Na Trofa em dezembro de 1927, numa fase de desenvolvimento económico continuava a haver lacunas no âmbito do entretenimento, referindo-se que não havia clubes nem cafés que eram fundamentais para o turismo.1
O desejo de voltar a haver oferta cultural aos habitantes de S. Martinho de Bougado não esmoreceu e passado alguns meses surgiram novas notícias relativas a um novo teatro existente que era denominado: Teatro Recreativo Trofense e realizava alguns espetáculos, muitos para apoiar as instituições que iam nascendo na Trofa.2 Havendo peças de teatro com bastante público a assistir, mostrando que havia falta de oferta neste capítulo na localidade. Contudo passados em janeiro de 1929 era anunciada uma empresa3 proprietária de Alfredo Machado com o nome de Teatro Cine da Trofa,4 mas a peça ia ser apresentada ao público no Teatro Recreativo Trofense, com o público aderir em massa ao espetáculo.5 Porém, nas edições seguintes do jornal destacava-se que o público ia aderindo em menor número aos eventos do teatro, nomeadamente o cinema que o público não aderia, em contrapartida aderiam mais rapidamente às tabernas.6
As instalações do teatro acabariam por ser pasto para chamas, apos a realização de um baile, deflagrou um incêndio que um empregado do Caminho de Ferro ao ver, as línguas de fogo e a torre de fumo, chamou rapidamente os bombeiros que contou com a preciosa ajuda das várias sirenes das fábricas que existiam na Trofa, apoiada no toque a rebate do sino da igreja e devido à enorme carga combustível no seu interior, as chamas atingiram proporções gigantescas que só os bombeiros poderiam resolver aquela situação nefasta, chegado ao local os bombeiros das corporações dos Bombeiros de Famalicão e numa fase posterior os Bombeiros de Santo Tirso.
Os bombeiros chegados ao local apenas tiveram de fazer o rescaldo e mais algumas operações, culpando a falta de telefone para a demora no combate ao incêndio.7
Nas edições seguintes do jornal O Trofense foi lançado um apelo á reconstrução do espaço, contudo, acabaria por ficar no esquecimento e a proposta esquecida.
Continuação na próxima crónica…
1 “O Nosso progresso” Ecos da Trofa, dezembro 4, 1927
2 “Ecos da Trofa” Grande Espetáculo, dezembro 18, 1927
3 A empresa em questão era uma empresa certamente de realização de eventos culturais
4 “Teatro Cine da Trofa” O Trofense, janeiro 6, 1929
5 “Teatro Recreativo Trofense, O Trofense, janeiro 20, 1929
6 “O nosso teatro” O Trofense, fevereiro 3, 1929
7 “Pavoroso incêndio – o Cineteatro Trofense devorado pelas chamas” O Trofense, fevereiro 17, 1929