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Edição 700

Cooperação, ousadia e conhecimento tornam PME mais competitivas

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O Link Lab Trofa, roadshow integrado no AEP Link, da Associação Empresarial de Portugal, colocou empresários a debater sobre como as PME se podem tornar mais competitivas.

Quando acabou o curso, em 2000, Sérgio Silva não quis enveredar pela área do metal, cumprindo o caminho traçado pelo pai e pelo tio na gestão da Metalogalva. Por isso, e aproveitando um projeto da família ligado à produção de camarão, no Brasil, Sérgio decidiu apostar na área, começando a importar camarão para vender em Portugal.

Passados dois anos, o grupo comprou uma pequena empresa em Guimarães, que na altura faturava cerca de quatro milhões de euros por ano, e trabalhava com todos os produtos do mar congelados. Com a aquisição da empresa, a Brasmar começou a ganhar uma capacidade maior e, hoje em dia, é a maior empresa em Portugal na área dos produtos do mar. No último ano faturou 195 milhões de euros, metade dos quais obtidos nas exportações.

À primeira vista, a combinação invulgar de metal com produtos do mar podia levar a previsões pessimistas para o futuro do Grupo Vigent, detentor da Metalogalva e da Brasmar, mas a verdade é que a sensibilidade empresarial de Sérgio Silva – com a preciosa capacidade financeira do grupo, é certo – acabou por contribuir para a ascensão meteórica do negócio familiar, que, atualmente, é um dos maiores empregadores do concelho da Trofa.

O segredo? “Tem que se ser um pouco maluco”, revelou o empresário, durante o roadshow AEP Link, um projeto da Associação Empresarial de Portugal (AEP), que promove a cooperação entre Pequenas e Médias Empresas (PME).

A intervenção de Sérgio Silva, pela experiência comercial revelada, terá sido uma das mais preciosas para a audiência que encheu o auditório do Fórum Trofa XXI, no Parque Nossa Senhora das Dores e Dr. Lima Carneiro, a 12 de setembro. Se por um lado, disse, é preciso ousadia para apostar – e a Brasmar investiu mais fortemente durante a crise -, por outro, há que doseá-la, porque não se pode entrar em euforias, uma vez que projetos financiados por fundos só frutificarão se o mercado estiver sedento dele. Ou seja, tem uma ideia de negócio, que acrescenta valor e faz a diferença? Tudo bem. E dá margem e rentabilidade? Se sim, avance. Se não, é melhor pensar duas vezes, assim como é preciso calcular a margem de progressão de um negócio financiado com fundos, estando ciente de que pode esperar por eles. É que podem não chegar no timing certo, alertou Sérgio Silva.

Apostar no mercado exterior é cada vez mais a mais certeira rampa de lançamento de um qualquer negócio. Disso mesmo falou Norberto Bessa, da Olicargo, empresa de serviços, que testemunhou que crescer apenas com capital português é muito difícil, assim como não é pera doce obter-se financiamento. E para mexer a peça certa neste xadrez há que avançar para o que é novo. Não há que ter medo de inovar, complementou, depois, António Machado, diretor de agência na Granca Portugal, que sublinha o desafio cada vez maior dos empresários ao verem a mão de obra qualificada fugir para outros mercados e a necessidade de se renovar equipamentos para se manterem competitivos.

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“Sem risco não há negócio”, advogou, por sua vez, Mário Almeida, administrador da Nhclima, empresa de ventilação e climatização. A empresa fez uma forte aposta na certificação internacional, submeteu-se a um pesado esforço financeiro, mas ganhou a luta, exibindo atualmente a taça de 80 por cento de exportações.

Às preocupações transmitidas pelos empresários durante a sessão, Mário Almeida juntou mais uma: a necessidade premente de criar valor nos recursos humanos, apostando-se numa formação mais técnica e prática.

