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Edição 684

Correio do leitor – A defesa da Barca da Trofa

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Novos factos e heróis desconhecidos
Vão fazer 210 anos, que Portugal foi invadido pela segunda vez pelo exército napoleónico.
Desta feita, comandadas pelo general Soult e vindas da Galiza, as tropas francesas entraram pela fronteira de Chaves e chegaram até Braga.
Depois dividiram-se e marcharam em três colunas a caminho do Porto. A segunda coluna, a do meio, comandada pelo próprio Soult caminharia por Famalicão em direcção ao Porto atravessando o rio Ave na Barca da Trofa. Mas o “passeio” teve inesperada resistência; chegados à margem direita do rio Ave no dia 23 de Março os gauleses viram bloqueada a sua progressão e impossibilitada a travessia de barca (seriam três) para a outra margem.
Reza a lenda que um velho canhão de Ordenanças coadjuvado por paisanos armados com paus e forquilhas, retrato romântico estampado em painel de azulejos, combateu em campo aberto, o poderoso exército napoleónico.
Na verdade, em sobranceiro outeiro na margem esquerda do Ave, dominando a passagem do rio pela barca da Trofa, esperavam posicionados quatro canhões do regimento de artilharia 4 e espalhados pela margem esquerda do Ave, encontravam-se entrincheirados nas improvisadas paliçadas, camponeses armados e a Companhia de Ordenanças de Santiago de Bougado.
Aí se travaram renhidos combates durante três dias, de 23 a 25 de Março, em que entraram em acção 35 artilheiros sob o comando do tenente Diogo António Guterres, e os já referidos populares e ordenanças.
Seria demasiado romantismo esperar que umas desordenadas ordenanças e uma paisanagem bem intencionada mas exaltada por um inflamado patriotismo, sem armas e munições adequadas, sem disciplina e comando, que só com a bravura dos defensores e com um velho canhão, se pudesse travar tamanha força invasora.
Os passos para poder abrir fogo seguiam um processo muito preciso para carregar, apontar e disparar, só ao alcance de artilheiros bem treinados e experientes, com conhecimentos em balística, cadência de tiro, alcance de disparo, carregamento de munições e mobilidade táctica e operacional.
Foi portanto sob o comando deste oficial de artilharia auxiliado pela companhia de ordenanças de Santiago de Bougado e camponeses armados, que se susteve o avanço do inimigo.

Mas quem foi este comandante até agora desconhecido?
Diogo António Guterres nasceu em Valença do Minho a 17 de Novembro de 1781. Filho do Sargento-Mor de Artilharia Luís Guterres (1), ainda menor ficou órfão e cedo abalou para a cidade do Porto onde se fez cadete do Regimento de Artilharia em 23 de Abril de 1803.
Aquando da primeira invasão francesa, já tenente, participa na batalha do Vimeiro em 21 de Agosto de 1808, onde bate o general Junoult pela boa direcção do seu fogo e por conhecer e indicar ao general da artilharia inglesa o estratagema do inimigo.
De 23 a 25 de Março de 1809, retarda por três dias o avanço das tropas napoleónicas sobre a cidade do Porto. Ainda em 1809 combate nas batalhas da Ponte do Vouga e Gandra da Albergaria. A 12 de Maio desse ano comanda as tropas portuguesas de primeira linha que entraram na tomada do Porto com uma força de 85 praças na chamada batalha do Douro que expulsou os franceses da cidade.
Por razões políticas, em 08 de Setembro de 1826 é reformado por decreto e emigra para Espanha para defender a causa do rei D. Miguel, de onde regressa a 23 de Agosto de 1828 apresentando-se na Praça de Elvas.
Em 11 de Janeiro de 1829, já capitão, é feito comandante das brigadas de artilharia aquarteladas em Belém (Lisboa). Também nesse ano é condecorado com a medalha da efigie de D. Miguel e em 17 de Dezembro de 1832 é agraciado como Cavaleiro da Ordem da Conceição.
Fervoroso Miguelista, participa no cerco do Porto em 1833 e nesse ano a 16 de Maio é nomeado Major da Praça de Valença. Na Convenção de Évora Monte de 26 de Maio de 1834 que põe fim à guerra civil, já ostenta a patente de Tenente-coronel.

Como lembrar este acontecimento?
O episódio da defesa da barca da Trofa deve ser relembrado e merece ser perpetuado. Pode ser comemorado com recriações históricas, criação de um centro interpretativo e colocação de um monumento evocativo (2) que seja mais representativo e dê mais dignidade ao local.
(1) O Tenente Luiz Guterres (natural de Lisboa) com o curso da academia militar, integrou o primeiro contingente do então formado Regimento de Artilharia do Porto que se instalou na Praça de Valença em 1764.
Durante cerca de 30 anos, em Valença privou com oficiais estrangeiros das mais heterogéneas procedências como o comandante Coronel James Ferrier, o matemático Anastácio da Cunha e com Luís Pinto de Sousa Coutinho (posteriormente Secretário de Estado no reinado de D. Maria I).
Casou com Sebastiana Josefa de Araújo Sousa Tavares (natural de Monção).
Teve pelo menos seis filhos:

  • Diogo António Guterres (1781)
  • Bernardo Guterres (1784)
  • Francisca Guterres (1786, morreu solteira)
  • Luiz Manoel Guterres de Araújo (1788, emigrou para Alcântara do Maranhão)
  • António José Guterres de Araújo (1791, emigrou para Alcântara do Maranhão)
  • Catarina Luísa Guterres (1794)
    Faleceu em 1799 em Viana do Castelo já reformado como Sargento-Mór e agraciado com o título de Cavaleiro do Hábito de São Bento de Aviz.




