jose moreira da silva 

Ainda antes de nascer o Concelho da Trofa, cerca de nove meses antes, foram colocados, pela Comissão Promotora do Concelho da Trofa, em todas as entradas da Trofa, grandes cartazes com os dizeres “Aqui Nasce o Concelho da Trofa”. Nesta tarefa, os Presidentes de Junta e Assembleia das 8 Freguesias, que também pertenciam à Comissão Promotora, tiveram um papel primordial. Foi nas suas Freguesias que foram colocados os cartazes e é bom não esquecer que ainda pertencíamos a Santo Tirso e a retaliação era uma grande probabilidade.

Que grande lição de Trofismo deram os Autarcas de então. A Comissão Promotora não era só de S. Martinho de Bougado e que depois se juntou Santiago de Bougado. Se assim tivesse sido, nunca teria nascido o Concelho da Trofa. Que bom que foi entrar, por direito próprio, na Comissão Promotora: os Presidentes de Junta e de Assembleia de Freguesia de Guidões, Alvarelhos, Muro, Covelas, S. Mamede e S. Romão do Coronado que, todos em conjunto, deram uma nova dinâmica e uma maior viabilidade ao processo de Criação do Concelho. Só depois desta agregação, a Comissão Promotora, por uma questão operacional, criou a Comissão Executiva composta por uma dúzia de elementos. A partir desta Comissão foi criado o Secretariado Permanente, composto por cinco elementos e estava sempre disponível, a qualquer hora, para a causa da “Trofa a Concelho”. Estas Comissões, reuniram-se sempre no edifício da Junta de Freguesia do Muro. As instalações do Muro, foram a única sede da Comissão Promotora. Claro que existiram retaliações à Freguesia por parte do Poder Municipal de então, mas a sede existiu sempre no Muro, até ser criado o Concelho da Trofa. Foi a única!

Em tempo de aniversário é normal surgirem artigos na “nossa praça” a referirem-se ao glorioso dia 19 de Novembro de 1998, “Dia da Ida a Lisboa Buscar o Concelho”. Este ano em que se festeja o 11º Aniversário da Criação do Concelho da Trofa, não é excepção. A Capital, nesse dia, ficou enfeitada por milhares de Trofenses que levavam vestido uma T-shirt branca, chapéus em forma de barco e uma bandeira. Tudo em cor branca e neles estampado o desenho do novo município. Este desenho, foi uma criação de um membro da Comissão Promotora. Na preparação desse fantástico dia, esteve toda uma logística que é de realçar. Não foram só os 123 autocarros que encheram Lisboa de Trofenses, foi também as largas dezenas de carros particulares e motas que transportaram muita gente que engrossou a grande mola humana que ultrapassou a dezena de milhares de Trofenses que se dirigiram em cortejo festivo, desde o parque Eduardo VII até às escadarias da Assembleia da República, para dizer ao poder político: estamos cá e viemos buscar o Concelho da Trofa. Assim foi, marcavam os relógios: 17h 57m. E que bonita foi a festa!

A organização desse dia esteve impecável. Colocou à disposição da Comunicação Social um autocarro dos pequenos para acompanhar bem de perto essa grande jornada. Também não faltaram os Ranchos Folclóricos, a Fanfarra dos Escuteiros e a Banda de Música da Trofa. Marcou também presença constante uma ambulância dos Bombeiros Voluntários da Trofa e uma Equipa Médica. E que trabalho tiveram para socorrer e levar ao Hospital alguns Trofenses que, com a emoção, não se sentiram bem e tiveram de ser assistidos ao longo do dia. A ambulância veio para a Trofa cheia de pessoas que tinham ido ao Hospital, para serem assistidos, mas vieram acompanhados pelo nosso Médico. Que gesto bonito que deve ficar para a história e que nunca foi devidamente realçado.

Para que tudo isto fosse possível, foi necessário criar várias Comissões de Trabalho que assentaram “arraiais” no edifício da Junta de Freguesia do Muro. Uma dessas Comissões de Trabalho, foi a que esteve responsável pela contratação de autocarros. De início previam-se poucas dezenas e foram contratados os autocarros da região mas quando o número começou a crescer significativamente, já se contratavam autocarros bem de longe, pois na região não havia autocarros disponíveis que chegassem. Outra Comissão de Trabalho foi a que teve a tarefa de ir junto dos nossos Industriais solicitar a oferta das Bandeiras e dos respectivos paus, chapéus, e T-shirts. Esta tarefa foi complicada porque o número de pedidos foi aumentando significativamente ao longo do tempo de preparação. Que trabalho meritório, teve esta Comissão, pois conseguiu que todo esse material fosse oferecido. Foi bonito ver a quantidade de Trofenses que não pertencendo à Comissão Promotora do Concelho da Trofa mas que, a pedido desta, se juntaram na Sede da Comissão Promotora, sita no edifício da Junta de Freguesia do Muro, arregaçaram as mangas e ajudaram a produzir as bandeiras e todo o restante material, com que se engalanou o cortejo festivo em Lisboa. Toda esta logística para ser coroada de sucesso foi preciso criar mais uma Comissão de Trabalho que teve a difícil tarefa de Angariação de Fundos. Esta Comissão, teve um trabalho fabuloso e também meritório. Mesmo depois de sermos Concelho, continuou a trabalhar para que se pagasse tudo aquilo que tinha sido contratado. Assim foi, e o nome da Trofa não ficou manchado à nascença, graças a essa Comissão e a muitos Mecenas!

A verdadeira história da Criação do Concelho da Trofa ainda está por fazer e se, entretanto, nada se fizer, a história ficará cheia de lacunas, imprecisões e muitas mentiras. Já é tempo de se começar esta obra tão necessária, e importante, para os nossos vindouros.

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt