Aos poucos, vamos “reabrindo”, com renovada esperança. Neste “novo normal”, reforçamos o mote: continuar a ajudar a mudar mentalidades e comportamentos, perante a urgência do desafio climático e de uma comunidade do Coronado mais inquieta e sustentável.

As saídas de campo prosseguem, diurnas e nocturnas, seja a piscar o olho à flora ou a (ad)mirar a fauna. Abordamos aquele arbusto que, por vezes, vira praga, a silva e, com a entrada do Outono, colhemos as últimas amoras silvestres (Rubus plicatus). Fruto pequeno, saúde (da) grande: é antioxidante, anti-inflamatório, diurético, rico em vitaminas e sais minerais essenciais. E também fomos aos figos [pingo-de-mel], outro manjar da Natureza, com alto teor calórico, rico em fibras e em minerais e razoáveis quantidades de vitaminas. Que barrigada!
Já na escuridão do Vale, a indispensável lanterna para arregalar borboletas, pirilampos e morcegos. O anfitrião da noite, o sapo-comum (Bufo spinosus), guardião da horta, do jardim e do bosque, o nosso grande aliado no controlo de pequenas pragas. E registamos outro importante auxiliar: o ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus). Infelizmente, ainda mal compreendido e até perseguido, muitas vezes, vítima das implacáveis roçadoras/capinadeiras ou até de palermas ao volante, o ouriço tem um papel fundamental no ecossistema. Com o furriel Outono a dar cartas e o general Inverno à espreita, nos próximos meses, a escassez de alimentos vai agravar-se e, por isso, disponibilizar alimento-extra – ração e fruta – é conveniente. A colónia de ouriços que acompanhamos está a crescer, confirmando o sucesso das medidas de monitorização e protecção implementadas. Fauna do Coronado, proteger e promover, um dever de toda a comunidade! Numa próxima crónica, outros admiráveis seres.
Ainda sobre a protecção da fauna selvagem e da promoção da biodiversidade local, por estes dias, resgatamos uma ninhada de gatos ditos de rua. E o que é que isto tem que ver? Ora, os simpáticos felinos são exímios na caça e na predação de aves, de borboletas e até mesmo dos ditos bichitos do solo. As descontroladas colónias, se não forem monitorizadas e intervencionadas, colocarão em causa o equilíbrio ambiental. Ajudar a reequilibrar, sob práticas harmoniosas e responsáveis, tem sido, há já alguns anos, uma das nossas tarefas, com discrição e, convenhamos, alguma eficácia. A propósito, se quiserem adoptar um dos felinos que acolhemos (em FAT), pois bem, contactem-nos. Desde já, agradecemos a habitual e atenta colaboração do Canil Municipal da Trofa nesta campanha de adopção responsável, com oferta de microchip, castração e saco de ração. Outra campanha, a urgente CED, também será implementada.
Na onda das autárquicas, desenvolvimento sustentável? E mitigação das alterações climáticas? Aterro da Quinta de São Romão?!
Herbicida, nas escolas, ruas e cemitérios?! Fundo de Financiamento de Freguesias? ASCOR? Alguns dos (re)eleitos, se tivessem bolas (de capão) e consciência, recusariam tomar posse…
Andaram os nossos pais, avós e companhia a lutar pela plena democracia e, no Coronado, mais de 40% dos eleitores (3394) ficaram alapados no sofá ou no “feisse”, quiçá, a adular a estratégia do e-assessor do Grande Líder local. Os típicos bota-abaixistas do “está tudo mal, tudo mal”, na hora da verdade, borrifam-se para a gestão pública da sua/nossa freguesia; contudo, a lata de alguns é tanta que integram a rosada campanha, por exemplo, contra os milhões de Bruxelas plantados na ciclovia e, ao mesmo tempo, pela calada da noite, na Gondão, são apanhados a carregar baldes/sacos de areia e de cubos de granito. Pum!
Saúde-da-boa!

vítor assunção e sá | APVC
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