Na Assembleia Geral do Trofense, os sócios ficaram a saber que Rui Silva está disponível para continuar, caso seja aprovada a oneração do património em troca de um montante colocado em nome pessoal como garantia de um empréstimo contraído para as obras do estádio.

“O homem do leme”. A frase, acompanhada por uma imagem de Rui Silva, mostrava bem a vontade de alguns na continuidade da direção do Trofense. Nos minutos que antecederam a Assembleia-geral do emblema, na segunda-feira, o burburinho constante transparecia a curiosidade dos mais de 150 sócios, que marcaram presença no auditório da Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado, para saber se Rui Silva apresentava lista para continuar a liderar os destinos do clube.

Como esteve ausente da sessão, foi o presidente da Assembleia Geral (AG), Armando Dias, a explicar que a continuidade por mais uma época é possível, desde que lhe sejam dadas condições. Segundo o dirigente, Rui Silva quer libertar cerca de 2,5 milhões de euros que deu “como garantia de um empréstimo contraído pelo clube para a realização das obras no estádio em 2007”. Em troca, cinco sextos dos sócios que estiverem presentes na assembleia extraordinária, marcada para 22 de junho, “terão que aprovar a oneração de um bem imóvel” (o estádio ou o complexo desportivo, em Paradela) para substituir o montante cedido por Rui Silva. Confirmada a oneração, que também “está dependente dos bancos”, o até então presidente do clube canaliza “um milhão de euros do montante que estava bloqueado, para a próxima época”.

Armando Dias explicou ainda que, só em 2008, o estádio e o complexo de Paradela foram passados para o nome do clube. O primeiro está avaliado “em cerca de cinco milhões de euros” e o outro “em 2,6 milhões”.

Caso as condições não estiverem reunidas, Armando Dias garantiu que há “um conjunto de sócios” disponíveis para constituírem uma comissão administrativa. Mas se for possível a continuidade da direção, Rui Silva volta “a apostar na subida”, sem esperar por apoios. “Como ele não os teve até agora, já está a contar que vai ter que gastar um milhão do bolso dele. Hoje em dia, as empresas não dão nada, nem para causas sociais quanto mais para o futebol”, explicou o presidente da AG do Trofense.

Armando Dias garantiu que, durante esta semana, Rui Silva “já vai trabalhar como se tudo estivesse ultrapassado, porque tem que preparar a próxima época, como a equipa técnica e jogadores, pois alguns estavam à espera desta assembleia para resolverem a sua situação”. “Daqui a oito dias, se tudo esboroar, lá estou eu aqui, mas para arranjar uma comissão administrativa”. Relativamente a esse plano “B”, Armando Dias sente-se “tranquilo”: “O clube tem 80 anos, não tem cinco. E eu sou sócio há 40 anos e já o vi passar por situações piores”.

A Assembleia extraordinária realiza-se a 22 de junho e prevê-se que não seja pacífica, já que, se por um lado, há sócios que aceitam as condições, por outro é já notório um movimento criado por associados, que se têm manifestados em páginas de internet, contra a oneração do património. A Assembleia realiza-se no salão polivalente dos Bombeiros Voluntários da Trofa.

 

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