O poder da cooperação

Cooperação é a palavra-rainha do AEP Link, pelo que foi do que mais se falou ao longo do roadshow, com discursos convergentes sobre a mais-valia da colaboração entre organizações. E não importa a dimensão do negócio, disse Manuel Lavadinho, da Iberinform, apoiando-se nos números de que 98,4 por cento das empresas nacionais são microempresas, com menos de dez trabalhadores, e que mais de 70 por cento têm capitais sociais de menos de 25 mil euros. É nesta condição que o empresário mais precisa explorar a cooperação, através dos parceiros e dos clientes certos, sem abdicar da recolha da maior informação possível acerca dos projetos e dos riscos associados.

“Não são as empresas grandes que precisam ter acesso a estas informações, são principalmente as pequenas, que mais sofrem quando recebem tarde ou têm problemas com parceiros”, argumentou.

Na mesma senda, Céu Filipe, gestora de projeto Enterprise Europe Network na AEP, referiu que “é essencial” as pequenas empresas “saberem cooperar” e “colaborarem com grandes empresas, com maior capacidade de resistir aos desafios do mercado”.

Mas para que o processo de cooperação funcione é necessário ter em conta quatro aspetos: “A confiança entre os agentes, construída ao longo do tempo; a aprendizagem; a abertura, com diferentes agentes e a palavra”. Quem o disse foi Paulo Alves, da Smart Value Consulting, durante uma mesa redonda também composta por José Manuel Fernandes, presidente da AEBA, Associação Empresarial do Baixo Ave, que foi parceira da AEP neste roadshow. O empresário complementou a ideia, defendendo que “a cooperação” é uma das “múltiplas frentes” pelas quais se rege a atividade empresarial que cresce e desenvolve. é o ativo mais importante” para que as organizações possam competir. “A cooperação é o ativo mais importante para podermos competir, através do enriquecimento da cadeia de valor, do conhecimento de novas empresas e projetos. Permite-nos alavancar o nosso valor acrescentado nas organizações, para sermos mais diferenciadores que a nossa concorrência lá fora”, atestou.

Bolsa de oportunidades

No roadshow, a AEP aproveitou para divulgar algumas ferramentas que disponibiliza às organizações, como a bolsa de oportunidades, onde empresários, investidores, associações e outras entidades se podem registar para aceder ou partilhar oportunidades de negócio e parceria.

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O dash económico, também disponível no site da AEP, é uma ferramenta interativa que analisa a performance empresarial das diversas regiões do país, e que permite aos empresários compararem-se com o todo, em diversas áreas, por regiões e em todas as indústrias.

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Revolução no Guidões FC e fasquia mais elevada

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Com a nova época houve uma pequena revolução no seio da equipa sénior masculina de futsal do Guidões Futebol Clube. Depois de um 6.º lugar na série 4 da 1.ª Divisão da Associação de Futebol do Porto (o escalão mais baixo no distrito), que parece não ter correspondido aos objetivos traçados pela coletividade, a equipa desintegrou-se e apenas um atleta transitou para a nova temporada.

Ficou também o treinador, o trofense Vítor Ferreira, que, “apesar de todos os contratempos” com que se deparou na época transata, com “a saída de alguns jogadores”, considerou que o clube “fez uma estreia positiva”, não deixando de “agradecer” aos que “levaram o seu compromisso até ao último jogo”.

“Estivemos sempre nos lugares da frente e, não fossem dois ou três resultados negativos, teríamos lutado pelo acesso à fase de campeão até às últimas jornadas”, referiu, em declarações ao NT.

Com a nova época, o projeto desportivo passa por, através de um plantel “mais jovem, competitivo e equilibrado”, fazer “melhor” do que em 2018/2019. “Elevamos a fasquia”, admitiu o treinador.

O Guidões FC mantém-se na série 4, onde terá a companhia de uma outra equipa da Trofa, o Futebol Clube S. Romão, contra quem jogará na jornada 7, prevista para a segunda quinzena de novembro.

