O Concurso do Melão contou com 19 exemplares que, pela sua qualidade, dificultaram a tarefa ao júri. Fernando Silva acabou por arrecadar o primeiro prémio de uma iniciativa que “incentiva à manutenção de uma cultura que é uma marca da região”.

Fernando Silva “já estava à espera” da deliberação do júri do Concurso de Melão, que se realizou no Bougado em Festa, no Souto de Bairros. O produtor deixou de lado a falsa modéstia e preferiu dar ênfase ao “trabalho árduo” que teve para ter um melão vencedor.

Este foi um dos muitos produtores que participaram na iniciativa, já tradicional na freguesia de Santiago de Bougado. A concurso estiveram 19 exemplares, que foram avaliados por um júri composto por Carlos Duarte, gestor do Programa Operacional da Região Norte ON 2 e ex-secretário de Estado da Agricultura, Arlindo Cunha, ex-ministro da Agricultura, e Carlos Alberto, representante da Cooperativa dos Agricultores de Santo Tirso e Trofa.

No que respeita aos melões, uns impressionaram pelo tamanho, mas foi, essencialmente, o sabor o critério preponderante para escolher o vencedor do concurso deste ano. E como é que se escolhe um melão concorrente? Nada melhor do que perguntar ao vencedor: “É com o bater da mão. Não pode ser pelo cheiro, porque às vezes quando cheiramos uma meloa ela tanto pode sair boa como pode sair má. Bater com a mão é a única maneira de saber se um melão é bom ou não”, explicou.

Para além de um longo trabalho, é preciso ter atenção ao clima, para adoptar “certos cuidados”, e uma “pontinha de sorte”.

Em segundo lugar do concurso ficou Nélson Torres e apesar de Fernando Silva ter ficado com o 3º prémio, o regulamento não permite que o mesmo produtor seja premiado duas vezes, pelo que o último lugar do pódio pertenceu ao produtor que tinha o quarto melhor melão: Carlos Costa.

“Melão casca de carvalho é marca da região”

O júri confirmou a dificuldade de escolher o melhor exemplar a concurso e elogiou o bom trabalho dos produtores da Trofa. Carlos Duarte afirmou que “todos os melões tinham qualidade” e mostraram que “os produtores do concelho da Trofa estão com boa tecnologia e com muitas preocupações a nível genético”.

Iniciativas tradicionais como o Concurso do Melão são “fundamentais”, destacou o elemento do júri, pois constitui “um factor que cria rendimento aos produtores”, numa altura em que a agricultura “não tem o realce que deveria ter por aquilo que é a sua importância estratégica para o país”. “É uma forma de darmos visibilidade àquilo que tem a ver com a qualidade dos nossos produtos”, frisou.

Também o vice-presidente da Câmara Municipal da Trofa, Magalhães Moreira, destacou o facto de o melão casca de carvalho ser “uma marca da região” e realçou a importância do concurso para “incentivar a manutenção desta cultura, que é muito melindrosa”. “É uma cultura muito cara e há anos em que a qualidade não é boa. Depois há dificuldades de escoamento do produto e se não houvesse este tipo de concursos, que incentivam até a competição entre os produtores, ela teria tendência a morrer”, afirmou.

Já o presidente da Junta de Freguesia de Santiago de Bougado, António Azevedo, enalteceu o facto de haver novos vencedores este ano para provar a transparência do concurso. “Todos os produtores estão satisfeitos, porque queriam participar e divulgar o produto que produzem. Isso é o que interessa à Junta de Freguesia”, referiu.

Durante o concurso, o executivo da Junta entregou diplomas a todos os participantes do Bougado em Festa entre empresas e associações da freguesia.