Sobre o tema geral “Covid-19, o desafio do mundo moderno”, o “Summit La Mask” teve como um dos temas abordados a espiritualidade em tempos de exceção.

Assistente espiritual no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, a irmã Inês Vasconcelos foi uma das oradoras do summit, realizado de forma inteiramente digital para toda a população.
A oradora abordou a questão da espiritualidade e as mudanças que esta dimensão sofreu com a pandemia da Covid-19, revelando que este é um “momento novo” pelo facto de, há um ano, não existir conhecimento suficiente da doença e de, agora, já serem conhecidos alguns dados que possibilitam enfrentar este, já menos, “desconhecido”.

Sublinhando que as questões da espiritualidade são de todos, uma vez que são tratadas “sem obrigatoriedade de recorrer a uma religião” e que “toda a pessoa é espiritual – os crentes, os religiosos, os agnósticos e até os ateus -, Inês Vasconcelos afirma de forma categórica: “Como assistente espiritual, eu não visito crentes. Visito pessoas doentes”. Esta ideia, acrescenta, explica-se pelo facto de as pessoas esperarem desta figura “empatia, escuta e acolhimento, um momento diferente no dia de um doente que, quando sujeito a um longo período de internamento, se torna cansativo e pesado”.

Afirmando que a “pandemia alterou todos os nossos hábitos sociais”, Inês Vasconcelos defende que esta deve ser uma “oportunidade de crescermos e sabermos aquilo que conhecemos”. As mudanças que a pandemia da Covid-19 trouxe foram várias a nível social e a espiritualidade pode, igualmente, ter um papel importante através do “silêncio que tem as palavras”, frisou.

A católica apresentou o seu agradecimento aos profissionais de saúde, que contactava por mensagens ou nos rápidos encontros no elevador, onde aproveitava para saber como estavam os doentes, assim como os próprios enfermeiros, médicos e assistentes operacionais. Um cenário bem diferente do habitual, em que circulava livremente “entre o 10.º piso e -3”.

Na sua intervenção, a assistente espiritual referiu ainda que “os cuidadores devem ser cuidados”, numa referência aos os profissionais que estão na linha de frente no combate à Covid-19, revelando que “nunca como nesta altura, houve tanta visita à capela como há agora” por parte dos profissionais de saúde, que recorrem a este espaço à procura “de força” e para “agradecer” ter conseguido aguentar mais um turno de serviço.

Dedicada a ajudar os outros, Inês Vasconcelos foi obrigada a restringir a sua atividade, numa altura em que Portugal enfrentava a segunda vaga da Covid, limitando as suas visitas a “quem estava mais necessitado”. Mas nunca parou. “Todos somos chamados a uma solidariedade maior, a uma atenção mais terna e mais próxima da pessoa”, alertou a assistente espiritual, que desafiou as pessoas a “saborearem a presença terrena dos entes queridos” e “viverem com confiança”, porque “isto vai passar”.