No mundo global em que vivemos é óbvio que tudo se interliga. A grave crise que o nosso país está a viver também se pode interligar com a crise económica e financeira mundial. Mas, não foi só a globalização e a crise internacional. Se tivéssemos tido governantes competentes e honestos, a crise não teria chegado ao ponto a que chegou. Atualmente, existe uma campanha poderosa para fazer esquecer os verdadeiros culpados da dimensão da nossa crise. Não nos devemos deixar «anestesiar», até porque não foi assim há tanto tempo que nos meteram neste «aterro» em que nos encontramos.

O «bode expiatório» para muitos é a crise internacional e o atual governo. Utilizando uma expressão popular: «o pior cego é aquele que não quer ver». É mesmo isso! Muitos são aqueles que não querem ver, e são-no cada vez mais arregimentados por uma campanha eficaz de limpar o passado recente.

Não foi o atual governo que mergulhou o país numas das suas maiores crises de sempre; nem quem contraiu a maior dívida externa e o maior endividamento público. Não foi o atual governo que originou a maior despesa pública e o maior défice orçamental. Não foi o atual governo que originou o maior descrédito na justiça e a maior quantidade de escândalos públicos. Não foi o atual governo que originou a maior degradação da confiança dos cidadãos nos políticos.

Então já nos esquecemos quem é que foi o grande responsável por tudo isto? Esse responsável tem um nome: José Sócrates. Sim, é verdade! O grande culpado da actual crise que vivemos, chama-se Sócrates, não o filósofo, mas o dos casos sinuosos que vão sendo apagados da sua vida.

Será que os portugueses ainda se lembram de Sócrates ter posto a sua assinatura em projetos de edifícios particulares como projetista, quando ainda não tinha «o tal curso»? E do «caso Cova da Beira», referente ao concurso da central de tratamento de resíduos sólidos, na altura Secretário de Estado do Ambiente, que originou uma denúncia do Ministério Público alegando que tinha recebido dinheiro a troco da vitória do concurso público? E o caso dos apartamentos luxuosos comprados através de «off-shores»? E a questão da coincineração de resíduos tóxicos? E o licenciamento do Freeport, o maior «outlet», a céu aberto da Península Ibérica, que é acusado de ter renunciado a restrições ambientais por interferências familiares? E a sua licenciatura de engenharia tirada na Universidade Independente? E a tentativa de controlar todos os meios de comunicação social e afastar os jornalista incómodos, o que originou o processo «Face Oculta»? O facto de ser protagonista em tantos casos sinuosos não inibe José Sócrates de ter pretensões de vir a ser candidato à Presidência da República.

Cada vez mais, é preciso uma atenção redobrada na escolha dos políticos que queremos para nos governar. Cuidado!?! Ele anda por aí, como se nada tivesse acontecido. A sua estratégia começou com uma «retirada sabática» para o estrangeiro com algumas aparições de cunho «presidencialista», e depois, tentar abafar a realidade de ser o grande culpado por nos ter colocado num lodaçal. A nódoa é tão grande que mesmo com benzina ela não vai sair!

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

www.moreiradasilva.pt

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