDF.

{fcomment}