Os elementos do Conselho de Arbitragem do Futebol Amador da Trofa afirmaram, em entrevista exclusiva ao NT, estarem “indignados” com as acusações de que foram alvo nas finais das taças concelhias de futsal. Em causa estão declarações de Fernando Sousa, presidente da Associação Desportiva do Coronado, ao NT, em que referia “arbitragens menos honestas” e “resultados fabricados entre dirigentes e árbitros”.

 

Gil Oliveira e Paulo Pereira, do Conselho de Arbitragem, declararam serem “falsas” as acusações, mostrando-se “indignados” com a atitude do responsável por aquela associação.

Os responsáveis exigem a Fernando Sousa “que prove o que disse”, caso contrário, “peça desculpas pelas acusações que também deixaram indignados os árbitros em questão”.

“E no caso de ele conseguir provar essa situação, tomaremos medidas radicais com esses árbitros, que pode levar à sua exclusão”, afirmou Paulo Pereira.

Os elementos do Conselho de Arbitragem convidaram também Fernando Sousa “a comparecer à próxima assembleia, no dia 28 de Maio, para que prove o teor das acusações ou então que peça desculpa”.

Paulo Pereira assegurou que a política deste órgão “é transparente” e que pauta sempre pelo “profissionalismo”, apesar de se tratar de futebol amador.

A escolha dos árbitros para os jogos é feita “todas as terças-feiras, mediante a disponibilidade dos árbitros ou a importância dos jogos”.

“Com certeza que os árbitros mais credenciados são convocados para os jogos mais importantes. E também temos o cuidado de não incluirmos árbitros que possam ter alguma ligação, como a naturalidade, com alguma associação”, esclareceu Paulo Pereira.

Com 14 árbitros, dois deles mulheres, o Conselho de Arbitragem atravessa “muitas dificuldades” na gestão dos árbitros, devido à “incompreensão” das associações. Paulo Pereira contraria as “queixas” de que o Conselho de Arbitragem é alvo muitas vezes com o facto de “em muitas ocasiões concelhos de fora virem solicitar os árbitros da Trofa”.

“Isto prova que temos bons árbitros. Temos também o cuidado de, mensalmente, termos uma reunião com todos os árbitros para esclarecer dúvidas e tentarmos aperfeiçoar a sua ‘performance’ nos jogos”, referiu o responsável, que adiantou haver também “uma formação” no início e a meio da época.

Paulo Pereira enunciou também o “orgulho” de ver que os árbitros “têm um bom comportamento” e rejeitam qualquer atitude contra jogadores, dirigentes ou público. “Um árbitro tem que ir ao jogo, apitar, tomar banho, ir embora e não responder a provocações”, afirmou Paulo Pereira.

O Conselho de Arbitragem, que conta também com o trabalho de José Brás, segundo os elementos, tem encetado esforços para que “nada falte” aos árbitros e Paulo Pereira garante que os ordenados “nunca falham”. Desde há dois anos que este órgão se preocupa por vestir bem os juízes, tendo-lhes oferecido quatro equipamentos.

Apesar de ter as “portas abertas” para quem queira ser árbitro, o Conselho de Arbitragem avalia o desempenho de todos, pontualmente, o que já obrigou à exclusão de um árbitro esta temporada. “Os árbitros têm de ser correctos e saber despir a camisola”.

As queixas que recebem de todas as associações deixam os elementos do Conselho de Arbitragem descontentes, ainda para mais, quando nas assembleias “não aparece quase ninguém”. Por isso, os responsáveis consideram que seria bom pensar numa reunião mensal com um elemento das associações.

A evolução “é lenta”, mas existe, salvaguarda Paulo Pereira. Para além dos equipamentos oferecidos aos árbitros, o Conselho de Arbitragem decretou também a medida de “fechar os relatórios de jogos dentro de uma carta para o apartado”, para que “não haja fugas de informação”.

A relação com a Associação de Futebol Amador da Trofa, liderada por Artur Costa, também é “excelente”, segundo Gil Oliveira. “Ele (Artur Costa) tenta colaborar com tudo e concretizar todos os nossos pedidos”, afirmou.

Paulo Pereira e Gil Oliveira ainda não decidiram se continuam na gestão do Conselho de Arbitragem. Gil Oliveira, há cerca de dez anos como elemento do órgão, já se sente “cansado”, enquanto Paulo Pereira defende a integração de “pessoas novas” para trazerem novas ideias.