Catulo é como os trofenses costumam designar o cruzamento das estradas EN 14 e EN 104, no centro da Trofa. Entretanto, Catulo quer dizer em excesso, em demasia, por exemplo: um prato servido em catulo é um prato excessivamente cheio.

Desde, pelo menos, os anos 50, 60, 70 (e seguintes), do século passado, que os jovens trofenses associam à zona do “Catulo” da Trofa a um ponto de encontro, de reunião de dezenas de pessoas que se juntavam nas cercanias da actual rotunda do Catulo (antigo Cruzamento do Catulo) para conversarem, “admirarem” o trânsito ou passagem de peões, ciclistas, motociclistas e automobilistas. Era uma “rotina” que fazia parte do “programa” de muitos trofenses, que acontecia ao fim de tarde dos dias de semana, entre as 17h00 e as 19h30. Em frente à rotunda, durante muitos anos estava a avenida de acesso à Capela de Nª Sª das Dores… que deixa saudades!
Também foi neste “Catulo” (cruzamento) que ocorreram grandes manifestações de índole desportiva (algumas até violentas, no ano de 1993). Outras se seguiram, em apoio quer ao C.D. Trofense, quer nas festas de consagração de títulos de Campeões (Porto, Benfica, ou Sporting).
Ao longo de muitos anos este local (agora Rotunda do Catulo) foi e continua a ser ponto de “passagem” (actualmente poderia ter o nome de “Praça”), em virtude de representar, para os trofenses, um local histórico e “icónico”.
Algumas das razões ( invocadas) para justificar a“Praça Central”.
1- Desde há mais de um século e meio que a EN 14( inaugurada no ano de 1856), herdeira da Estrada Real que liga Porto a Braga serviu de ponto de passagem (pela Trofa) de pessoas e animais, quer em direção à cidade dos Arcebispos, quer como ponto de peregrinação à Catedral de Santiago de Compostela. Antes de ser estrada real era uma das vias Romanas( a Via Romana XVI) que atravessava o centro da Trofa. Hoje continuam a ser aos milhares os que atravessam a nossa cidade em viagem/direcção aos seus trabalhos. .
2- Também a estrada EN 104 que liga a cidade de Santo Tirso a Vila do Conde “cruza”no actual Catulo com a EN 14. Quantos milhares de pessoas (de carro, autocarro, de bicicleta ou motociclo) não atravessarão anualmente a cidade da Trofa, em deslocação quer para os seus empregos ou simplesmente para lazer ? (Turismo ou praia).
3-Também, é considerado muito importante o movimento de muitas pessoas, vindas de várias regiões do país, de comboio, para assistirem aos grandes eventos da quase tricentenária romaria de Nª Sª das Dores. É sabido e notório que a nossa procissão é única e tem muita fama, pelos seus 10 andores “icónicos” que passam pelas ruas principais. Os romeiros “apinham-se” pelo centro da cidade e convergem, na sua grande maioria para a zona do “Catulo” e pelas ruas adjacentes para apreciarem a beleza do trabalho (decoração) e a imponência dos andores.
4-Há outras centenas de pessoas que chegam à Trofa diariamente, atravessam o centro a pé, de carro (ou outro transporte), em passeio ou em peregrinação/romaria para Fátima, S. Bento da Porta Aberta, Sameiro, Balazar, Nª Sª da Assunção (Santo Tirso)ou Ermesinde (Santuário de Santa Rita), etc.
Há algumas zonas do centro da cidade que já tiveram/ou ainda possuem nomes de praça, (embora não oficial), como por exemplo a “Praça Vermelha” ( o largo de São Martinho). Existe uma “praceta” 🙁 Praceta São Bento)…mas Praça Central, não há.
Com a construção da nova variante à EN 14 (Estrada Nacional 14)- que se deseja tão breve quanto possível-, e posterior desvio do trânsito pelo centro da cidade-tal como o fizeram há bastantes anos os concelhos nossos vizinhos,- é chegada a hora de, finalmente, resolver o “cancro” do “CATULO.”
E que tal se se procedesse a uma requalificação deste espaço (Catulo), que faz parte da história antiga e recente da nossa cidade… de maneira a” transformar “esta zona na MAIOR PRAÇA DA TROFA ?
Os trofenses sempre foram bons “anfitriões”, sempre receberam bem quem nos visita e continuarão a acolher, de bom grado, todos aqueles que, por qualquer razão, estão de passagem pela nossa terra..
Há dezenas de placas a assinalar as nossas instituições, (existentes na Trofa), outras, indicativas de empresas, o que denotam o desenvolvimento industrial, comercial e social trofense. Nota-se, no entanto, uma lacuna, que será necessário colmatar:e que só dignifica as gentes trofenses:
Porque não ( quem de direito) colocar nas entradas e saídas da nossa cidade (nas estradas nacionais) 8 (oito) placas : quatro “BEM-VINDO À TROFA” e outras quatro “OBRIGADO-BOA VIAGEM”?

António Costa