Quais seriam os conhecimentos dos portugueses sobre o território português na véspera das Invasões Francesas serviu de mote para a exposição inaugurada na Casa da Cultura da Trofa, que juntou algumas dezenas de imagens cartográficas e trabalhos geográficos.

Os exemplares expostos, da propriedade do Instituto Geográfico do Exército, revelam alguns pormenores do conhecimento da época, assim como o rigor e o aspecto artístico na sua execução. A exposição faz parte de um projecto elaborado em conjunto com o Centro de Estudos Geográfico da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa que tem como objectivo “dar a conhecer à população civil e aos militares em particular a representação do terreno à época”, revelou o Tenente-Coronel Francisco Gomes, presente inauguração da mostra, na passada sexta-feira.

Em declarações ao NT/TrofaTv o responsável afirmou que “atendendo à época em causa já existia autores deste tipo de obras que tinham já conhecimentos bastantes avançados para a época”.

Estas relíquias que podem ser vistas na mostra denominada “Portugal em Vésperas das Invasões Francesas – conhecimento geográfico e configurações” estão preservadas na Direcção de Infraestruturas do Exército, com condições de temperatura e humidade ideais para este tipo de documento. Com o objectivo de assegurar a sua imortalidade, foram ainda sujeitas a um processo de digitalização e catalogação para facilitar o manuseamento das mesmas e para consulta dos investigadores.

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Esta colaboração do exército nas iniciativas desenvolvidas pela autarquia no âmbito da invocação do Bicentenário das Invasões Francesas mereceu o regozijo de António Pontes, vereador da Cultura, que destacou a participação no dia invocativo das resistência da Barca da Trofa, no mês de Março e em outras tertúlias promovidas pela Casa da Cultura. Quanto a exposições, começamos com o colóquio com o Professor Valente Oliveira, porque era ela que estava à frente das comemorações, mas logo desde essa altura procurámos junto do exército a colaboração para percebermos como foi possível a realidade do campo das invasões francesas”, afirmou o vereador.

No que à exposição diz respeito, António Pontes afirmou que serviu “para tentar perceber o melhor possível a realidade do inicio do século XIX e o trabalho que na época se fazia, porque quer se queira quer não, é também por aqui que muitas vezes se consegue entender o porquê de determinadas opções que a nível militar foram feitas na altura, quer pelas tropas invasoras napoleónicas, quer pela nação portuguesa e pelos aliados ingleses”.

À exposição juntou-se uma tertúlia protagonizada por Mário Fernandes, professor do Departamento de Geografia da Faculdade de Letras do Porto, que se cingia ao mesmo tema.

“Para além do valor intrínseco que têm os conhecimentos por si só já seria interessante e pertinente, também se tenta mostrar como o ordenamento de território que hoje em dia é tantas vezes abordado que não é de hoje, que tem um lastro que está para trás, que tem algo que já vem de há vários séculos”, explicou o responsável.

Quanto a transformações de território importantes na época “não aconteceram muitas”, pois coincidiu com uma “altura em que o país de estagnou, devido a toda a alteração social e militar”. O importante das invasões é que “veio interromper um processo que existia, pois havia algo que estava a acontecer antes e houve algo que aconteceu a seguir relativamente ao ordenamento de território. O processo foi transformado pelas ideias liberais da revolução francesa”.

Na opinião de Mário Fernandes as invasões tiveram mais incidência no aspecto social e que continua e que continua vigorar nos dias de hoje. “Não foi só em Portugal, foi na Espanha, foi em toda a Europa, tentaram transformar as sociedades, no fundo o essencial não é a parte militar, são as ideias de liberdade e de transformação social, independentemente de todos os exageros que possam ter existido e que estavam subjacentes à revolução francesa”, sublinhou.