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Edição 739

“Como assistente espiritual, eu não visito crentes. Visito pessoas doentes”

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Sobre o tema geral “Covid-19, o desafio do mundo moderno”, o “Summit La Mask” teve como um dos temas abordados a espiritualidade em tempos de exceção.

Assistente espiritual no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, a irmã Inês Vasconcelos foi uma das oradoras do summit, realizado de forma inteiramente digital para toda a população.
A oradora abordou a questão da espiritualidade e as mudanças que esta dimensão sofreu com a pandemia da Covid-19, revelando que este é um “momento novo” pelo facto de, há um ano, não existir conhecimento suficiente da doença e de, agora, já serem conhecidos alguns dados que possibilitam enfrentar este, já menos, “desconhecido”.

Sublinhando que as questões da espiritualidade são de todos, uma vez que são tratadas “sem obrigatoriedade de recorrer a uma religião” e que “toda a pessoa é espiritual – os crentes, os religiosos, os agnósticos e até os ateus -, Inês Vasconcelos afirma de forma categórica: “Como assistente espiritual, eu não visito crentes. Visito pessoas doentes”. Esta ideia, acrescenta, explica-se pelo facto de as pessoas esperarem desta figura “empatia, escuta e acolhimento, um momento diferente no dia de um doente que, quando sujeito a um longo período de internamento, se torna cansativo e pesado”.

Afirmando que a “pandemia alterou todos os nossos hábitos sociais”, Inês Vasconcelos defende que esta deve ser uma “oportunidade de crescermos e sabermos aquilo que conhecemos”. As mudanças que a pandemia da Covid-19 trouxe foram várias a nível social e a espiritualidade pode, igualmente, ter um papel importante através do “silêncio que tem as palavras”, frisou.

A católica apresentou o seu agradecimento aos profissionais de saúde, que contactava por mensagens ou nos rápidos encontros no elevador, onde aproveitava para saber como estavam os doentes, assim como os próprios enfermeiros, médicos e assistentes operacionais. Um cenário bem diferente do habitual, em que circulava livremente “entre o 10.º piso e -3”.

Na sua intervenção, a assistente espiritual referiu ainda que “os cuidadores devem ser cuidados”, numa referência aos os profissionais que estão na linha de frente no combate à Covid-19, revelando que “nunca como nesta altura, houve tanta visita à capela como há agora” por parte dos profissionais de saúde, que recorrem a este espaço à procura “de força” e para “agradecer” ter conseguido aguentar mais um turno de serviço.

Dedicada a ajudar os outros, Inês Vasconcelos foi obrigada a restringir a sua atividade, numa altura em que Portugal enfrentava a segunda vaga da Covid, limitando as suas visitas a “quem estava mais necessitado”. Mas nunca parou. “Todos somos chamados a uma solidariedade maior, a uma atenção mais terna e mais próxima da pessoa”, alertou a assistente espiritual, que desafiou as pessoas a “saborearem a presença terrena dos entes queridos” e “viverem com confiança”, porque “isto vai passar”.

