Nova direção da delegação da Trofa da Cruz Vermelha Portuguesa tomou posse com objetivo de abrir as portas da instituição à comunidade.

Em dia de aniversário, Daniela Esteves abraçou um grande desafio ao tomar posse como presidente da delegação da Trofa da Cruz Vermelha Portuguesa. A liderar uma direção renovada, a responsável pretende dar uma nova imagem da instituição que, para muitos, é considerada fechada.

Depois da cerimónia, que decorreu no salão nobre da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Trofa, na tarde de sábado, 9 de março, Daniela Esteves garantiu que a porta da delegação “vai ser transparente na comunicação àquilo que é solicitado a uma instituição deste calibre”. “Vamos trabalhar nessa comunicação e as pessoas vão perceber para que é que estão a contribuir e em que objetivos a Cruz Vermelha está envolvida”, frisou em entrevista ao NT e à TrofaTv.

Daniela Esteves afirmou que a atuação da nova direção vai passar por “trabalhar o passado” da instituição, mas “com os olhos virados para o futuro”. “Vão surgir muitas oportunidades de nos candidatarmos a diversos projetos, em várias frentes, e vamos agarrá-las todas”, acrescentou.

A formação profissional da nova presidente da Cruz Vermelha na Trofa – psicóloga clínica, pós-graduada em Psicologia da Dor – contribuiu para a escolha dos elementos da direção. Daniela Esteves estudou “o perfil das pessoas” que considerou serem as que “deviam fazer a equipa certa para trabalhar de uma forma diferente na instituição”.

A direção é composta por Rui Fonseca, Tomé Carvalho, Luísa Areal, Maria José Ribeiro, João Pedro Costa e José Magalhães Moreira.

 

Presidente cessante homenageada

A cerimónia também serviu para homenagear Odete Pedroso, presidente cessante, que impulsionou a criação da delegação aquando do nascimento do concelho, depois da experiência adquirida na delegação de Santo Tirso, como voluntária, secretária e tesoureira. “Sempre que sabia de uma pessoa que tinha muitas dificuldades ou que estava doente, tratava logo de lhe resolver o problema. Eu tenho vaidade de dizer que cheguei a pôr pessoas no Hospital da Trofa a fazer operações a custo zero. O que me faz feliz é saber que onde batia à porta, todos me atendiam. Continuarei a ajudar a Cruz Vermelha, pois é um bichinho que nasceu muito cedo e que morrerá comigo”, referiu.

Carlos Pimenta Araújo, assessor do presidente nacional da Cruz Vermelha Portuguesa, entregou uma medalha a Odete Pedroso, em forma de “recompensa pelo trabalho meritório que foi executado ao longo dos anos”.

 

Crise testa capacidade da instituição

Em tempos de crise, os desafios de uma instituição de solidariedade são cada vez maiores. E para justificar a tese, Odete Pedroso justifica com o elevado número de refeições que a Porta de Sabores – refeitório social da Cruz Vermelha da Trofa – deu o ano passado. “Só num dia foram 80”, atira, acrescendo as “375 famílias” apoiadas, “mensalmente”, com cabaz de mercearia. “Não há facilidade em arranjar as coisas sempre que sejam precisas. A Cruz Vermelha não tem direito a verbas da Segurança Social como qualquer outra instituição. Do Estado não vem nada. Nós é que temos de resolver as nossas situações para podermos resolver as dos outros”, adiantou, salvaguardando que “ainda há pessoas na Trofa com muito bom coração”.

No fim da cerimónia, foi servido um porto de honra preparado pela turma do Curso de Educação e Formação de Hotelaria, da EB 2/3 de S. Romão do Coronado.

A delegação da Trofa da Cruz Vermelha é uma das 180 que existem no país. O projeto Ter Prevenção e o refeitório social são dois dos projetos mais representativos da instituição.