Foi criado um movimento de cidadãos que reivindicam uma solução para os maus cheiros em Covelas, S. Romão e S. Mamede do Coronado. Primeiro passo foi criar petição online para entregar na Assembleia da República.

“Basta!” O desabafo de José Carvalho sai em sinal de “desespero”, depois de cinco anos a viver em S. Romão do Coronado e a aguentar com os “cheiros cada vez mais frequentes” que não o deixam “abrir as janelas de casa”. Habituado “ao ar puro” de Vieira do Minho, concelho de onde é natural, José Carvalho “sente-se enganado” por ter investido a sua vida na freguesia romanense. “Nem podemos colocar roupa a secar cá fora, porque temos que voltar a pô-la na máquina de lavar”, explicou.

A indignação levou-o a integrar o Movimento Ambiente Saudável, apartidário e composto por cidadãos, “apoiados pela autarquia e pelas Juntas de Freguesia do concelho”. O primeiro passo deste grupo foi lançar uma petição na internet (www.peticaopublica.com) esta terça-feira para fazer “um apelo aos que governam e que têm responsabilidades na área ambiental, para que acabem com este problema”, explicou Joaquim Dias Pereira, um dos fundadores do Movimento. A intenção é recolher assinaturas suficientes para levá-la à Assembleia da República.

Segundo o romanense, “já têm sido tomadas medidas para eliminar de vez com os cheiros nauseabundos provenientes da unidade industrial Savinor”, no entanto “já muita tinta foi gasta sem quaisquer resultados práticos”. “Os cheiros continuam aí, cada vez mais pestilentos, sem que as nossas entidades responsáveis, CCDR-N (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte) e Ministério do Ambiente, façam o que quer que seja para acabar de vez com este atentado ambiental”, asseverou.

À Savinor, o Movimento deixou o recado: “Não basta vir para os jornais pedir desculpa pelos incómodos causados, pela sua incúria e incapacidade para resolver o problema. Têm que acabar de vez com este tipo de atentado ambiental”.

Joaquim Dias Pereira sente “vergonha” quando outras pessoas visitam S. Romão e são confrontadas com o cheiro, algumas vezes “insuportável”.

José Carvalho e Joaquim Dias Pereira imploram “por qualidade de vida”, assim como Ana Costa, a morar em S. Romão há três anos, que frisou que “o último ano foi o pior” no que respeita ao mau cheiro.

Os elementos do Movimento não querem, “de forma alguma, comprometer os postos de trabalho da Savinor”, apenas reivindicam por uma “vida condigna”. “As pessoas que passam na auto-estrada (A3) identificam S. Romão pelo cheiro, por isso este Movimento também existe por eles”, explicou Ana Costa.

O presidente da Junta de S. Romão, Guilherme Ramos, está solidário com o Movimento, mas não deixa de salientar que esta “é uma questão delicada”. “A empresa tem feito investimentos, mas não pode escudar-se com a construção do interceptor. É mais um passo significativo, mas não é a solução final”, referiu.

Também a vereadora Teresa Fernandes, habitante de S. Romão, e o vereador do Ambiente, Assis Serra Neves marcaram presença na apresentação da petição, para mostrar que estão “solidários com as populações da Trofa”, garantindo que “tudo será feito, dentro das possibilidades, para que se respire um ambiente saudável”.

Os vereadores sociais-democratas, sem pelouro, António Pontes e Jaime Moreira, e o líder da Comissão Política Concelhia do PSD, Sérgio Humberto, e o presidente da JS da Trofa, Marco Ferreira, também estiveram presentes na sessão.

 

Emitida DUP que possibilita construção de interceptor

Para a Savinor, “a única fonte relevante de odores tem a sua causa no sistema de lagoas da ETAR”, que, de acordo com a administração, poderá ser resolvido “com a construção de um interceptor para a ligação das águas residuais à ETAR da Águas do Ave”.

Depois de um período de estagnação, devido à emissão do parecer de Declaração de Utilidade Pública (DUP) para desapropriação de terrenos, a Savinor informou que vai “encetar, com a maior brevidade, todos os procedimentos que agora cabem realizar, de forma a avançar rapidamente com a construção do interceptor”.

“A extensão e configuração deste interceptor permitirá ainda dar solução adequada às águas residuais domésticas produzidas pela população de S. Romão do Coronado e Covelas, que ainda não têm este equipamento à sua disposição, conferindo uma maior qualidade de vida para estas”, refere a administração da Savinor.