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Edição 739

Concessão das barragens da EDP: a anatomia de um golpe

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Retóricas novilinguísticas sobre socialismos e liberalismos à parte, o caso da concessão das barragens no rio Douro pela EDP à Engie é um daqueles sinais, por demais evidentes, de um longo historial de vassalagem do Estado aos mais poderosos interesses privados. Este negócio, que remonta a 2019, traduziu-se numa venda na ordem dos 2.200.000.000€, estando sujeito ao pagamento de Imposto de Selo de 5% do valor total da transacção, os tais 110 milhões de euros de que tanto temos ouvido falar nos últimos dias.
No ano seguinte, estávamos nós já demasiadamente ocupados com vírus e outras pandemias, o governo decide alterar o artigo 60 do Estatuto dos Benefícios Fiscais (EBF) alargando a isenção do Imposto de Selo a qualquer estabelecimento comercial, industrial ou agrícola que esteja abrangido por operações de reestruturação. E o que fez a EDP? Reestruturou-se.
Assim, no final de 2020, a EDP criou uma empresa de fachada, com apenas um funcionário: a Camirengia. Constituído o veículo de apoio à negociata, a EDP transferiu a propriedade das barragens para essa nova empresa, que foi posteriormente comprada por uma outra empresa, a Águas Profundas, criada – imaginem lá – pela Engie. Curiosidade: a Camirengia foi criada a 14 de Dezembro de 2020 e vendida à Águas Profundas cinco dias depois, a 19 de Dezembro. Quase nem deu tempo para levar para lá as barragens todas. Aquele funcionário deve ter tido uma trabalheira que nem é bom pensar. Parecem negócios feitos à moda de uma certa câmara municipal que conhecemos bem.
Na semana seguinte, para não perder o ritmo, a Camirengia e a Águas Profundas, ambas sob controle da francesa Engie, avançaram para um processo de fusão. Estava feita a necessária reestruturação que, juntamente com as alterações ao EBF, levadas a cabo pelo governo, garantiram a tal isenção de Imposto de Selo. Uma fusão realizada a 25 de Dezembro, já com o bacalhau na panela a cozer, que isto é malta que empreende todos os dias, Natal incluído.
Resumindo: à luz da lei portuguesa, criar uma empresa de fachada, para lá colocar um imóvel, e de seguida vender essa mesma empresa a uma outra, com a qual posteriormente se funde, é uma reestruturação. Só que isto tem tanto de reestruturação como esta sandes mista que estou a comer tem de cabrito assado. No fundo, estamos perante mais um assalto ao contribuinte, com o alto patrocínio da passividade colaboracionista de um governo que facilitou o esquema e depois assobiou para o lado, fazendo de conta que não era nada com ele. Apesar de estar a par de todos os passos deste esquema, e de ter sido alertado para a possibilidade de fuga aos impostos. Mais um prego no caixão da democracia, com o alto patrocínio do Partido Socialista.

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Edição 739

Memórias e Histórias da Trofa: “Quando o comboio parava em toda a linha”

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Por vezes, naqueles momentos de crítica da sociedade, ou até mesmo de resignação da sociedade relativamente à falta de investimentos de capital público na construção dos caminhos de ferro que o comboio não pode parar ou passar em todos os sítios. Uma desculpa muito ligeira para desculpar a falta de investimentos, todavia, no passado tal situação já foi possível de acontecer.
Escrevia-se nos seus primórdios, ainda nos finais do século XIX, concretamente a junho de 1899, que o comboio iria ter horários especiais que tinham o principal prepósito de deixar maior comodidade para o seu utilizador.
A referida comodidade era suportada igualmente na baixa de preço das viagens, para segundo o autor desta ideia, alimentar mais facilmente o número de utilizadores das feiras que se realizavam na cidade berço como também nas restantes localidades que eram servidas pelo caminho de ferro.
A surpresa ocorria no apontamento que era concretizado na cobertura religiosa, referir que os comboios não tinham só paragens em todas as estações, mas, nos vários pontos da linha para materializar e elevar a questão da comunidade, permitindo que o comboio vá parando para largar passageiros e fazer com que o seu nível de atratividade da sua utilização sofresse um enorme crescimento.
O referido modelo de funcionamento iria se compreender entre junho de 1899 e o mês de setembro, ocorrendo igualmente o reforço do número de viagens em ambos os sentidos, para segundo os autores das notícias: “… com concorrência direta para o Porto e para as estações do Minho do norte da Trofa”. Um exemplo flagrante em que a concorrência por vezes é mesmo a melhor amiga dos clientes.
Indagando para fundamentando a importância comercial desta medida, era também justificado com a facilidade de utilização para quem se desejava deslocar para Caldas de Vizela, Taipas e a referida feira que se concretizava na cidade de Guimarães.
Dissecando esta informação presente nos vários artigos realizados pela imprensa local do concelho de Santo Tirso sobre estas alterações é possível perceber e identificar a livre iniciativa no setor ferroviário em que o Estado permitia que uma empresa ou entidade privada investisse e tentasse rentabilizar o serviço público da melhor maneira, o que permitia claramente para o cidadão uma melhoria na sua utilização com mais paragens, mais viagens e até mesmo pagar pela utilização do serviço.
Uns pequenos espirros de um Estado liberal que iria ter o seu término com o passar das décadas, sobretudo após a subida de Salazar ao poder em que após várias promessas de apoios através de reforço de verbas e até mesmo de investimento para com essas empresas privadas de transporte, acabariam por não as concretizar e num momento de elevada independência financeira acabariam por cortar os apoios e assim fazer com que a atividade ferroviária se concentrasse na CP que todos nós conhecemos.

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