No momento em que escrevo, o dia a seguir ao ato eleitoral, entendo que o resultado das eleições europeias é um grande conjunto de interrogações que obriga à reflexão dos cidadãos dos diferentes países. Num espaço europeu em que teoricamente todos os países se devem empenhar na sua consolidação, assistimos aos mais contraditórios resultados, de que a vitória da extrema-direita em França e da extrema-esquerda na Grécia são apenas os casos mais elucidativos.

Era inevitável que numa disputa eleitoral como aquela que terminou no passado domingo, as várias forças políticas e candidatos acabassem por secundarizar aquilo que verdadeiramente estava em causa, o Parlamento Europeu e a importância das suas decisões na vida dos diferentes países, para se privilegiar as questões internas e as consequências das respetivas governações. Em Portugal não se fugiu a essa “regra”.

É pois natural que ao comentar-se os resultados e independentemente da dimensão da abstenção, cujos votos a serem exercidos ninguém pode reclamar que seriam “seus”, a análise se deva exercer sobre aquilo que é concreto ou seja os votos que efetivamente foram introduzidos nas urnas e em que o número de brancos e nulos teve uma enorme dimensão.

Apurados os resultados, constata-se não haver nenhum partido que possa reclamar uma grande vitória e o aparecimento de 16 listas concorrentes é só por si, motivo para os democratas se interrogarem para onde vamos. Porém, quando se verifica que organizações e pessoas sem grandes meios de campanha conquistam centenas de milhares de votos, é imperativo questionar os grandes partidos sobre o caminho que percorrem e se ele não conduzirá à própria implosão.

O Partido Socialista ganhou as eleições. Acontece sempre ao que fica em primeiro lugar. Mas, tendo em consideração a dimensão do resultado e o contexto em que foi alcançado não se tratará duma vitória de Pirro? Ficará o PS e a sua direção a começar pelo secretário-geral inebriados ao ponto de acreditarem que depois das autárquica e das europeias, não haverá duas sem três e que as legislativas são favas contadas?

Mais que na coligação PSD/CDS com a sua mais que merecida derrota histórica, impõe-se ao PS e aos seus dirigentes interrogarem-se sobre as suas debilidades em fazer oposição para que numa situação de verdadeiro desastre nacional em que não há setor da sociedade que não se lamente e o Partido Socialista em três anos de oposição consiga o “extraordinário” resultado de pouco mais que 3% que a coligação que nos tem desgovernado.

Esta vitória que em boa verdade não tem significado, deve obrigar o Partido Socialista a mudar muita coisa e se após debate for reconhecidamente necessário e vantajoso para o país que se mudem também pessoas. Mesmo ao mais alto nível….. Pior que isso muito pior que isso é enterrar a cabeça na areia, fazer de conta que nada aconteceu e aguardar que de vitória em vitoriazinha se “alcance” a derrota final. Quem milita no PS há quase 40 anos e deseja o melhor para o seu país só pode lançar um grito.

ACORDA PS

João Fernandes