As crenças, costumes e tradições da Trofa foram apresentadas, este sábado, na Casa da Cultura da Trofa. Alcino Rodrigues é o autor da obra que demorou 25 anos e muitas histórias a ser redigida, até ser dada a conhecer aos trofenses.

Alcino Rodrigues escreveu um Caderno Cultural que retrata a vida dos trofenses e traz à memória as tradições, as vivências e os mais antigos provérbios populares ditados por muitos trofenses.

No entanto, depois de escrever mais uma edição destes cadernos o autor confessou: “Eu tenho uma dúvida muito grande porque quando Deus criou o mundo disse: “Ao sétimo descansarás”, e este foi o sétimo livro que publiquei sobre a Trofa, neste momento tenho dúvidas já cheguei a dizer que este seria o único, mas pode não ser”.

Os cadernos culturais são o resultado do trabalho de recolha e arquivo realizado ao longo de 25 anos por Alcino Rodrigues. “É um trabalho muito extenso , trabalhei neste livro durante 25 anos, é o balanço e o momento de transição entre os costumes medievais e a idade contemporânea nesta terra”, afirmou.

Das muitas histórias contadas, o autor destaca a da influência da romanização no povo trofenses e a “mais importante”, a da carta Pastoral: “a história que me parece mais importante para esta região foi a da carta pastoral do Bispo do Porto de 1943, D. Agostinho de Jesus e Sousa, quando proibiu as festas de Nossa Senhora das Dores. A carta pastoral dizia que antes de uma festa religiosa não podia haver uma noitada, ora a Trofa tinha a sua noitada como hoje tem ao sábado. O bispo ao instituir essa carta pensou que eliminava a festa, mas não eliminou e transformou a festa numa actividade profana, a festa realizou-se na mesma, com procissões alegóricas”, recordou.

No entanto das 30 histórias publicadas, muitas ficaram de fora. “Publiquei um livro com trinta histórias e muitas das coisas que me contaram não pude publicar, porque muitas das coisas que me contavam eram demasiado chocantes, mesmo assim ainda deixei passar filhos que violaram mães, pais que se amantizaram com as noras e coisas do género”, contou.

Para António Pontes, vereador da Cultura da autarquia este livro “significa muito para a Trofa”, “porque no fundo ela encerra tudo aquilo que tem a ver com a história do concelho, aliás o próprio título da obra que é crenças, costumes e tradições da Trofa de facto diz tudo sobre aquilo que depois é tratado na respectiva obra. Isto é um retrato daquilo que era o nosso povo daquilo que era a vida ancestral e portanto isto tem um significado muito grande. E a comemoração dos dez anos do concelho teve muito como preocupação o aumentar da auto estima, aumentar o orgulho de ser trofense, o gosto de ser trofense e portanto é fundamental nós percebermos de onde vimos”, adiantou.

E em época festiva, o vereador leu um dos seus excertos preferidos sobre os presentes de Natal: “E como estamos em época natalícia, há aqui um excerto que e extremamente interessante para percebermos quais eram os costumes da nossa terra, que dizia que a consoada de uma criada no principio do século XX era um bacalhau, meia broa de pão, um quilograma de açúcar, um quilograma de arroz e uma cabaça de vinho. Eu acho que isto diz tudo sobre aquilo que era uma tradição que ainda nós quando eramos mais pequenos, nos habituávamos a sentir e a ver”.

Com este lançamento ficam publicados 12 volumes desta colecção elaborados por diferentes autores, abordando cada um deles, uma temática diferente, começando nas “Reisadas”, que são representações populares locais, passando pelo Folclore, pelo relato de uma iniciativa desenvolvida numa escola do concelho, pela tradição matrimonial e pré-matrimonial, por transcrição de documentos que testemunham as origens do concelho e terminando numa compilação de uma serie de contos, lendas e narrativas tradicionais.

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