Para já, a Savinor, na Trofa, só tem de suspender a laboração ao fim-de-semana. Mas se a empresa, cujo funcionamento causa um cheiro nauseabundo e tem provocado muitos protestos das populações vizinhas, não cumprir as condições impostas pelaComissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN) para resolver os problemas, aquele organismo garante que promoverá o encerramento da fábrica, ainda que temporário.

 As queixas quanto ao mau funcionamento da Savinor (que transforma subprodutos do abate de aves e resíduos de peixes) já têm quase duas décadas. Em comunicado emitido ontem – na sequência da notícia do JN em que se dava conta dos protestos dos moradores e das câmaras da Trofa e da Maia, que exigem o fecho da fábrica, se os problemas con tinuarem -, a CCDRN anunciou ter imposto uma série de condições para que a empresa possa manter-se em actividade (ler caixa).

Além de ser obrigada a parar ao fim-de-semana, a fábrica terá de monitorizar os poluentes que emite, ver qual o impacto da sua actividade na atmosfera e concretizar os trabalhos de melhoria dos sistemas de captação e retenção de poluentes.

A CCDRN alerta, contudo, que poderão ser impostas outras condições à empresa, no âmbito do processo de licenciamento ambiental, ainda em curso. Uma coisa é certa todas as exigências devem ser cumpridas.

"O não cumprimento destas medidas e condições conduzirá a CCDRN a promover, em conjugação com a entidade licenciadora, a suspensão temporária da actividade daquela unidade industrial", diz o comunicado.

No documento, a CCDRN esclarece que, após uma série de denúncias que apontavam o agravamento do problema dos maus cheiros, "coordenou [no passado dia 2] uma acção de fiscalização às condições de laboração" da Savinor. Constatou, então, "que a situação de incomodidade provocada pelos odores tem origem, essencialmente, nas emissões difusas dos poluentes" e que a fábrica "carece de sistemas de retenção capazes e eficientes", sendo necessário resolver a questão "a curto prazo".

A CCDRN indica, ainda, que a empresa reconheceu as deficiências e comprometeu-se a restringir a actividade com "impacto potencial" durante o "período de requalificação do seu desempenho ambiental".

Suspensão

Suspensão da laboração da fábrica ao sábado e ao domingo.

Monitorização

Realização de diagnóstico no que respeita às emissões difusas, com identificação dos poluentesemitidos para a atmosfera, e monitorização em contínuo das emissões das fontes fixas durante 30 dias.

Melhorias Realização e conclusão, até ao fim deste ano, das várias acções que visam melhorar substancialmente a capacidade de captação e de retenção das emissões difusas nos pontos de linha de processamento mais complicados.

Impacto Realização de uma monitorização para avaliar o real impacto do funcionamento da fábrica no ambiente atmosférico e na qualidade do ar .

Prazos Todas as acções de planeamento e execução das medições e monitorização referidas têm de ser apresentadas à CCDRN, devidamente calendarizadas, até ao próximo dia 25. A sua execução está dependente da aprovação prévia da CCDRN, que acompanhará a sua realização. O não cumprimento das condições referidas implicará a suspensão temporária da actividade da fábrica.

Hugo Silva in JN