Jose Moreira da SilvaA história da Criação do Concelho da Trofa ainda está por fazer. Mesmo agora que se festeja o 10º aniversário, continua-se a mostrar imagens manipuladas e a escrever com graves lacunas, deturpando a verdade dos factos, para gáudio daqueles que sempre estiveram do outro lado da “barricada”. Obviamente estes escritos merecem um veemente reparo.

     Em tantas e tantas páginas de escritas, nunca se escreveu sobre a importância que tiveram, para a dinâmica de vitória da Criação do Concelho, os resultados eleitorais autárquicos que mudaram a Freguesia do Muro e que até então tinha estado contra a Criação do Concelho. Com a eleição de novos autarcas nessa Freguesia, a configuração estratégica, e operacional, mudou radicalmente. É bom lembrar, que foi a partir desta nova realidade que a Comissão Promotora teve, enfim, uma sede para se poder reunir, coisa que até então o fazia em locais pouco dignos para o efeito, pois ninguém tinha tido a coragem de ceder instalações, quer particulares, quer oficiais. Finalmente, houve alguém que colocou à disposição da Comissão, instalações dignas, para quem trabalhava para a Criação do Concelho da Trofa. O primeiro acto em que a Comissão Promotora se abriu ao exterior, foi a inauguração, com pompa e circunstância, da sua sede que foi a única até a Trofa ser Concelho. Foi um dia marcante para o futuro do Concelho. Vieram, pela primeira vez, Deputados da Assembleia da Republica, apoiar a nossa causa e os órgãos da comunicação social, jornais, rádios e televisões, cá estiveram para informar o país. Este facto, que não pode ser desmentido, mas que por alguns é escondido, deve fazer parte da história, pois abriu uma enorme oportunidade, para um trabalho consistente da Comissão Promotora e com isso, deu-se um forte contributo para a Criação do Concelho. Continuam a querer escamotear este facto histórico.

     Fala-se das Juntas de Freguesia de então, como banalidades, mas esquecem-se, ou não se querem lembrar, de que as populações e os autarcas dessas freguesias, sofrerem retaliações por parte do poder municipal de então por estarem com a luta da Criação do Concelho da Trofa. Mesmo assim continuaram a apoiar essa justa reivindicação dos Trofenses e foram os primeiros a colocar no início das suas Freguesias os cartazes com a inscrição: “Aqui Nasce o Concelho da Trofa”. Alguém quer limpar da história este facto e da importância que tiveram os Presidentes de Junta de Freguesia desse tempo áureo, para a Criação do Concelho.

     Não são só estes factos que têm sido escamoteados pelos “escribas do reino”. Também não tem sido referido o importante papel que o CDS-PP teve, pois foi o partido político, que com um agendamento potestativo na Assembleia da Republica, despoletou toda a discussão de novos Concelhos, para assim poderem ser criadas condições para a criação do Concelho de Vizela, e alguns meses mais tarde, Odivelas e Trofa. Este facto marcante, faz parte da história da Assembleia da Republica, mas alguém o quer retirar da história da Trofa. Aliás o que acontece com a entrega na Assembleia, do Projecto-lei para a Criação do Concelho da Trofa. Nunca este facto é devidamente assinalado, muito menos que foram os Populares, os primeiros a entregar e só depois os restante partidos políticos. A história merece rigor e verdade.

      Deturpação dos factos e sonegação da verdade é a coordenação do fabuloso dia da “Ida a Lisboa Buscar o Concelho”. Ainda nem sequer a maioria das empresas falava em logística e para que a “Ida a Lisboa” fosse um êxito, foi preciso montar uma preciosa organização, digna de ficar nos anais da história. Mas que Logística!?! É bom lembrar que mais de 12.000 Trofenses rumaram a Lisboa, em Camionetas, autocarros e motas para além de vários Ranchos Folclóricos, Banda, Fanfarra. Os Bombeiros e uma equipa médica, marcaram a sua presença nesta grandiosa jornada de verdadeira exaltação de “Trofismo”. Obviamente toda esta Logística, foi coordenada através da Freguesia do Muro. Como muitos se lembram, pois foram imensos os Trofenses que rumaram, nos dias anteriores, das suas Freguesias até à Freguesia do Muro, para lá ajudarem a montar os diversos materiais de apoio como os bonés e milhares de bandeiras. Toda a coordenação desta imensa Logística que levou com êxito os largos milhares de Trofenses até à escadaria da Assembleia da Republica, foi feita através do Muro. Mas pretende-se esconder a verdade, nunca o referenciando ou o que é mais grave, adulterando. A verdade é que saiu do Muro toda a responsabilidade da organização do histórico e esplendoroso dia da “Ida a Lisboa Buscar o Concelho”, para tristeza de alguns e para gáudio de muitos mais.

     Tantos e tantos outros factos estão escondidos ou falseados. Nunca foi abordado com rigor a importância que tiveram as posições dos partidos políticos, em anos anteriores à Trofa ser Concelho. Nunca foi apontada a importância que teve a Rádio Trofa e os Jornais de então, na divulgação dos trabalhos da Comissão Promotora. Nunca foi relatado, quem, organizou os milhares e milhares de Trofenses na saída da Trofa e respectiva viagem até Lisboa, e coordenou a concentração no Parque Eduardo VII e a manifestação até à Assembleia da Republica para no exterior, conforme tinha sido decido se ficar a aguardar a votação, que só aconteceu no final da tarde, Uma tarde inteira a apoiar e organizar, os largos milhares de Trofenses que também ficaram cá fora. Nunca foi registado a existência do Secretariado Permanente, composto apenas por cinco pessoas, da Comissão Promotora e que tinha a missão de estar permanentemente disponível para a causa. Nunca foi abordada a Campanha Eleitoral e a respectiva eleição para Câmara Municipal de Santo Tirso, dois anos antes de sermos Concelho. Nunca foi referida a importância das Juntas de Freguesia, Assembleias de Freguesia, Associações, Escolas e Empresas para que a mobilização constituísse um êxito e a concretização do sonho se tornasse realidade. Etc. Etc. Etc.

     É verdade que muito tem sido grosseiramente escondido, da mesma forma que ainda não foi feita justiça, a quem trabalhou verdadeiramente para que a Trofa fosse Concelho, mas continuam algumas aves de rapina a surripiarem a verdade a que a Trofa tem direito.

      O que se tem dito e “escrevinhado” sobre a história da Criação do Concelho da Trofa, padece de rigor, independência e honestidade intelectual. Em nome da história, a escrita impregnada de esclerose múltipla sobre o assunto, só pode ser atirada para o caixote do lixo, em nome da verdade. É premente a reposição da verdade sobre a Criação do Concelho da Trofa.

     José Maria Moreira da Silva

                                              moreira.da.silva@sapo.pt