Lixa, O Amanhã da Criança, Junqueira, Leais e Videirinhos, Juventude de Gaia B, Juventude de Matosinhos e Miramar Império são as restantes equipas que os guidoenses terão de defrontar.

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Escola de Atletismo com forte aposta na equipa feminina

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Apesar de não estar a começar com as melhores condições e treino, a época da Escola de Atletismo da Trofa é encarada com ambição, principalmente para a equipa feminina, na qual se deposita mais esperança em bons resultados, na pista.

Quando se analisa a época de uma equipa como a da Escola de Atletismo da Trofa, percebe-se que correu bem quando algum ou alguns atletas acabam por sair para clubes com melhores condições. E foi o que aconteceu, mais uma vez, na temporada que terminou, como testemunhou, ao NT, o treinador Pedro Sá.

Entre os cerca de 40 atletas que estiveram em competição, houve uma superioridade do escalão feminino e “prova disso”, atesta o responsável, foi “o apuramento de clubes”, na qual a equipa “fez a maior pontuação de sempre”. E não fossem algumas terem saído no início da temporada, talvez fosse até possível “disputar a 3.ª Divisão”.

Pedro Sá não menospreza, porém, o esforço de todos os atletas, que se destacaram na pista, nas disciplinas da velocidade, lançamento e saltos. “A melhoria na velocidade, por exemplo, refletiu-se nas provas de estafeta, em que conseguimos medalhas nos regionais e zona Norte”, contou o treinador, que, em termos individuais, destacou a performance da veterana Deolinda Oliveira, campeã da Taça de Portugal de Corrida de Montanha, campeã nacional de corta-mato longo e campeã regional de 10 mil metros e obstáculos. Já Ludgero Moreira destacou-se nas provas técnicas, com alguns títulos nacionais, também no escalão veterano.

Com a expectativa de manter o número de atletas, Pedro Sá anunciou que o projeto desportivo da nova época passa por “apostar nos escalões de formação, principalmente na equipa feminina na pista, e continuar a apoiar os atletas veteranos”.

Porém, o treinador não deixou de admitir que a nova temporada “não está a começar muito bem”, devido, mais uma vez, à falta de condições de treino. “Supostamente, teríamos a EB 2/3 Professor Napoleão Sousa Marques pronto para iniciarmos os treinos em setembro, mas não, o que nos obrigou a utilizar o espaço exterior do Edifício Nova Trofa, com todas as condicionantes já conhecidas”, revelou.

Com um olho na Escola de Atletismo da Trofa, Pedro Sá tem outro nas atletas que ajuda a crescer na modalidade, como Alice Oliveira e Sandra Sá, que antes fizeram parte da coletividade trofense e que acabaram por dar o salto, integrando o Maia Atlético Clube.

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A primeira, que iniciou uma nova etapa com a entrada na universidade, acabou por ver “superadas as expectativas”. “Apesar de estar com receio, porque não sabia se conseguiria conjugar os horários, acabou por correr muito bem”, frisou, sem deixar de destacar os títulos nacionais obtidos, o de campeã na estrada, 3.º lugar no corta-mato curto e nos obstáculos e a vitória coletiva no corta-mato longo.

Para a nova campanha, Alice, que frequenta o curso de Enfermagem da Escola Superior de Saúde do Porto, espera bater recordes pessoais e obter marcas que a façam “chegar mais longe” na modalidade, com ênfase nos obstáculos e nas distâncias de cinco mil e três mil metros.

Já Sandra Sá, que entra este ano letivo para o curso de Terapia Ocupacional na Escola Superior de Saúde do Porto, também encara com cautela a temporada, espreitando resultados que superem a boa prestação da época transata, em que conseguiu melhorar praticamente todos os recordes pessoais e atingir os mínimos para a pista ao ar livre e coberta nos 400 metros.

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