Jorge António Azevedo Nogueira, São Romão do Coronado – Trofa

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Altronix propõe-se a criar soluções inovadoras na saúde

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“Fornecer soluções diferenciadoras, que agilizem procedimentos, promovam maior eficiência e reduzam tempos e erros de execução, ao nível operacional” é o desafio atual da Altronix, empresa sediada na Trofa, que tem apostado na tecnologia RFID para melhorar os processos nas unidades de saúde. Assumindo-se como “uma das principais entidades parceiras de diversas unidades de saúde, como hospitais, centros, clínicas e fármácias”, apesar de esta área representar “apenas 15 por cento da faturação”, a Altronix anunciou que, além dos mais de 40 milhões de cartões produzidos e 36 milhões de etiquetas anualmente fabricadas, que “permitem identificar, de forma automática, profissionais de saúde e pacientes”, ainda fornece equipamentos complementares, nomeadamente impressoras de etiquetas e terminais móveis de leitura e captura de dados, desenhados especificamente para a área da saúde.
A empresa da Trofa quer crescer no setor, considerado pelo CEO Rui Fonseca “um segmento cada vez mais importante”. “É acima de tudo uma oportunidade de negócio e uma área na qual temos vindo a investir, pesquisando e auscultando o mercado. Queremos, acima de tudo, estar próximos dos nossos clientes e fornecer-lhes soluções cada vez mais sofisticadas, que respondam claramente às suas necessidades”, refere o CEO da Altronix.
Esta aposta acompanha a curva de crescimento da organização, que potenciou o negócio no mercado externo, tendo vindo a reforçar o quadro de pessoal. Recentemente, mudou-se para novas instalações – perto da demolida Ponte da Peça Má -, que resultaram de um investimento de 1,5 milhões de euros.
Além da sede, a Altronix possui uma filial, em Lisboa, e está representada em Madrid e Vigo. Ao longo de 14 anos de atividade, somou mais de 5900 projetos em Portugal, Espanha, Cabo Verde, Moçambique, Angola e Timor-Leste.
A Altronix é especializada na comercialização e suporte de soluções nas áreas de identificação de pessoas, codificação de produtos e mobilidade empresarial.

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Não há que ter medo da liberdade de expressão

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Quanto mais culta e evoluída for uma sociedade, um país, uma nação, menos portas se abrirão para os extremismos patéticos e para as intolerâncias bacocas, que minam a democracia e a liberdade. Em Portugal, um país de brandos costumes, os extremismos têm um significado eleitoral muito residual, excetuando os bloquistas que engordaram com o emagrecimento dos socialistas, só que estão de novo a definhar.
A absurda polémica pública provocada pela participação de um energúmeno extremista, que defendeu Salazar e as suas ideias, contrasta com as afirmações que não provocaram polémica de um dirigente, e atual autarca comunista, que à chegada a Portugal vindo de uma visita oficial à Coreia do Norte afirmou que não sabia se esse país era regido por um sistema não-democrático. Estas afirmações estão em consonância com as declarações de um outro seu camarada, que defendeu o regime ditatorial da Venezuela, num canal televisivo, para o qual também tinha sido convidado.
São graves estas afirmações feitas em televisão, como tinham sido graves as declarações do ideólogo do MRPP e “grande educador da classe operária” Arnaldo Matos feitas numa rede social, que declarou, sem papas na língua: “Operárias e operários: organizemo-nos e lutemos contra a exploração capitalista, com tudo o que tivermos à mão!”. Acompanhando o apelo, Arnaldo Matos partilhou a imagem de duas metralhadoras Ak47.
Estas afirmações são muito graves, só que não originaram qualquer tipo de polémica, talvez por terem sido feitas por dirigentes esquerdistas, que continuam a ser convidados de canais televisivos para comentarem a situação política atual. Se as mesmas firmações (ou semelhantes) tivessem sido feitas, por um qualquer dirigente político de direita caía o “Carmo e a Trindade”, como caiu com as afirmações do extremista, que defendeu Salazar.
A mais forte das tradições das esquerdas políticas é a tradição jacobina, que foi sempre liberticida, pois nunca respeitou a liberdade dos outros. O debate entre diferentes correntes de opinião (concordemos com elas ou não) faz parte de uma sociedade plural, democrática e tolerante, desde que devidamente comprometido com o respeito pela individualidade de cada um, e pelos direitos, liberdades e garantias fundamentais de um povo.
É verdade que os extremismos andam por aí e será trágico fechar-lhes os olhos, mas não devemos dar-lhe a importância que não têm. E, mesmo que seja incómoda, não há que ter medo da liberdade de expressão, que é um valor com proteção constitucional.
Pode parecer estranho haver liberdade para os inimigos da liberdade, mas a melhor forma de garantir a liberdade é não hipotecar a nossa liberdade de agir. Muito menos consignar a nossa liberdade de ser!

moreira.da.silva@sapo.pt
www.moreiradasilva.pt

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