Nunca lhe aconteceu olhar para o seu caixote de lixo e/ou ecoponto e pensar: “Ainda ontem te esvaziei e já estás quase cheio outra vez?”

Sem nos apercebermos, o nosso lixo doméstico mudou nas últimas décadas. Agora, tudo o que compramos tem mais “camadas”, incluindo os bens que consumimos diariamente: 50% das embalagens produzidas são alimentares. Por exemplo, um pacote de bolachas era, normalmente, constituído por bolachas envoltas numa embalagem de plástico. Agora, uma grande parte das bolachas vêm em pacotes individuais de plástico dentro de uma embalagem maior de cartão. Também houve uma mudança de hábitos e compram-se mais refeições prontas, congeladas, que, também elas, implicam mais embalagens.

Se começarmos a olhar para as nossas compras mensais (ou semanais) com olhos de ver, notamos que há um número absurdo de pacotes, caixas, sacos. Até a fruta e os vegetais são vendidos em embalagens de esferovite envoltas em película plástica.

Muito dirão: “Pois, mas eu separo o meu lixo e envio-o para a reciclagem”. E se até parece que é verdade que mais de 60% dos portugueses admitem separar o lixo, apenas 12% dizem fazê-lo com a totalidade dos seus resíduos: os mais separados são o vidro, seguido pelos jornais e revistas; os menos separados são as embalagens de metal, as bases de esferovite para alimentos e as embalagens de iogurte (http://tinyurl.com/649kp7o).

E todo este lixo que fazemos (e não reciclamos!) é enviado para incineração ou para um aterro, não “desaparece”: vai poluir o ar, a terra, a água. E mesmo se reciclar é – regra geral – melhor que “fazer de novo”, ainda assim este processo consome recursos e gera desperdícios.

A solução? O primeiro dos 3 R’s: REDUZIR.

Voltar a comprar mais coisas a granel. Preferir os mercados, as feiras, as mercearias, onde é possível comprar quase tudo sem embalagem: fruta, vegetais, grãos, cereais, condimentos. Gosta de chá? Nas ervanárias, pode comprá-lo avulso ou num saco, ao invés de vir numa saqueta de papel, dentro de uma embalagem de papel (ou de plástico), dentro de uma caixa de cartão. E é muito mais saboroso! E por falar em sabor, o café em grão, acabado de moer não dá um café muito melhor do que o das pastilhas e cápsulas? Demora mais tempo? Será assim tanto? Suja mais? Nada que um pano húmido não resolva.

E se não quer – para já – abdicar do seu supermercado, comece a optar pelas bolachas que só têm uma embalagem, pela fruta sem esferovite, quem sabe até pelos iogurtes em embalagem de vidro. Até já há uma cadeia de hipermercados com uma zona dedicada ao granel, onde encontra um sem número de artigos ao peso, incluindo cereais para o pequeno-almoço.

Experimente mudar um hábito de cada vez, vai ver que não lhe custa nada e, ao fim de algum tempo, vai reparar que tem que ir menos vezes despejar o caixote de lixo/ecoponto. E, provavelmente, também vai notar na sua carteira, porque as embalagens são caras!

Ainda não está convencido?!

Comece a ver o lixo de forma diferente, algo que não gosta nada de ter em casa, seja esta o seu lar ou… o planeta que o acolhe! Entusiasme-se em produzir o mínimo possível de desperdício. Vai ver que se torna numa aventura: e um dia, dá por si a sentar-se numa esplanada e a pedir – conscientemente – um sumo natural sem palhinha…

 

ema magalhães | APVC – Associação para a Protecção do Vale do Coronado.

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