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O presidente da portuguesa Continental Mabor, cujo accionista alemão Schaeffler está em risco de falência, garantiu hoje que a empresa tem “a situação controlada” e que a sua “estratégia sólida e conservadora” afasta eventuais problemas em Portugal.

A empresa alemã que pertence ao grupo Schaeffler, Continental Mabor está à beira da falência. Segundo o jornal económico “Oje” a Continental AG vai requerer a ajuda do governo alemão para ultrpassar esta crise que se abateu no sector automóvel, visto que terá um divida de cerca de 11 mil milhões de euros.

Os herdeiros do fundador já garantiram que farão “tudo o que for possível para evitar uma ruptura do grupo”.

O mesmo fez António Lopes Seabra, hoje, em declarações à agência Lusa. “Temos a situação controlada. A Continental é uma empresa relativamente conservadora nas suas decisões e com uma estratégia sólida”, afirmou.

Apesar de “naturalmente apreensivo” com “as condições gerais em que o mercado está”, o presidente da Continental Mabor desvalorizou os eventuais efeitos da situação difícil do grupo alemão Schaeffler, que no ano passado passou a controlar a rival Continental AG após uma oferta pública de aquisição (OPA) hostil bem sucedida, na fábrica portuguesa de pneus.

“O grupo Schaeffler reconheceu no fim-de-semana, em comunicado, estar com algumas dificuldades financeiras e à procura de parceiros de negócio”, admitiu Lopes Seabra, salientando que o lançamento da OPA implicou um elevado endividamento por parte do grupo.

Contudo, disse, que a eventualidade da Schaeffler vir a vender parte da Continental AG para se financiar é uma “estratégia da própria empresa” e, “para já, não passa de conjectura e especulação” que não têm afectado a fábrica portuguesa, que emprega 1.500 trabalhadores.

“A divisão de borracha da Continental, em que os pneus são uma parte importante, é uma área muito sólida e com tecnologia bem implantada no mercado e, em Lousado, temos uma posição primordial e somos considerados uma das melhores fábricas de pneus da Europa”, sustentou.

Na unidade de Famalicão, o presidente da Continental Mabor garante não haver perspectivas de despedimentos nem de suspensão da actividade, apesar de o nível de produção estar, actualmente, “10 a 15 por cento” abaixo de 2007.

“Tivemos que ajustar a nossa produção às condições de mercado”, afirmou Lopes Seabra, referindo a quebra registada nas vendas de pneus para a indústria automóvel.

Ainda assim, destacou, o impacto das quebras desta indústria nas vendas da Continental Mabor é muito inferior ao sentido pelos fabricantes de componentes automóveis, já que “mais de 60 por cento do negócio de pneus é mercado de substituição directa para o cliente”.

Segundo o responsável, o abrandamento das vendas irá, contudo, dispensar a chamada de trabalhadores em horário extraordinário para laborar nos feriados e contratação de “equipas especiais” para trabalhar durante as férias dos funcionários.

“Se o mercado estivesse numa situação normal iríamos fazê-lo, mas como está em baixa não o faremos”, disse, acrescentando que tal deverá ser “suficiente para ajustar a produção”.