A Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado não deixou passar ao lado o Dia da Língua Gestual Portuguesa nem as comemorações dos 202 anos das invasões francesas.

Associou-se a estas comemorações a creche e jardim de infância da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Trofa (AHBVT). Comunicar por gestos não está ao alcance da maioria das pessoas, principalmente dos mais novos. E para quebrar esta barreira comunicativa, que ainda está muito presente na sociedade, a Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado decidiu levar até aos alunos da creche e jardim de infância da AHBVT uma convidada especial: Felícia Peixoto.

Esta trofense é uma mulher como tantas outras, tem uma família, um emprego, contudo comunica por gestos uma vez que sofre de problemas auditivos. Felícia, sempre com um sorriso no rosto, tentou ensinar às crianças algumas palavras através da língua gestual portuguesa.

Cores, objetos e frutos foram algumas das expressões que os mais novos aprenderam neste dia com Felícia. Os alunos prepararam uma apresentação especial para o organizador do evento: José Sá. “O meu chapéu tem três bicos”, foi com esta música, interpretada gestualmente, que os alunos da sala três brindaram o presidente da Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado. Este foi um dia especial para o autarca que realizou três objetivos num só espaço: visitou o infantário pela primeira vez, aprendeu a comunicar por língua gestual e assinalou as comemorações dos 202 anos das invasões francesas na Barca.

José Sá considera que é importante o ensino da língua gestual portuguesa não só às crianças como também aos adultos. “Assisti pela primeira vez a uma aula de língua gestual e fiquei surpreendido e ao mesmo tempo maravilhado porque percebi que este tipo de língua é importantíssimo para quem é surdo e também para quem é ouvinte, uma vez que este é um meio de comunicação entre pessoas que falam línguas diferentes”, asseverou.

Já Felícia Peixoto mostrou-se “muito orgulhosa” neste dia da língua gestual portuguesa. Enquanto Felícia comunicava por gestos, a diretora da instituição, Adelaide Pires, traduzia. “Ainda há muitas barreiras na comunicação e  por isso considero que é preciso que hajam mais intérpretes nas escolas. O surdo ouve, tem a sua comunicação e pode ensinar os demais a comunicarem por língua gestual, mas tem de aprender desde pequenino essa língua”.

Nas comemorações dos 202 anos das invasões francesas foi hasteada a bandeira nacional junto do monumento evocativo a todos os trofenses que pereceram na defesa da Barca da Trofa contra as invasões francesas, localizado junto ao infantário, e cantado o hino pelos alunos da creche e jardim de infância da AHBVT.

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